MATÉRIA REVISTA Nº22

Carta ao leitor

A ordem é investir em treinamento. Chega de "quebra-galho", de dar um jeitinho, de experimentar. Os buffets infantis sabem que só se consegue um bom resultado se tiverem funcionários capacitados, com vontade de fazer bem feito, motivados. A reportagem de capa desta edição aborda este tema e conta como alguns buffets passam essa idéia aos seus funcionários. Quem ganha é você, leitor.

A Revista Festas Infantis - Buffets e Eventos visitou algumas festas e trouxe atrações que dão um toque a mais. Confira. Veja também o que leva muitos pais a fazerem festas nos dias de semana.

E se seu filho faz aniversário no final do ano, uma opção interessante é uma festa de Halloween, com personagens, decorações, bolos, doces e fantasias que parecem extraídos dos filmes de terror.

Mas para ficar tranquilo e garantir que a festa vai sair do jeito que você quer, não deixe de exigir dos fornecedores tudo explicadinho num contrato. Além disso, a revista traz, na seção de novidades, várias opções de convites e lembrancinhas para completar sua festa e torná-la inesquecível.

Boa leitura e boa festa.

 

Buffets investem em treinamento

Definitivamente, os buffets infantis estão se profissionalizando. De nada adiantam modernos brinquedos e apetitosos salgadinhos e docinhos se a festa não tiver um serviço prestado por funcionários treinados e seguros de suas funções. Porteiros, monitores, copeiras, garçons, gerentes, pessoal da cozinha e da limpeza: ninguém escapa do olho criterioso dos proprietários de buffets. Afinal, qualquer deslize pode ser fatal e comprometer a alegria da festa.

Sandra Carole, proprietária do Magic Blue, percebeu que esta é a hora de investir no treinamento de sua equipe, que conta com 50 pessoas, entre funcionários registrados, colaboradores fixos e esporádicos. "Games, brinquedos, cardápios podem ser facilmente copiados e imitados, mas excelência de serviços e qualidade de atendimento não", explica Sandra.

Para passar essa idéia à sua equipe (a quem Sandra prefere chamar de elenco), todos passaram pelo treinamento "Sensibilização para o encantamento". A palestra, ministrada por um consultor de empresas, aconteceu em junho, no buffet. "A idéia foi mostrar aos funcionários onde queremos chegar e qual o caminho. Definimos nossa missão, nossa visão e os valores essenciais do Magic Blue", diz.

Na palestra, foi citado o exemplo da Disney: por que ela encanta tanto as pessoas, a ponto de 70% de seus visitantes retornarem ao parque? "Perguntado porque o parque estava sempre impecável, o presidente da empresa afirmou que o fato é que havia 44 mil pessoas trabalhando para isso. Ele explicou que não se tratavam de 44 mil agentes de limpeza, mas que todos os funcionários trabalhavam para isso", comenta Sandra, ressaltando que procura fazer com que sua equipe também se sinta responsável pelo sucesso das festas.

De olho no mercado de festas, Sandra espera consolidar o conceito "Think Magic", que está implantando no buffet. Para que os funcionários aprendessem mais sobre o processo de construção das grandes marcas, aconteceu no final de junho uma palestra do consultor de marketing Francisco Alberto Madia: "Ser uma marca – o sentido do marketing, o sentido da vida". "Queremos que a marca Magic Blue seja, no imaginário de crianças e adultos, sinônimo de qualidade, atendimento perfeito e festas inesquecíveis", aponta.

Além das palestras, o treinamento também envolve cursos específicos, principalmente voltados para os monitores. Sandra pretende fazer com que eles tenham uma atuação mais dinâmica com as crianças nas festas. Para isso, agendou um curso de dois dias, para os 12 monitores fixos do buffet, com a equipe de recreação Tutti Hortelã Frutti. Para as mulheres, faz parte da programação um curso de maquiagem, dado por uma professora do Senai. "Não permito perfume forte nem esmalte escuro. Mas notava que as monitoras vinham de cara lavada para o buffet, ou então com uma maquiagem carregada demais", lembra.

O resultado dos cursos aparece nas pesquisas que o buffet realiza a cada festa com os clientes e convidados. "Sobram elogios aos monitores pelo cuidado com as crianças e aos garçons pela cordialidade e atenção no atendimento. Como não cansamos de repetir nos treinamentos, nosso lema é pensar mágico e nossa meta é encantar os convidados, a todo instante", sustenta Sandra.

Mutirão

Os funcionários são a "cara" de um buffet e o assunto principal quando se trata de festas infantis. A opinião é de Andréa Chinaglia Bizutti, proprietária da rede de buffets Mega Party, com quatro unidades. Para fazer funcionar essa enorme estrutura de festas, Andréa mantém uma equipe de 120 funcionários, todos registrados. São monitores, garçons, copeiras, faxineiras, porteiros, além de mais oito pessoas que cuidam da cozinha industrial da rede, responsável pela produção de salgados e doces para as festas. "Todos contam com convênio médico e fazem exames de saúde ao serem admitidos. Os monitores, que têm contato direto com as crianças, fazem exames médicos semestralmente", conta.

Quando começou na área de buffets infantis, Andréa chegou a trabalhar com equipes terceirizadas. Porém, ela não notava dedicação das pessoas ao trabalho e não sabia a quem cobrar quando tinha problemas. "Um free-lancer não tem a mesma preocupação que um funcionário em fazer bem feito. Meus funcionários recebem benefícios mas são cobrados diariamente", afirma.

Há três anos, Andréa iniciou no Mega Party um grande mutirão de treinamento, baseado num manual de boas práticas. "Sentia falta de um material escrito que reunisse os procedimentos que considero necessários", lembra. Assim, todos os funcionários passaram por esse treinamento master, inclusive porteiros e faxineiros, conduzidos por duas nutricionistas.

O manual contém todos os procedimentos exigidos por lei para quem trabalha com alimentos. Há desde condutas básicas, como não usar esmalte nas unhas nem objetos de metal e usar cabelo preso com gel, até regras para manipulação dos alimentos e indicações dos materiais adequados a serem usados na higiene do buffet.

"Quando começamos a implantar o treinamento, até eu assistia às aulas. No início, sentimos uma rejeição por parte dos funcionários, já que eram aulas teóricas, um pouco cansativas. Depois, houve um entendimento que procedimentos são procedimentos e devem ser seguidos. Eles se tornaram rotina e uma coisa natural dentro dos buffets", sustenta a proprietária. Apesar da rotatividade dos funcionários do Mega Party ser pequena, conforme Andréa, cada funcionário admitido faz o treinamento baseado no manual de boas práticas. Semanalmente, toda a equipe, incluindo novos e antigos, passa por uma reciclagem de uma hora com a nutricionista do buffet, em cada unidade, para checar se tudo foi assimilado.

Apenas para os monitores o treinamento é diferenciado. "A apresentação e o asseio também são importantes, mas contam mais os aspectos psicológico e emocional e a motivação para o trabalho. Uma pedagoga faz vivências com eles a cada duas semanas, incluindo desde cenas cotidianas até situações vividas por eles nas festas", explica. Segundo Andréa, toda essa estrutura voltada para a preparação dos funcionários é um trabalho caro de manter, porém que não aparece para os pais. "Ao fechar uma festa, a mãe decide muito mais pelo visual do buffet", diz. Mas o treinamento garante um padrão de atendimento e a eficiência que Andréa procura manter em sua equipe.

Supervisão

Eficiência também é palavra de ordem para Rosângela Pires, sócia com o marido Roberto dos buffets Planet Party. A dupla comanda quatro casas: dois buffets teens, um voltado para casamentos e o mais recente, o Planet Party Kids, infantil. Há mais de 15 anos os dois atuam na área. Rosângela afirma que seu lema é atender o cliente em tudo. "Não admito que um funcionário fale não para o dono da festa ou para qualquer convidado. Afinal, quando a pessoa contrata um buffet espera ser bem servida em tudo", acredita.

Rosângela acaba de inaugurar o Planet Party Kids. O buffet funciona onde existia o antigo Adventure. O nome mudou e o buffet tem novidades, como uma nova sala de pais e novos brinquedos, como monorail. Porém, a equipe de funcionários foi mantida. "Vi pelos relatórios de festas que os pais saiam satisfeitos com o atendimento dado pelo pessoal", conta. Agora, para garantir que o serviço continue sendo elogiado, Rosângela fará no Kids o mesmo procedimento que mantém em seus outros buffets. Ela promove uma vez por mês uma reunião com a equipe de cada unidade, na qual todos os funcionários participam, dos porteiros aos garçons. A proprietária comenta que seus dois maitres, que trabalham também na diretoria de um grande banco, têm participação decisiva nesse treinamento e na excelência do atendimento aos clientes. "Eles me acompanham há muitos anos e são muito experientes", diz.

Para garantir que tudo corra bem nas festas, mesmo nas infantis, Rosângela não abre mão da participação de uma gerente e um maitre. "Com o maitre, a festa fica bem administrada em relação à alimentação. Já a gerente deve ter sensibilidade para captar o sonho da mãe e perceber o que ela espera daquele evento." Antes do início da festa, a dupla também inspeciona o visual da equipe. "Eles supervisionam tudo, desde os sapatos, que devem estar brilhando, até a limpeza das unhas e cabelo com redinha. Todos devem estar impecáveis", completa.

Atendimento

A limpeza e a apresentação da linha de frente dos funcionários do buffet – garçons e copeiras – é fundamental, segundo Vivian Vassiliates Martinez, sócia com o marido Newton nos buffets Estação Criança, infantil, e Estação Club, com três unidades teens. Vivian faz questão, no buffet infantil, das copeiras vestidas com uniforme tradicional, azul marinho e branco, meias brancas de nylon e sapatos baixos. "Não admito brincos, anéis ou relógios", diz Vivian.

O maitre, a copeira principal (que orienta as outras) e a gerente são funcionários fixos da casa. O maitre só não participa das festas estritamente escolares, só com crianças. Já a gerente é presença constante em todas as festas. "Além de fazer os pedidos e escalar os funcionários, ela participa da festa, acompanhando todos os detalhes, como a limpeza, por exemplo", aponta. A gerente ainda escala, orienta e treina os monitores. Vivian frisa que todos são maiores de idade e com um bom nível de formação.

Por trás da festa ainda há um bom número de funcionários que garantem o sucesso do evento. No Estação Criança, é o caso dos dois cozinheiros que trabalham na cozinha própria do buffet, mais uma forneira e uma cozinheira (para almoços ou jantares), que atuam em cada festa. Vivian comenta que, em sua estrutura funcional, há ainda a figura das vendedoras de festas. "Elas devem ser agradáveis e saber expor nosso produto para a mãe, de maneira que ela se sinta segura ao contratar nossos serviços", explica. O objetivo de Vivian é manter um bom nível de atendimento. "O principal item de um buffet é o atendimento dos funcionários, seguido pela cozinha", garante.

Conduta

Preocupações com o visual e a higiene pessoal dos funcionários devem fazer parte do roteiro de qualquer buffet infantil. Para Cristina Buchaim, sócia com Beatriz Kouak no Fanikito, os cuidados com a equipe devem ir além. "Conversamos muito com os funcionários sobre educação, como se portar, como falar com um convidado, enfim, sobre conduta", afirma, completando que durante uma festa o funcionário deve ser discreto, educado, eficiente e ainda saber sair de situações difíceis. Especialmente nas festas em domicílio, serviço que o Fanikito também presta, a discrição é uma característica fundamental. "Causamos uma invasão na casa do cliente e o funcionário precisa saber ser invisível, e nunca se portar como um convidado mas como um prestador de serviço", sustenta.

Obter essa postura dos funcionários exige das proprietárias do buffet um treinamento renovado constantemente. "Também é preciso saber selecionar as pessoas, já que uma boa educação o funcionário traz consigo, e não se ensina", acredita. As sócias procuram em seus funcionários o perfil que julgam adequado para as festas – e acreditam que vêm mantendo esse padrão. "Muita gente da equipe está conosco desde que começamos", comenta Cristina. Uma das gerentes trabalha na casa há sete anos, e outra há quatro. Entre as copeiras e os monitores, o pessoal é predominantemente jovem. "Acredito que com os jovens o treinamento é mais eficiente. Eles estão mais abertos a receber informações e se adaptar", justifica.

Cuidados

Por acreditar na importância da equipe de funcionários para o sucesso de um aniversário, Rokelli Camargo, proprietária do Rok Kid, se reúne com o grupo antes de cada festa. "Quinzenalmente faço reuniões com meus oito funcionários. Mais pessoas trabalham nas festas, mas são eles que têm o retorno para saber o que deu certo ou o que deve ser modificado", aponta Rokelli. "Quando acho que falhamos em algum ponto, anoto e discutimos", completa.

Os funcionários fixos são uma gerente, uma subgerente, atendente, segurança, manobrista, pessoal de limpeza e manutenção e apoio da cozinha. A gerente ou a próprietária sempre estão nas festas. "Orientamos os funcionários, e esperamos que cada um tenha sua consciência profissional. Tento fazer com que o pessoal faça as coisas ao meu estilo. Por exemplo, para colocar os doces na mesa ou preparar um cachorro-quente, é preciso usar luvas", comenta. Rokelli gosta de ter um retorno dos clientes sobre a qualidade da festa e do serviço. Por isso, sempre pergunta no final da festa se há alguma reclamação, ou telefona no dia seguinte para saber a opinião dos pais.

Com os monitores, o cuidado deve ser dobrado. O Rok Kid só trabalha com monitores maiores de 18 anos. Rokelli pede a eles que vejam as crianças não só como motivo de alegrias e brincadeiras na festa, mas também não descuidando da segurança nos brinquedos e escada. "Temos uma escada que dá acesso aos games e às mesas e me orgulho de, em seis anos, nunca ter tido um acidente no local. Redobramos os cuidados pois, como tenho quatro filhos, sei que as crianças são imprevisíveis. Por isso oriento os monitores a não descuidarem um segundo sequer das crianças", afirma.

Motivação

Também no Comics os monitores são treinados a enfrentar diversas situações, desde como lidar com os brinquedos a como se portar com uma criança tímida. "Temos um recreador, formado em fisioterapia, que comanda nosso grupo de monitores. Mensalmente fazemos reuniões, onde os monitores recebem instruções por escrito de como agir em determinadas situações. Já trouxemos até um dentista para orientá-los sobre os procedimentos em caso de quebra de algum dente", comenta Dany Lam, proprietário do Comics.

Existe também a preocupação de um acidente envolvendo uma criança. "Nunca aconteceu em nosso buffet, mas se acontecer o primeiro que vê é o monitor". Nesse caso, o monitor deve saber que não deve colocar a criança em frente a um espelho, por exemplo, para que ela não se assuste vendo o machucado.

Além dos cuidados com as crianças, Dany acredita que o monitor deve trabalhar motivado. "Quatro horas parado na frente de um brinquedo deixa qualquer um desmotivado. Por isso, em nossas festas eles se revezam em pelo menos dois brinquedos", explica. É função dos monitores ainda alegrar as crianças: no barco vicking, por exemplo, eles cantam junto com os pequenos ou jogam um objeto na piscina de bolinhas para que os convidados procurem. Periodicamente, o Comics promove grandes encontros entre seus monitores. "Reunimos cerca de 40 jovens e fazemos atividades que servem até para conhecermos melhor as características de cada um", conta.

A motivação também deve envolver copeiras e garçons, na opinião de Dany. "Trabalhar com o público infantil envolve alegria. Como costumo dizer, precisamos sair um pouco da coxinha e da bolinha de queijo", diverte-se. Na coordenação das festas, ficam a gerente e o maitre. A gerente do Comics está atualmente fazendo um curso específico para o ramo de buffets. "É um curso para se especializar, buscar modernização." Já o maitre coordena garçons e copeiras e também tem a função de trazer novos elementos para o buffet. "Se ele descobre um suco diferente, por exemplo, traz para nós", completa Dany.

 

Na hora da festa

Pequenas atrações com grandes efeitos têm ganhado espaço nas festas infantis. São empresas que levam material e pessoal para fazer, na hora da festa, uma peça para cada criança. Das já conhecidas esculturas em balões a placas com letras em material emborrachado que formam o nome do convidado, há idéias para todos os gostos. Todas se transformam em simpáticas e originais lembrancinhas, com a participação das crianças na atividade.

De olho na diversidade de atrações exigidas pelos aniversários, a Nome na Hora inovou com placas com o nome da criança e um personagem, montados na festa. Para cada festa a empresa leva 5200 letras variadas em 10 cores, mais 300 personagens diversos, conforme a idade do aniversariante e dos convidados. "Cada festa é diferente da outra. Já houve aniversário onde fizemos 30 Hello Kitty", conta Renata Paschoareli, proprietária da Nome na Hora com o marido, Ricardo Alexandre de Jesus. Ricardo é o responsável pela criação das letras e dos desenhos. Todos são confeccionados em EVA, material emborrachado muito utilizado em artesanato, riscados e cortados à mão e pintados com aerógrafo. Tudo é levado pronto para a festa, onde a criança escolhe duas cores, uma para a base, outra para as letras, e mais o personagem. Ela recebe uma senha e retira sua lembrancinha no final da festa.

Entre os personagens mais pedidos estão "Monstros S.A", "Peter Pan", "Scooby Doo", "Batman", "Lilo & Stitch" e "Teletubbies". "Fazemos desde festas de primeiro aniversário até de adolescentes. Quanto aos personagens, é difícil um ficar ‘encalhado’ na festa. Levamos tanto os voltados para meninos como para meninas, e pelo menos um de cada é escolhido", comenta Renata. Os personagens disponíveis ficam expostos num biombo, para facilitar a escolha. Para uma festa de 40 convidados, a Nome na Hora leva uma equipe de quatro pessoas. Para confeccionar 40 nomes, o tempo mínimo de permanência na festa é de duas horas. Porém, Renata frisa que fica o tempo necessário para cumprir os 40 nomes. Para o aniversariante, é feito um brinde especial: pode ser uma bolsa, um porta-treco ou um quadro de aviso, sempre em EVA, com o personagem-tema da festa ou outro a escolha da criança.

Magia dos balões

Ao lado das novidades, há trabalhos já tradicionais e que continuam causando um grande impacto tanto em crianças como em adultos. É o caso das esculturas em balões. William Sawaki, da Puma Balões, oferece esse serviço há oito anos. Ele lembra que tudo começou com figuras como espadas, flores e cachorrinhos. "Hoje, as crianças estão mais exigentes. As figuras ficaram tematizadas e se fizermos simplesmente um poodle em balão ninguém se anima. Todos querem figuras elaboradas", compara.

Ao tema são agregados vários modelos de balões. Na festa com o tema "Nemo", por exemplo, o balão com o personagem principal do filme é reservado para o aniversariante. "Assim, ele se sente especial", explica. Para os convidados podem ser feitas versões do peixinho, estrelas-do-mar, foca, tubarão. Já numa festa do "Harry Potter", as crianças saem com aranhas e cobras. Para o tema "Ursinho Pooh", além dos personagens são confeccionadas flores, coelhos, borboletas.

A oficina de balões da Puma dura quatro horas de festa e, na opinião de William, reúne três atividades numa só: animação, lembrancinha e decoração. "Os balões flutuando acabam decorando o salão e cada criança sai com sua lembrança", diz. Cada montador leva cerca de seis minutos para fazer um personagem, conversando e interagindo com o convidado. "Sempre priorizamos dar um atendimento especial às crianças", salienta. A transformação de um simples balão redondo num personagem elaborado diverte também os adultos. William comenta que em todas as festas cerca de 20% dos balões são feitos para adultos. "O grande chamariz da escultura em balão é o fato dela ser feita na hora. Aos poucos, o convidado vai entendendo e descobrindo a figura que surge", diz.

Molde da mão

Outra atividade que encanta convidados de todas as idades é a Mãos de Cera. Mesmo quem já participou da atração em alguma festa faz questão de repeti-la para garantir uma nova escultura da sua mão.

André Moretti explica que a técnica veio dos Estados Unidos: é utilizada uma parafina especial para modelar, importada. Primeiro, a mão da criança é untada com um óleo mineral. Depois, a mão é mergulhada rapidamente em água fria. Em seguida, são feitos de três a quatro mergulhos na parafina quente, para garantir um molde resistente e bem detalhado. O molde é, então, retirado da mão da criança e segue para a pintura, feita com parafina tingida com pigmentos. "O interessante é que há uma interação da criança com o produto. Elas acham divertido colocar a mão na cera. Muitas têm até um pouco de medo do desconhecido, mas acabam superando e se divertindo", explica André.

Pode ser incluído algum ornamento no molde, como flores, bolas e personagens, inclusive alusivos ao tema da festa. A mão especial, com algum objeto, leva mais uma camada de parafina para fixá-lo. Quanto à pintura, a Mãos de Cera está trazendo para as festas cores novas, como cor de pele, prata, dourado, e as que brilham na luz negra, como laranja, pink e verde limão. O convidado recebe sua "mão" numa sacolinha contendo as instruções para uma melhor conservação, como não deixá-la exposta ao sol nem no carro. Se quiser, a criança pode depois encher o molde com gesso para torná-lo mais durável.

"As crianças podem presentear os avós ou algum parente com a escultura da sua mão, que é uma peça decorativa e uma agradável recordação", conta.

Lembrancinha na hora

Montar um miniestúdio fotográfico na festa para a confecção de lembrancinhas é a proposta da Artdesign. O aniversariante escolhe previamente a peça a ser oferecida aos convidados. São inúmeras opções, como travesseiro, pantufa, mochila, pijama e camisola, vela, caneca, quebra-cabeça, jogo da memória e jogo da velha, entre outras. Ao chegar, cada convidado é fotografado com uma máquina digital. "Muitos acham que eu sou a fotógrafa da festa e não sabem o que está sendo feito. A peça final é uma surpresa", diz Mônica Schapiro, proprietária da Artdesign, que atende festas infantis há mais de quatro anos, sempre com a preocupação de lançar novidades.

A foto é impressa a laser e a imagem é transferida termicamente para a peça escolhida. Mônica se preocupa com detalhes como combinar a cor da roupa do convidado com a do objeto. A embalagem é caprichada: a lembrança é entregue num saquinho de vinil, transparente na frente, permitindo a visualização da imagem. O cartão de agradecimento também é impresso na hora, com a foto do aniversariante ou o tema da festa.

Mônica explica que a grande vantagem do seu serviço é resolver a questão da lembrancinha. "A mãe fica despreocupada se vão faltar ou sobrar lembrancinhas", completa. A Artdesign cobra uma taxa de serviço fixa por festa, mais um valor por brinde unitário. "Se comparecerem 30 crianças na festa, e não as 50 convidadas, a mãe não vai perder", finaliza.

NO ATELIÊ

Mesmo fora dos buffets é possível fazer festas com atrações especiais, onde as crianças participam da produção de suas próprias lembrancinhas. É o caso da Paper Chase, uma papelaria especializada em scrapbooking, convites e lembranças personalizadas, e que conta com um espaço apropriado para aniversários. Geralmente as festas são de meninas de oito a 13 anos. O pacote é para um mínimo de oito crianças e o máximo de dez.

Na primeira parte da festa, cada criança monta um álbum de fotos, com o auxílio de uma professora e uma assistente. Elas utilizam muito papel colorido, tesouras de corte artesanal e furadores. "Deixamos um modelo de amostra e a professora ensina a técnica. Mas cada uma decide livremente onde e como vai colar e distribuir os acessórios nas páginas", comentam as sócias Claudia e Adriana Sala.

O grupo tira fotos instantâneas da aniversariante com cada convidada ou do grupo todo. Começa, então, a segunda parte da festa, quando cada menina faz um porta-retrato cartonado. A aniversariante escolhe um tema e os porta-retratos são decorados com miçangas, adesivos e outros acessórios. Chega, então, a hora do parabéns. A parte de alimentação fica a cargo da mãe. As festas podem acontecer de segunda a sábado, de acordo com a disponibilidade do espaço, com duração de três a três horas e meia.

Outro local onde a festa acontece num ritmo diferente do tradicional é a Vidrada em Arte. "Queremos despertar a arte nas crianças. É uma maneira delas liberarem o stress", acredita Fátima Rodrigues, gerente do ateliê, completando que a maioria dos aniversários é de crianças a partir dos seis anos.

São quatro horas de festa e o aniversariante pode escolher entre diversas técnicas: biscuit (onde cada criança decora uma caixa de madeira), perfumaria, arte em papel, velas. A partir de agosto, novas técnicas estão sendo introduzidas: boneca de pano, patchwork, fuxico, bijuterias, pintura em cerâmica, mosaico, pintura em tela e bolsas em lona.

Fátima frisa que a idéia das festas é ensinar alguma atividade às crianças. A mãe entra com a parte de alimentação. "Mas a finalidade não é parar a aula para comer. O lanche e o bolo acontecem no final da festa, que é mais voltada para as crianças e familiares mais próximos", diz.

O ateliê está expandindo suas instalações com outro espaço voltado somente para o ensino das técnicas em papel, o Clube da Vidrada em Papel. E passa a levar o material e a estrutura necessários para fazer arte onde o aniversário acontecer, como buffets ou residências.

 

Todo dia é dia de festa

Vai longe o tempo em que apenas os sábados e domingos eram dias de festa. Hoje, elas acontecem também durante a semana, mesmo porque os buffets oferecem pacotes mais econômicos para os dias úteis. Além da economia, há pais que não abrem mão de cantar o parabéns no próprio dia do nascimento da criança, que nem sempre cai em um final de semana.

Outra vantagem de comemorar o aniversário de segunda a quinta-feira é a garantia da presença dos amiguinhos da escola. "Durante a semana, a frequência dos convidados é grande. As crianças querem seus amigos na festa", afirma Eliete Negri, proprietária do Splash Blue. O buffet, aliás, faz muitas festas nos dias úteis à noite, mais até do que as chamadas festas escolares, durante o dia. "Chamo a festa escolar de festa alternativa, pois o cardápio oferecido é o mesmo. Apenas é uma festa com mais crianças do que adultos, portanto com custo mais baixo, mas sirvo o que a mãe escolher", afirma. Já as festas noturnas dos dias da semana costumam ser maiores, comenta Eliete. "Tenho festas grandes, bem completas, para 200 a 250 convidados frequentemente durante a semana", atesta.

Um desses eventos foi o do aniversário de quatro anos de Bruna, filha de Vilma Alves Vilela, comemorado recentemente no Splash Blue numa quinta-feira com 220 convidados. Vilma, que também é mãe de Vitória, de sete anos, conta que prefere comemorar o aniversário das meninas em terças, quartas ou quintas-feiras. "Já fiz festas nos finais de semana. O primeiro aniversário de Vitória foi num sábado, e o segundo de Bruna aconteceu numa sexta-feira. Mas meu dia preferido é a quinta-feira, pois já é quase véspera do final de semana e garanto 90% da presença dos meus convidados", acredita. Para Vilma, na sexta as pessoas já estão se programando para a viagem do final de semana. "É quando a maioria dos nossos amigos viaja", diz.

Mesmo sendo numa quinta-feira, a festa de Bruna não deixou nada a desejar às tradicionais festas de sábados ou domingos. A decoradora Andréa Ambrósio preparou um grande barco na entrada do buffet, alusivo ao tema "Pequena Sereia". Entre as atrações, maquiagem do Tinácio para as crianças, caricatura e música ao vivo na sala dos pais e dois modelos-garçons vestidos de marinheiro servindo champagne para os adultos. No jantar, foi oferecido um buffet de carnes. "A festa foi um sucesso", comemora Vilma.

Segunda-feira

Se Vilma é fã das quintas-feiras, outras mães também têm seus dias preferidos. Patrícia Maia, cliente do Peekaboo, já fez um pacto com as mães das colegas de sua filha Juliana, de oito anos: seus próximos aniversários serão preferencialmente às segundas-feiras, no Peekaboo de Higienópolis, próximo da escola das crianças e da residência da maior parte dos amigos. "Este ano, acabei comemorando os oito anos da Juliana numa sexta-feira, pois os dias do início da semana já estavam ocupados. Porém, acho que a segunda-feira é o dia em que os paulistanos têm menos compromissos", afirma Patrícia, que já planeja o aniversário da filha menor, Carolina, de cinco anos. "Ela faz aniversário em janeiro, mas provavelmente comemoraremos na primeira semana de aula, também de segunda ou terça-feira", diz.

Cristiane Abreu, mãe de Luma, de oito anos, conseguiu a data que queria, uma segunda-feira, para comemorar o aniversário da garota, no Peekaboo dos Jardins. Luma estuda na Bela Vista e a prioridade era fazer a festa perto da escola, já que a família mora do outro lado da cidade, em Santana. "Optei pelo mais prático, uma festa para as crianças. Todos os amigos da turma de Luma comemoraram assim", conta a mãe. Como Luma estuda em período semi-integral, a festa começou às 16 horas e foi até às 20 horas. Todos foram de transporte escolar, direto da aula. "Fiquei com receio de que, se a festa fosse no final de semana, ninguém compareceria", explica.

Para Henrique Machado, sócio do Peekaboo com Solange Machado, Susi Valentina Vilela e Renata Guedes, hoje os pais estão mais criativos ao decidir a data da festa, até para garantir a presença dos amiguinhos. Henrique comenta que durante a semana a grande maioria das festas são de crianças em idade escolar. As festas escolares podem ser pela manhã ou à tarde com almoço, ou mesmo à noite, quando o pais vão buscar as crianças no buffet.

No dia

Apesar da maioria das festas durante a semana serem de crianças com mais de três anos, há pais que optaram por fazer o aniversário de um ano acontecer num dia útil. Foi o caso de Ismael Correa Coimbra e Rosana Mafort, pais de Leonardo, de cinco anos, e de Rafael, com nove meses. Os dois são da opinião de que o que deve ser celebrado é a data do nascimento da criança. Por isso, todos os aniversários de Leonardo aconteceram no dia 26 de outubro, dia de seu nascimento. "É um dia mágico para nós. A comemoração já começa de manhã, com a entrega do presente. Então vem a expectativa pela festa, que acontece à noite", conta Ismael. Todas as cinco festas de Leonardo aconteceram no Circo Mágico. "O dia 26 de outubro já está reservado sempre na agenda para nós", diz o pai.

Assim, o primeiro aninho de Leonardo aconteceu numa terça-feira. Nem o fato de Rosana e Ismael trabalharem e Leonardo precisar ir para a escolinha cedo no dia seguinte fez os pais desistirem de comemorar o aniversário no dia correto. "Leonardo sempre foi um bebê que dormiu cedo. Mas, nesse dia, ele aproveitou a festa, e ainda abriu todos os presentes quando chegou em casa. Ele foi dormir após a meia-noite, e no dia seguinte atrasamos um pouquinho nossos horários", recorda.

O aniversário de dois anos caiu numa quinta-feira – o dia da festa. A partir daí, os aniversários aconteceram numa sexta-feira, depois sábado e, no último ano, num domingo. "Nas festas durante a semana, sempre tivemos 100% de quórum dos convidados. O mesmo não ocorreu nos anos em que fizemos no final de semana", lembra.

Gisele Assis, sócia do Circo Mágico com Luciano Tagliatela, recomenda aos pais que, se eles não fazem questão de comemorar num final de semana, que marquem a festa para o dia do aniversário. "Senão, a mãe tem mais um trabalho, já que sempre é preciso fazer um bolinho em casa no dia para a família", observa. Gisele lembra que, quando abriu o buffet, há nove anos, acreditava que o forte seriam os finais de semana. Hoje, ela tem mais festas durante a semana. "Temos três preços: de segunda à quinta, às sextas-feiras e outro para sábados e domingos. Assim, atendemos pais de crianças pequenas, que querem os finais de semana e fazem um investimento financeiro maior na festa, os pais de criança em idade escolar, que fazem festas mais econômicas durante o dia, e os que querem comemorar no dia certo e procuram os dias de semana à noite", comenta.

No Circo Mágico as festas escolares têm três horas de duração e podem acontecer de manhã ou à tarde, com término até as 17 horas, permitindo que o buffet faça outra festa à noite. O pacote escolar inclui o transporte, da escola para o buffet ou vice-versa, em micro-ônibus com 28 lugares. "Se a festa tiver um número maior de crianças, alugamos um ônibus maior e a mãe paga a diferença", explica Gisele, completando que o objetivo do buffet é oferecer o máximo de comodidade para o cliente. "Temos que motivar os pais a fazer festas durante a semana, oferecendo pacotes diferenciados", completa.

Economia

O Zuera é outro buffet que investe nas festas escolares. "Precisamos de festas durante a semana para que os sábados e domingos não fiquem tumultuados. Para as mães mais flexíveis em relação ao dia, damos boas condições para que elas façam festas nos dias úteis", comenta Bernadete Sera, proprietária do Zuera.

O horário mais procurado no Zuera para festas escolares é o das 12 às 16 horas. "São festas para crianças a partir de seis anos, que estudam de manhã. No pacote, damos um limite de 15 adultos para 35 crianças", afirma.

Para inibir as mães de permanecer no aniversário, o indicado é que a dona da festa contrate o transporte para levar a classe ao buffet. "São festas com ótimo custo-benefício para os pais", acredita Bernadete. O fato de ter muitas crianças e poucos adultos também garante mais animação, assegura a proprietária. "Os monitores têm mais liberdade para brincar com as crianças, e ninguém fica incomodado com o barulho e a correria. Na idade escolar, o que mais as crianças querem é estar com os amigos", finaliza.

Animação

Para Mariana Ramos, sócia do buffet Casa Tupiniquim com Ângela Soares, a animação de uma festa escolar já começa no ônibus. "O percurso de ônibus faz parte da farra. As crianças adoram vir todas juntas para a festa", diz. A chegada ao buffet também é recheada de atrações, como o pic-nic: esteiras são espalhadas pelo chão e assim, num clima informal, são servidos os salgadinhos, garantindo que todos se alimentem antes do início das brincadeiras. Os itens servidos no pacote escolar são os mesmos do pacote normal. Entre as opções, há sanduíche de carne louca, cuzcuz de camarão, pastel de carne seca com abóbora e caldinho de feijão.

O pacote escolar da Casa Tupiniquim é fechado para 40 pessoas e tem duração de três horas. "O serviço é o mesmo das festas noturnas ou de final de semana. Apenas o que muda é o perfil dos convidados", constata Mariana. Além das festas escolares, os pacotes noturnos de segunda à quinta também são bem procurados. "Eu prefiro comemorar os aniversários das minhas filhas durante a semana. São festas mais tranquilas, sem tantos convidados, porém todas as crianças comparecem", afirma.

A vantagem econômica também deve ser levada em consideração. Na Casa Tupiniquim a diferença de preço entre um pacote de segunda a quinta e um de final de semana é de cerca de 20%. Também o preço do convidado extra é mais baixo, garantindo um custo final menor.

Presença maciça

Estar próximo de bons colégios garante ao buffet uma agenda cheia de festas durante a semana. É o que acontece com o Harry Happy, próximo de colégios como Porto Seguro, Graduada, Santo Américo, Miguel de Cervantes e Eugenio Montale. O horário mais procurado é o das 12 às 16 horas. Conforme Norma Regina Ranali, sócia do buffet com Vanda Ancona Weber e Carla Ancona, a maior parte das festas escolares é para a faixa etária de cinco a sete anos. "A diferença de preço chama a atenção dos pais e, além disso, as mães comentam que nos finais de semana as crianças não comparecem tanto às festas", comenta Norma.

Já o horário das 16 às 20 horas, para crianças que estudam até as 15 horas, cai dentro do pacote normal do buffet, porém ainda mais econômico do que os de final de semana. Gláucia Brunelli comemorou os cinco anos da filha Tammy numa quarta-feira no horário das 16 horas, com o tema "Pequena Sereia". Gláucia e o marido não têm família em São Paulo, pois são do Rio de Janeiro. O aniversário da menina é em julho mas Gláucia antecipou a festa no Harry Happy para que ela pudesse comemorar com os amigos. O objetivo foi alcançado: as crianças compareceram em peso. A lista de presença confirmou 46 crianças. A presença das mães também foi grande. Gláucia acredita que num final de semana não teria o mesmo quórum.

 

Halloween em clima de 'terror'

Você é daqueles pais que não agüentam mais festas com o tema "Princesas", "Super-heróis" ou o último sucesso da Disney? Se seu filho faz aniversário em outubro ou novembro, é possível inovar fazendo uma festa no clima do Halloween. A data é muito comemorada nos Estados Unidos, onde as crianças adoram a brincadeira do "trick or treat", que significa travessuras ou gostosuras. Os pequenos vão aos vizinhos pedindo guloseimas para não aprontarem travessuras. No Brasil, a cada ano a data vem ganhando mais e mais adeptos. Bruxas, vampiros, aranhas e outros itens horripilantes transformam qualquer festa num cenário de terror, porém com muita diversão. Regina Paschoalin sempre imaginou fazer uma festa de Halloween para a filha Roberta, já que ela nasceu no próprio dia 31 de outubro. "Estava esperando a idade adequada para fazer esse tema. Acho que uma criança pequena pode até se assustar. Também queria que a data não caísse no meio do feriado de Finados", conta a mãe, que mora em Alphaville, condomínio, onde o Halloween é muito comemorado. "As casas ficam decoradas e Roberta adora sair fantasiada para pedir balas aos vizinhos", comenta Regina. No ano passado, quando a garota completou sete anos, finalmente tudo contribuiu para a realização de uma grande festa de Halloween.

A festa foi no buffet Planeta Alpha, com decoração de Andréa Guimarães, e toques do acervo de Regina, peças alusivas ao Dia das Bruxas, já que todos os anos ela decora sua casa com o tema.

Na entrada, um portal remetia a uma casa mal assombrada. Caveiras barulhentas, aranhas pelo chão e a reprodução de uma floresta assustadora com fantasmas pendurados nas árvores recepcionavam os convidados até o salão. Personagens da Estação Felicidade – como Mortícia e Frankenstein – davam as boas-vindas a todos. "Como havia convidados de todas as idades e não queria que as crianças menores se assustassem, propus uma decoração mais leve no salão, com banners coloridos".

Os 220 convidados foram à caráter, um pedido feito no convite. "Todos curtiram a festa um mês antes, preparando as fantasias", lembra. Até a avó de Roberta, com 79 anos, entrou no clima, vestida de "Vovó Aranha". Já a aniversariante optou pela fantasia de "Rainha das bruxas": saia de retalhos roxo, laranja e preto, corpete prata e preto com gola bordada imitando teias de aranha e um arranjo inusitado no cabelo, com pequenas aranhas de plástico saindo do coque.

O pessoal de serviço de bar, da empresa Classe A, caprichou na maquiagem e, em estilo tétrico, fez milk-shakes para as crianças e drinques com gelo seco para os adultos no bar decorado com tubos de ensaio e muita fumaça. As copeiras usavam tiaras iluminadas com pequenos "Frankensteins" ou abóboras. Os monitores, fantasiados, utilizavam um button iluminado que os identificava. A recreação teve uma "gincana do horror" e incluiu concurso de fantasias e show de rock.

 

Contrato: garantia no papel

Da mãe de primeira viagem, que está organizando o aniversário de um aninho de seu bebê, até as mais experientes, com várias festas infantis no currículo, todas sentem uma pontinha de insegurança ao contratar os serviços de buffet, shows ou recreação para o evento. O que foi contratado será feito realmente na festa? E se a equipe de recreação atrasar, o mágico desaparecer ou o bolo não for o mesmo escolhido? Todas essas dúvidas passam pela cabeça das mães antes da data da festa. Por isso, a melhor maneira de se prevenir e garantir uma boa prestação de serviços é assinando um contrato com a empresa.

Também no fechamento da festa no buffet é necessária a assinatura do contrato. E não se deve confundir contrato com orçamento. "Quando o cliente vem conhecer o buffet, fornecemos um cardápio, com toda a relação de serviços da casa. Já o contrato é feito no fechamento da festa, e é em cima dele que é montada a festa do cliente. Ele é a base de tudo", explica Miriam Dias de Oliveira, proprietária do Magia e Cia.

No contrato, completa Miriam, são colocados os itens escolhidos pelos pais. Ele é preenchido no computador e impresso em duas vias: uma fica para o buffet e outra com o cliente. "Peço para o cliente ler todo o contrato. Eu assino uma via para ele, e ele uma para mim. É importante ter no papel o compromisso assumido, com as especificações do que será servido e todos os detalhes, para evitar problemas no dia da festa", atesta.

O contrato serve também como um guia para a mãe do que haverá na festa. "Muitas vêm para fechar a próxima festa com o contrato anterior e querem tudo igual", conta.

Excedentes

O contrato de um buffet prevê também o número de convidados que será servido na festa. No Era uma Vez um Gato Xadrez, o contrato firma que o buffet garante o serviço de 20% acima do número de convidados fechado. "Se os pais fecham uma festa para 80 pessoas, eu garanto alimentação para 100", afirma Dora Bittencourt, proprietária.

Por outro lado, se o cliente pretende aumentar demais o número de convidados, deverá arcar com esse custo. "Coloco no contrato que é obrigação da contratante pagar até 10 dias antes da festa o excedente, em caso de aumento excessivo do número de convidados", explica. Dora cita o exemplo de uma festa contratada para 80 pessoas. Dias antes da festa, os pais avisam que terão 140 convidados. "Alugo talheres, cadeiras e arrumo toda a alimentação para 160 pessoas e preciso receber por isso", diz.

Portanto, o contrato serve para segurança dos pais e do próprio buffet. "Muitas mães falam que não é preciso um contrato. Mas ele é de suma importância. Nele está a data e horário da festa, a mesa escolhida e a empresa que fornecerá a decoração e os valores já pagos. Anexo ao contrato o orçamento, com a escolha do cardápio que será servido", complementa. Dora colocou uma cláusula no contrato do Gato Xadrez onde o buffet se exime de responsabilidade em caso de falta de energia, tempestade ou alagamento que impeçam a realização da festa. Por outro lado, em caso de cancelamento da festa por parte do cliente, o buffet devolve o valor já pago. "Já tive casos em que a mãe precisou adiar a festa. Cedi outra data para ela, mesmo ficando com a anterior em aberto", conta.

Prioridade

Para Kiko Oliveira, sócio de Thiago Sanchez no Curumim Animações e Eventos, é preciso sempre dar prioridade ao cliente. Se os pais fecharam um contrato mas precisam cancelar a festa porque a criança ficou doente ou houve algum imprevisto, Kiko afirma que tudo pode ser negociado, como uma nova data, por exemplo. "É preciso fidelizar o cliente", afirma.

Kiko lembra que no início do Curumim, há sete anos, ele não assinava um contrato com os pais. Com o crescimento da empresa e o aumento do número de festas - só em junho a equipe de 130 monitores fez 270 festas -, tornou-se praticamente obrigatório o fornecimento de um contrato. O Curumim trabalha com um sinal de 20% para reservar a data. O restante é pago no dia da festa ou parcelado. "O contrato é uma segurança para o cliente de que iremos na festa no dia e horário estipulados, e também dos valores já pagos e do restante", comenta Kiko.

Por escrito

Os pais são os maiores favorecidos com a realização de um contrato. Segundo Marco Antonio Gonçales Zanqueta, o Marco Mágico, os pais não correrão nenhum risco se fizerem um contrato. "Maus profissionais não fazem contrato", acredita. Porém, Marco percebe que muitos pais ainda não estão acostumados a esse procedimento. "Eles acham que não é necessário. Muitos dizem que já me conhecem", comenta.

Mesmo com a resistência dos pais, o mágico afirma que é muito diferente registrar o que foi acertado em um documento do que apenas falar por telefone. Num contrato estarão especificados horário e local da festa, tempo de duração do show, os animais que participarão do evento e os brindes que o aniversariante ganhará. Marco ainda coloca que fará no show um humor inteligente, não expondo nenhum convidado ao ridículo. "A mãe está abrindo as portas da sua festa a um prestador de serviço. Ela compra um produto muitas vezes sem conhecer, no escuro. O contrato assegura o que estará acontecendo no dia da festa", completa.

Cancelamentos


Na opinião de Fábio Stevanovich, do Circo Tradição, que trabalha há 13 anos com cães adestrados os cancelamentos prejudicam a empresa. "Deixamos de marcar aquela data para outro cliente", diz. Justamente por isso, Fábio elaborou um contrato, com uma cláusula estipulando que, se o cliente cancelar o show, perde o sinal de 30% pago para reservar a data. Por outro lado, se Fábio não cumprir o show, ele se compromete a devolver o sinal ao cliente.

Fábio acredita que o contrato também é uma garantia para os pais, pois ele traz detalhes do show, como tempo de duração, quais cachorros irão participar e o brinde que será dado para o aniversariante.

"Um show de cachorros é insubstituível e a criança fica aguardando com ansiedade. Os pais também costumam ficar inseguros, e telefonam para perguntar se eu não vou esquecer da sua festa. O contrato é a garantia", finaliza.


Detalhes

Sem surpresas. As irmãs Luana e Mariana de Antonio Montes, sócias do recém-inaugurado buffet Magic Forest, nos Jardins, entendem que uma festa deve transcorrer sem alterações. Justamente para garantir tranquilidade para o buffet e o cliente, tudo é detalhado num contrato. Luana e Mariana já foram proprietárias de um buffet durante sete anos em Brasília, onde utilizavam o mesmo modelo de contrato, desenvolvido para as duas por um advogado. "Há um campo de observações que é preenchido no computador, onde especificamos desde as cores escolhidas para os balões até o fornecedor e o tema da mesa", comenta Luana.

As condições do contrato definem também as multas a serem pagas em caso de rescisão por parte do cliente. Porém, apesar das cláusulas minuciosas do contrato, é preciso ter "jogo de cintura" no caso de imprevistos. "Já tivemos um caso em Brasília de morte na família 20 dias antes da festa. Devolvemos o sinal integral e no ano seguinte a mesma mãe nos procurou para fazer a festa. Quando se trata de festa, cada caso é um caso", sentencia.


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