MATÉRIA REVISTA Nº20

Fachadas cinematográficas

Com a certeza de que a primeira impressão é a que fica, os pais estão solicitando cada vez mais decorações cinematográficas para as fachadas dos buffets. Os decoradores não medem esforços para realizar os sonhos mais extravagantes, com peças confeccionadas em madeira, fibra de vidro ou enormes esculturas de balões que dão ao buffet a "cara" que o cliente deseja. Para cada festa, a fachada do buffet se transforma. De acordo com o tema do aniversário, a entrada pode virar o fundo do mar, um jardim multicolorido ou até uma praia.
Andréa Chinaglia Bizutti, dos buffets Mega Party, inaugurando a quarta unidade no Alto de Pinheiros, acompanha há cinco anos a evolução desse tipo de decoração. "No início, trabalhava-se mais com arcos, túneis e o nome do aniversariante em balões. Depois, passou-se a tematizar o buffet, usando grandes esculturas. O mercado evoluiu para cenários de entrada, com o uso de outros materiais, como madeira e fibra de vidro", comenta. Andréa lembra que feixes de raio laser, "chuva" de flocos de neve ou de bola de sabão e a iluminação da fachada em vários tons complementam a decoração. "Cada vez mais os pais buscam um diferencial", diz. Na sua opinião, personalizar a fachada combina com aniversários de todas as idades, tanto de meninos como de meninas. Ela lembra de uma festa que teve a réplica de uma Ferrari construída em balão na entrada do buffet. O aniversariante, um garoto fã da marca, adorou. Para as meninas, cenários de princesas, com direito a castelo e carruagem, estão entre os mais solicitados.
Mas, superproduções não acontecem todos os dias. Andréa afirma que cada unidade do Mega Party realiza por mês duas a três festas com fachadas mais elaboradas. Em uma delas, na unidade Jardins, a decoradora Guacirema Simões, da Guacirema Balões, criou um cenário alegre para uma festa com o tema "Fazendinha". Árvores carregadas de frutas, arcos com cenouras e muitas flores - tudo em balão - davam colorido à entrada do buffet. "Há temas que permitem criar muito, como o Fundo do Mar", conta. Guacirema também se recorda quando só fazia arcos para as fachadas, acompanhando as cores do tema. Atualmente, pelo menos uma vez por mês ela prepara uma grande decoração de fachada. "São fachadas que funcionam como um cartão de visitas para o buffet. O trânsito na rua pára, as pessoas pedem até para fotografar", comenta.

Criatividade

Para a decoradora Andréa Guimarães, a decoração da fachada funciona como uma apresentação do tema da festa. "De cara, o convidado sabe que está entrando num mundo encantado" explica. Há quatro anos trabalhando com decoração de festas, Andréa lembra do tempo em que as fachadas eram mais simples. "Usávamos apenas árvores e arcos. Há dois anos passamos para as megaestruturas, que se transformam em verdadeiros portais", revela, explicando que usa um caminhão só para transportar a fachada e de seis a 10 pessoas para montá-la. Quando o serviço precisa ser feito no segundo horário do buffet, com um intervalo de apenas 1h30 entre uma festa e outra, é necessário uma grande equipe para dar conta da montagem.
Os temas mais utilizados para transformar a entrada são "Jurassic Park", "Tarzan" (há até música com sons da selva) e a "Casa do Mickey". Mas, qualquer tema pode servir de inspiração para a decoração. "Trabalho com a criatividade. Meu objetivo é realizar o sonho dos pais. Uma decoração nunca é igual à outra, mas tudo depende de quanto se pretende gastar", diz.
No aniversário de quatro anos de Lucas, filho da apresentadora Luciana Gimenez, por exemplo, Andréa deu asas à imaginação. Para o tema "Super-Heróis", utilizou na fachada um Batman gigante, uma estrutura de madeira com mais de quatro metros de altura. Os olhos estavam iluminados e os convidados passavam por dentro da boca do Batman para entrar no buffet, o Planeta Alpha, em Alphaville. Segundo Carlos Alberto Marini, sócio do buffet com Eduardo Paschoalin, a montagem da fachada é fundamental para "criar um clima" para os convidados. "A pessoa entra na festa querendo saber o que a espera lá dentro", ressalta, explicando que o buffet tem uma fachada clean, que facilita a tematização. "Pelo menos uma vez por semana temos uma festa onde a fachada recebe uma grande decoração," garante.

Inesquecível

Trabalhar com balões é um dos artifícios mais utilizados para modificar as fachadas dos buffets. Eduardo Yoshikawa, da Puma Balões, acredita que balão lembra festa e tem textura e cores apropriadas para o trabalho de decoração. "Além disso, com balões pode-se criar formas enormes, que param a rua. É um trabalho não só para os convidados mas para a cidade. Com uma fachada diferenciada, a festa será lembrada no dia seguinte", sustenta.
Eduardo frisa que a decoração com balões não permite uma resolução muito boa das figuras. "Muitas vezes temos de estilizar um personagem", diz. Para uma festa com o tema "Mickey, Aprendiz de Feiticeiro", o decorador utilizou na fachada o contorno do personagem, por onde os convidados entravam. "Obtive muito mais efeito do que se fizesse um Mickey gigante, argumenta". Eduardo explica que outros elementos podem interagir com a decoração, completando-a, como personagens recepcionando os convidados e iluminação. "À noite é imprescindível o uso de iluminação com movimento. De longe já se percebe que algo está acontecendo naquele local", ensina.
Numa recente festa no Billy Willy com o tema "China", dois praticantes de tai-chi-chuan recebiam os convidados. Para Eduardo foi uma das festas mais inesquecíveis. Ele reproduziu com balões os três principais temas da China: a muralha, o dragão (com cerca de três metros de comprimento) e a cidade proibida. "Utilizei três caminhões para transportar as peças previamente montadas e 17 pessoas para montar a fachada em duas horas, já que a festa aconteceu no segundo horário do buffet", lembra.
Eduardo recorda que, no final, ficou mais de uma hora na frente do buffet, olhando emocionado o resultado da decoração. "Realizamos um sonho para o cliente e também para a equipe que se dedicou ao trabalho, confessa". Taís Lopes da Silva Caldeira, a mãe da aniversariante, ficou satisfeita com o resultado e elogia o trabalho de Eduardo. "Ele pesquisou exaustivamente o tema" , assegura. Taís está acostumada a produzir festas com temas inusitados para o aniversário das filhas (Priscilla, de 14 anos, e Talitha, de 10). Já escolheu temas como "Rei Arthur", "Grécia" e "Egito", sempre decorando as fachadas. "Fiz durante cinco anos seguidos festas no Billy Willy. Com a decoração da fachada, a cada ano ele se transformou em outro buffet. O convidado que chega numa festa dessas não se esquece nunca mais. Ele se envolve com o tema já na entrada", explica.

Efeitos e som

Na Vivo Desejo o material mais utilizado para decoração de fachadas é a fibra de vidro. Grandes personagens em fibra são associados a plantas naturais, efeitos especiais e sonorização. Se o tema for "Fundo do Mar", a fachada recebe bolhas de sabão. Se for "Power Rangers" ou "Yu Gi Oh!", é utilizado efeito de fumaça. Os temas musicais dos filmes sonorizam todas as entradas. "Durante a festa a fachada fica impecável, recebendo até os convidados retardatários", explica Ivani Neublum, proprietária da Vivo Desejo, completando que as montagens de grandes fachadas sempre são acompanhadas por um dos proprietários da empresa, garantindo um atendimento especial ao cliente.
Entre as fachadas mais procuradas, estão a do "Ursinho Pooh", "Peter Pan", "Rock" e "Lilo & Stitch" (é recriada uma praia de verdade na entrada do buffet, com muita areia, esteiras, palmeiras naturais, cadeiras de praia, guarda-sol e prancha de surf ). "A fachada é composta de itens avulsos. Os pais podem optar ou não por todos", comenta Ivani. Uma das opções é incluir um personagem (no caso da festa da "Lilo & Stitch", por exemplo, uma dançarina havaiana recepciona os convidados colocando um colar típico em cada um).

Toque artesanal

Os artistas plásticos Viviani Queiroz e Alberto de Carvalho, da Tom da Cor, trabalham com decoração de festas há quase dois anos e começaram a desenvolver fachadas especiais a pedido dos clientes. "A partir do tema escolhido desenhamos um projeto", explica Viviani, que pede de 20 a 30 dias para criação e desenvolvimento.
O ponto forte do trabalho da dupla é o toque artesanal, com muita madeira pintada à mão. Tudo é criado por eles: Alberto corta as peças de madeira e os dois pintam. "Fazemos uma estrutura de ferro para sustentar as partes feitas de madeira. É um trabalho de muita responsabilidade, já que a decoração deve resistir à chuva e ao sol", conta Alberto. Os dois comentam que mantém a decoração montada mesmo em caso de chuva. "Sabemos que a pintura e a madeira utilizadas resistem ao tempo", frisam.
Para o tema "Princesas", Viviani e Alberto montaram na fachada do Splash Blue um romântico castelo. Vasos de flores acompanhavam a passadeira por onde entravam os convidados. Na saída da festa, cada um levava um vaso como lembrancinha.
A idéia é que a fachada complemente a decoração interior. O canto das lembrancinhas, por exemplo, geralmente é montado logo na recepção do buffet e também remete ao tema. Para as "Princesas", a dupla usou a Cinderela, um banquinho e um carrinho de jardim para colocar as lembrancinhas. Já no tema "Circo", cubos coloridos e palhaços recebem as lembranças. Na fachada do "Circo", passadeira vermelha, uma enorme girafa e cortinas de veludo avisam aos convidados que a festa vai começar. "A idéia é criar uma superprodução", finalizam.

Festas especiais

Decorar a fachada é uma oportunidade para avisar aos convidados que eles são pessoas especiais, prestes a entrar num mundo de fantasia. "É um evento esperado por todos da família. Ao encomendar uma decoração para a fachada, os pais não estão apenas abrindo a porta do buffet para os convidados, mas anunciando que eles são esperados. A festa não irá cair na rotina da maior parte das festas", opina Dante Longhi, sócio de Caio Prado na Balloon Delivery, especializada em decoração com balões.

Uma das fachadas marcantes feitas pela empresa foi a do "Max Steel", no buffet Peekaboo. "Criamos uma verdadeira fortaleza de balões, com um boneco na janela e outro descendo por uma corda", explica. Dante comenta que 90% do trabalho seguem prontos para o buffet, como a estrutura de alumínio de algumas peças. "Às vezes, temos apenas uma hora entre uma festa e outra para montar uma fachada. O pessoal fica trabalhando dentro do caminhão, antes mesmo de a primeira festa acabar." Dificilmente uma grande festa tem só a fachada decorada. O decorador explica que outros itens complementam o trabalho, como túneis que servem para indicar o caminho aos convidados, balões com gás no teto e arranjos nas mesas.

Sob medida

A artista plástica Mariza Quintana está apostando nas entradas sob medida, atendendo a pedidos de clientes. "Existem as superfachadas, que mudam completamente a aparência do buffet. Mesmo para quem não quer investir muito é possível fazer uma entrada bonita", orienta. Ela produz mesas infantis e vem percebendo um aumento na procura por decoração de fachadas. Megaentradas, explica Mariza, necessitam de muito espaço para serem guardadas.Estruturas menores, na opinião da decoradora, também remetem ao tema da festa e avisam os convidados o que irão encontrar no interior do buffet. Para o tema "Nemo", numa recente festa no buffet Magic Place, Mariza pintou displays de madeira com os personagens do filme, de 2m00 de altura por 1m 60 de largura. No chão, um tecido imitava o mar e árvores artificiais pareciam plantas aquáticas. Em outra festa, com o tema "Lilo & Stitch", foi pedido a Mariza que não utilizasse displays de madeira. Ela criou um túnel para a entrada dos convidados com esteira no chão, tochas e vasos com plantas.

Mundo de sonho

A decoradora de festas infantis Chiara Marcelli vê a decoração de fachadas como uma evolução do seu trabalho. "As mães não se satisfazem mais só com uma bela mesa, e querem também mesa de balas, o canto das lembranças e a fachada decorada", enumera.
Chiara vem desenvolvendo fachadas que possam se encaixar em diversos temas. Um exemplo é o "Castelo das Princesas", construído em madeira e revestido de um material que imita mármore, e que é colocado na entrada do buffet. Uma espécie de sacada no topo do castelo recebe um personagem de pelúcia, de acordo com o tema da festa. Como o castelo não tem detalhes cor-de-rosa, pode ser usado também em temas neutros, como "Mickey e Minnie" e "Ursinho Pooh", que servem tanto para aniversários de menina como de menino.
O objetivo de Chiara é criar um mundo de sonho para as crianças e para os pais. "Parece que o convidado está realmente entrando num castelo", diz. Segundo Chiara, poder oferecer uma festa para os filhos é uma realização para os pais. "A geração anterior não viveu uma época com tantos detalhes especializados em festas infantis", lembra.

Cenário completo

Para Dóris Ferraz, do buffet em domicílio Xic Balloon, decorar a entrada das festas, seja em residências ou em buffets, é uma tradição. "Decorar a entrada é padrão mesmo porque utilizo painéis e cenários que nem sempre cabem dentro do salão", comenta. Ou seja, a fachada faz parte de um cenário completo.
Foi o que ocorreu numa festa com o tema "Fundo do Mar", no buffet Comics. A fachada recebeu três painéis pintados com sereias e peixes arrematados por arcos de balões, e mais peixes flutuantes, o nome da aniversariante e uma escultura de polvo gigante feitos em balão. Para entrar no buffet os convidados passavam pelos enormes tentáculos do polvo. O grande destaque, porém, foi um tubarão com quatro metros. A boca abre e fecha e solta bolhas de sabão. Sobre ele ficaram as lembrancinhas (potes de acrílico decorados no tema e cheios de jogos infantis). "Foi inusitado, porque colocamos o tubarão praticamente na calçada", lembra Dóris.

 

Detalhes que viabilizam a fachada

Para obter um bom resultado, é preciso avaliar as condições da fachada que receberá a decoração.Uma decoração completa deve contemplar todo o espaço interno da festa - como o cantinho dos presentes, o das lembrancinhas, a mesa principal - sem esquecer a parte externa. "Decorar a fachada do buffet ou do salão permite que o cliente personalize o espaço para a festa", pondera a decoradora Cássia Guimarães, proprietária da Viva Festa, que trabalha com fachadas associando balões, peças de madeira e fibra de vidro.
Há fachadas, segundo Cássia, que permitem receber mais elementos. Em outras, há menos espaço disponível. Porém, sempre é possível atender aos desejos do cliente. Um exemplo é o tema "Toy Story", que pode ser usado em qualquer fachada. Cássia salienta que o decorador precisa avaliar a entrada, verificando se há pontos de fixação para a decoração, pois ela é um elemento provisório que não pode danificar a fachada. Muitas vezes, precisamos construir pontos de fixação, como colunas de ferro, ou fazer uso de cabos de aço estirados e fixados em pontos mais distantes", explica.
É importante também contar com pontos de iluminação e, principalmente, conhecer o objetivo dos pais em relação à fachada e o orçamento disponível. "Em razão do custo, há mães que privilegiam a decoração interior em relação à exterior. Não adianta a festa ter uma fachada deslumbrante e esse capricho não continuar dentro do salão. Afinal, é lá que a festa acontece", esclarece.

 

A força do Interior

São Paulo é a capital dos buffets infantis. Ruas e bairros ficam famosos por causa dos buffets e são inúmeras as opções para os pais que procuram um local especial para comemorar o aniversário dos filhos. Mas, as "grandes festas" ultrapassaram as fronteiras da cidade e invadiram o interior e o litoral. A cada dia surgem nessas cidades buffets como os de São Paulo e com uma vantagem que está conquistando os clientes: sossego e tranqüilidade.
Inaugurado em outubro do ano passado, o Imagination é um dos mais novos endereços de Ribeirão Preto. Iza Junqueira Franco, a proprietária, freqüentou muitos buffets infantis em São Paulo e sentia que a cidade precisaria ter um que não fosse "adaptado". Comprou um terreno próximo ao Ribeirão Shopping e, "dois anos depois, com cerca de um milhão de reais, construi um buffet do jeito que queria".
A fachada foi um trabalho do Grupo 3, empresa de arquitetura de São Paulo, e a criação do espaço interno ficou a cargo da Carpe Diem, também da Capital. Nos 700 metros quadrados de área instalou lanchonete, discoteca, brinquedão com três andares, camarim com fantasias, miniquadra de futebol, cama elástica, carrossel com barco vicking, parede de escalada, minipista de carrinhos, casinha de bonecas e sala dos pais.
Com formação em hotelaria e turismo, Iza tem-se preocupado com a qualidade do serviço. "Adulto não vai a festas de criança para brincar, mas para comer e conversar", exemplifica. Ela tem notado que os clientes procuram festas nos finais de semana. "Muitas mães são de Ribeirão, mas casam e mudam para São Paulo. A família e os amigos de infância ficam no interior e elas querem manter esses laços de amizade. Por isso comemoram em Ribeirão", conta. Apesar do bom poder aquisitivo dos moradores da cidade, Iza diz que o público não está acostumado a gastar muito em festas. "Aqui, não se paga preços altos", completa.
Tânia Silvia Pedro Nogueira, sócia com a filha Luciana Roxo da Fonseca no Luli Bandi, em Ribeirão Preto, atesta isso. O buffet tem como clientes pessoas que moram em São Paulo e família em Ribeirão. Isso sem falar em clientes de cidades próximas, como São Joaquim da Barra, Sertãozinho e Cravinhos.
Quando a casa foi inaugurada, há quatro anos, existiam apenas dois concorrentes na cidade. "Hoje, Ribeirão tem mais de 20 buffets", afirma Tânia, que se considera responsável por uma mudança de comportamento na cidade. "Os pais perceberam que fazer uma festa infantil em buffet, além da praticidade, não é mais caro do que em casa", afirma com segurança.
Considerada a terra do chopp, o público de Ribeirão exige uma cerveja bem gelada e muita qualidade na comida. Segundo as proprietárias, os clientes querem comer e beber bem, em sala com ar-condicionado e TV a cabo, enquanto os filhos se divertem em atrações como salinha cultural (com lousa, jogos e livrinhos), parede de escalada triangular, sala de games e discoteca.

Boom em Campinas

Campinas é outra grande cidade do interior paulista que está vivendo um boom de buffets infantis. Só no ano passado foram inaugurados três de bom nível: Happy Hunters, Fuá e Zupa Upa. "Quando montamos o Happy Hunters não tomei como base os que já existiam em Campinas, pois todos eram casas adaptadas. Não queríamos ser mais um. Depois do Happy Hunters surgiram mais dois grandes, o que é muito bom para a cidade", afirma Maria Silvia Garcia Salgado, sócia com o marido, Benvindo Fausto Salgado Junior, que inauguraram o buffet em fevereiro de 2003 no bairro Cambuí.
O Happy Hunters costuma atender clientes que moram em Campinas ou regiões próximas, como Itatiba. Muitos trabalham em São Paulo e procuram festas de qualidade, com visual "caprichado" e bom atendimento. É comum os pais contratarem atrações de São Paulo, como show de cachorros adestrados, mágico, caricaturista, personagens e até mesmo a decoração. Sentindo essa carência, o buffet passou a oferecer a decoração com os personagens do Happy Hunters. "De acordo com os pedidos, solicitamos para os decoradores de Campinas que desenvolvessem mesas-cenário. Assim, acabamos ajudando a impulsionar o mercado de decoração da cidade", lembra Silvia, que tem o cuidado de utilizar uma recepcionista bilíngüe, já que faz muitas festas para crianças da Escola Americana. Os monitores atendem as crianças e também se encarregam das brincadeiras. O buffet, que tem 1.300 metros quadrados e cozinha industrial própria, tem feito mais de 30 festas por mês. "Ainda não atingimos a meta, mas já temos festas marcadas até para outubro deste ano", comemora.
O Fuá abriu suas portas em Campinas três meses depois, em maio. As proprietárias, Cristiane Campagnone Rodrigues e a mãe, Terezinha Campagnone Rodrigues, decidiram-se pela avenida José Bonifácio, que já abrigava outros buffets. Cristiane, que é arquiteta, sentiu na pele a necessidade de Campinas ter bons buffets. "Procurava um local para fazer o aniversário de um ano de meu filho e não achei nada interessante", conta. Assim nasceu o Fuá, que tem fachada da empresa Carpe Diem. "O surgimento de três buffets em um ano está forçando as casas mais antigas a investirem", comenta Cristiane.
O sucesso foi rápido: no primeiro mês a casa realizou 30 festas e chegou a 50 festas logo depois. Segundo Cristiane, a oferta de serviços na cidade para festas infantis, como lembrancinhas, doces decorados e decoração com balões, ainda é pequena. Ela acha que ainda há preconceito dos moradores, que relutam em optar por "coisas locais". "Nasci aqui e sei que muitas vezes o campineiro prefere pagar mais caro em São Paulo do que comprar algo na cidade", afirma.
Seguindo a mesma linha, Amanda Ferigolli e sua prima Carla Cavazotto escolheram Campinas para montar o Zupa Upa, inaugurado em novembro, porque sabiam da carência da cidade em buffets de grande porte. Amanda já trabalhava com decoração de festas em São Paulo e Carla é de Campinas. O buffet fica em Alphaville Campinas, um condomínio com cinco mil casas, e atende um público exigente. "As mães querem salgados diferentes, como folhados e quiches. No início cheguei a trazer coisas de São Paulo. Mas, depois de uma grande pesquisa, consegui bons fornecedores locais", lembra Amanda.
A grande atração do Zupa Upa, um salão com capacidade para 200 pessoas, são as duas pistas de boliche oficiais. Como o buffet tem um pé direito alto, a dupla planeja instalar a curto prazo um elevador. "Atraímos principalmente os pais que ficam entediados em buffets infantis", completa.

Superestrutura

Na mesma região geográfica, há um ano e meio chegou a Valinhos o Hula Hoop, um buffet com estrutura comparável aos grandes de São Paulo: mil metros quadrados de área construída, com space jump, elevador Discovery, parede de escalada, preparados para festas com até 300 pessoas. Isso sem falar na monitoria especializada. "Eles não são só operadores de máquinas, mas animam a festa, inclusive os adultos", conta Danielle Janiake, a proprietária.
Além dos clientes da cidade, o Hula Hoop tem feito festas para moradores de Vinhedo, Souzas, São Conrado e Campinas, que está a apenas 12 quilômetros. "Oferecemos preço de Campinas com qualidade de São Paulo", garante Danielle.
O local foi escolhido por ter muitos condomínios residenciais e uma alta taxa de migração de paulistanos. "É uma região com boa estrutura, próxima a estradas e bons colégios, como o Porto Seguro", diz. Para esse público exigente, Danielle preparou uma cozinha industrial, que foi adotada como padrão de higiene pela Vigilância Sanitária de Valinhos. "Não podemos falhar ", finaliza.

Botucatu

Em outra direção, mas ainda no Interior de São Paulo, chega-se a Botucatu, com 120 mil habitantes. A cidade tem seis buffets, dos quais dois infantis. Um deles é o Bala Balão, inaugurado há três anos. Quem cuida da cozinha é Eliane – tudo é feito lá – que tem como sócio o marido, Mauricio Meneghin, que se encarrega das vendas e da administração. O casal aposta no bom atendimento. "Esse é o diferencial. Sei o nome dos clientes e das crianças, sabemos quais as preferências de cada família e fazemos tudo personalizado", conta Maurício. Ele acredita que os buffets da capital dão muita importância para a estrutura. "No interior, a estrutura não é o mais importante. Em Botucatu , só fazemos uma festa por dia, porque as famílias gostam de ficar conversando e ninguém é colocado para fora", diz.
Maurício considera que os grandes concorrentes são as festas em sítios, chácaras ou casas grandes. Para cativar o cliente, oferece uma equipe de recreação que faz maquiagem, esculturas de bexiga e brincadeiras, e 45 temas de decoração. A atualização precisa ser constante. "Funcionamos para o mesmo público todo ano. Quem fez festa de quinta a domingo em 2.003 já reservou as mesmas datas para 2.004. Tanto que não temos mais nenhum sábado livre até junho", comemora.

Araraquara

Quando visitou buffets infantis em Araraquara pensando em fazer o aniversário do neto, Maria do Carmo Guirelli Castanharo achou os locais apertados, embora todos lotados. "Hoje, nem no Interior se faz festa em casa. Ir atrás da alimentação, dos brinquedos e do serviço é muito complicado", pondera.
Foi assim que Maria do Carmo construiu o Rapalunga, com área de 400 metros quadrados. O terreno de 1.100 metros quadrados tem uma boa área verde, onde ela pretende colocar mais brinquedos. O pé direito do salão, de seis metros, permite instalar um elevador. Maria do Carmo visitou buffets em Campinas, Valinhos e São Paulo para conhecer o mercado. "Contava que tinha planos de montar um buffet em Araraquara e todos me estimularam", lembra. Ela não se arrependeu. Inaugurado em dezembro, em um mês de funcionamento, e praticamente sem divulgação, foram realizadas 11 festas.

Na parte de alimentação tudo é feito na cozinha industrial do buffet. Maria do Carmo faz questão de se preocupar com pequenos detalhes, como a apresentação do cachorro-quente. "Colocamos o pão de pé na bandeja, cortamos o topo e recheamos com salsicha, purê de batatas, molho de tomate natural e finalizamos com batata palha. Não há riscos de derrubar a salsicha do sanduíche", orgulha-se.

No Vale

No outro extremo, no Vale do Paraíba, um buffet com cozinha própria e concebido especialmente para ser um local de festas, está se destacando. É o Celebration, inaugurado há pouco mais de um ano em São José dos Campos. O investimento é do grupo Show Play, que se dedica ao segmento de entretenimento, como áreas de lazer em shoppings e parques de diversão. O Celebration é a primeira casa de uma série que a empresa pretende abrir no interior paulista.
Além do público infantil, o buffet está preparado para festas de adultos e de 15 anos. A grande procura, especialmente para festas de debutantes, vem surpreendendo. Como está localizado numa avenida comercial, com muitos restaurantes e bares, é possível estender o horário de funcionamento das festas. O salão é plano, com cerca de 400 metros quadrados, e tem parede de escalada, cama elástica, máquina de dança, games, kiddie play, sala dos pais. Tem também um laboroscópio, uma área composta por equipamentos científicos, como bicicleta que gera energia, espelhos que dão ilusão de ótica e bola de plasma, para as crianças aprenderem, de forma divertida, um pouco de Química, Física e Biologia.

Sorocaba

Bem próximo a São Paulo, na cidade de Sorocaba, está o Happy Kids, cujo ponto forte é a originalidade dos brinquedos. A proprietária, Geisa Deltrezzia, percebeu a carência da cidade em relação a bons locais para realizar festas infantis e há um ano inaugurou a casa. Localizado próximo às melhores escolas da cidade – como Objetivo, Universitário, Ângulo e OSE -, o Happy Kids cativou clientes que procuram festas completas. "Muitos encomendam a decoração com empresas de São Paulo, pois são exigentes", comenta Geisa.
Até clientes de São Paulo com família em Sorocaba já escolheram o buffet para aniversários. "É mais prático do que fazer os convidados de Sorocaba se deslocarem para um buffet em São Paulo", diz. Para atrair e manter a clientela, Geisa procurou inovar nas atrações. Além do tradicional kiddie play e do "Tornado", o buffet conta com uma pista de carrinhos (kart) movidos a pedal, um aquário cenográfico e um caminhão gigante interativo. "As crianças andam dentro do aquário. Com a luz negra, há a impressão de se estar dentro da água. Já o projeto do caminhão veio do Canadá. Ele tem o formato de um monster truck, aqueles veículos enormes usados em competições. As crianças brincam dentro dele e os meninos, principalmente, adoram", conta a proprietária.
O sucesso motivou Geisa a ampliar o buffet. Em breve ela estará inaugurando uma arena de laser shot, onde crianças a partir de seis anos brincam com pistolas a laser. A inauguração da arena, que fica na parte de baixo do buffet, permitirá a realização de duas festas ao mesmo tempo, uma infantil e outra para o público pré-adolescente.

Na praia

E não são só as cidades do Interior que estão partindo para esse segmento. As do litoral também. Santos está respirando novos ares no segmento de festas infantis. Em maio, o La Fiesta completa dois anos. Segundo o proprietário, Marcelo Guedes Pezzoni, foi o primeiro buffet da cidade a oferecer variedade de brinquedos, como barco vicking, carrossel, cama elástica, roda gigante, parede de escalada e simuladores. A empresa é familiar, conduzida por Marcelo, os pais, Dóris e Edmundo Pezzoni, e a esposa Cristiane Camargo. Como gerente, Fátima Luís Gonçalves.
De acordo com Marcelo, Santos não tinha buffets voltados apenas para o público infantil. "O La Fiesta é uma opção inclusive para quem mora em São Paulo e tem apartamento no litoral. Uma boa festa aqui custa menos da metade de uma do mesmo nível na capital", afirma. Com capacidade para 300 pessoas, o buffet faz muitas festas para 150 a 200 convidados, daí o cuidado com o serviço. "Os monitores têm, em média, 20 anos e as garçonetes não são muito jovens, pois achamos que senhoras são mais atenciosas", conta Marcelo.
A casa mais nova de Santos é o Ilha do Tesouro, inaugurada no final do ano passado na Ponta da Praia. Mylene Lemos Miceli, sócia de Adriano Amador Cruz na empreitada, sempre morou em Santos, mas trabalhou 18 anos em São Paulo. "Passei a freqüentar buffets infantis em São Paulo para levar meus filhos de um ano e meio e três anos. Sentia-me como num parque, realizando um sonho com as crianças. Quando chegava em Santos, não encontrava o mesmo nível", recorda. Mylene notou que outras pessoas também queriam lugares maiores e especiais para comemorar o aniversário dos filhos. "Tentei evitar aqui as deficiências que via em outros buffets, como inexistência de ar-condicionado, de piso emborrachado para as crianças não escorregarem e de degraus", explica, ao lembrar que optou também por uma cozinha própria e por uma reforçada equipe de monitores (no mínimo, sete por festa).
O buffet, com 300 metros quadrados, tem barco vicking, brinquedão com quase cinco metros de altura, carrossel, parede de escalada e um minisalão de beleza.

Festa no shopping

Atrações de parques de diversões com conforto de shopping center. Assim são as festas de aniversário nos grandes parques instalados em alguns shoppings da Cidade. Brinquedos de última geração fazem a alegria de crianças de todas as idades, enquanto os adultos relaxam num espaço mais tranquilo.
No parque O Mundo da Xuxa, o aniversariante e convidados são transportados para um universo de fadas e duendes, onde, é claro, a rainha é a apresentadora Xuxa. Inaugurado em julho do ano passado no Shopping SP Market, o parque reservou um espaço especial para os aniversários: salão climatizado em formato de bolo, (com tratamento acústico), som ambiente e banheiros. Pode ter até quatro festas ao mesmo tempo. Os adultos relaxam enquanto as crianças brincam com segurança, pois são identificadas como convidadas do aniversário por uma pulseirinha entregue na recepção.
Os pais podem reservar desde "pacotes" mais simples, com duas horas de duração, para 15 pessoas, durante a semana, incluindo passaporte para o parque e lanche do McDonald’s, até cardápios mais completos, com salgados e pratos quentes. A decoração do salão é neutra, com nuvens pintadas nas paredes e há diversos temas à escolha do aniversariante. Como lembrancinhas, uma opção é a linha de produtos licenciados da Xuxa, que são entregues embalados para os convidados. "Fazemos a festa dentro do que os pais procuram", ressalta Maria Eugênia Srur, diretora de Marketing do parque, explicando que há um atendimento diferenciado para o público das festas. "Temos monitores treinados só para festas. Alguns dos diferenciais são o cachorro quente do McDonald’s e os bolos da Doce Mania", conta.
Para garantir a segurança é proibida a saída de crianças desacompanhadas. Da mesma maneira, não é permitida a saída e o retorno de convidados. Há uma enfermaria no local e uma sala para crianças perdidas. "É uma sala toda decorada onde a criança fica brincando. Pela pulseirinha as atendentes sabem que ela é uma convidada de aniversário e informa, por rádio, a localização", explica Maria Eugênia.
Faz parte das atrações a parada dos personagens da Xuxa, um show que é realizado duas vezes por dia. Na "Casa da Xuxinha", pode-se tirar fotos com os personagens preferidos. No "Era uma Vez", as crianças assistem às cenas de uma história contada por um ator que vira as páginas de um enorme livro infantil. Os momentos de maior adrenalina acontecem nos elevadores, na montanha russa (os carrinhos passam por dentro da página de um livro gigante), no "Vale do Sol" (um circuito interativo com pontes de madeira, túneis de cordas, plataformas, labirintos e escorregador tubular) e no "Bosque dos Duendes" (oito barcos em formato de troncos fazem uma viagem emocionante por um circuito de águas). O sistema de som do parque anuncia a hora de fazer uma pausa nas brincadeiras para cantar o parabéns. "O que as crianças querem é ficar no parque", lembra a gerente. Independente do tempo de duração do aniversário, o convidado pode permanecer no parque o dia todo. "Ao receber o convite, ele ganha um dia inteiro de brincadeiras, além da festa", finaliza.

Mônica e cia.

Se o aniversariante é fã dos personagens de Maurício de Souza, comemorar no Parque da Mônica é uma grande pedida. Instalado há 11 anos no Shopping Eldorado, há sete o parque começou a organizar festas infantis, atendendo a pedidos dos clientes. "Fazer uma festa com a turma da Mônica é uma oportunidade única", acredita Raquel Felício, gerente de Marketing do parque.
Nos 10 mil metros quadrados do parque são realizadas de 100 a 120 festas por mês. O local é destinado para crianças de dois a 11 anos, mas a grande procura é para aniversários entre quatro e oito anos. A criançada aproveita as atrações do parque acompanhada de monitores. Entre os brinquedos estão o "Postinho do Bidu", o "Escorregador de Rolinhos", a "Cidade dos Carrinhos", o "Bate Pneu", o "Carrossel do Horácio" e a "Casa da Mônica". Uma das novidades é o "Engenheiros do Parque": as crianças brincam de construir um prédio com peças de espuma. Segundo Raquel, os convidados vestem coletes coloridos da mesma cor dos monitores, facilitando a identificação das crianças. "Temos uma equipe que cuida só do público de festas. O monitor tem de saber manter o grupo de crianças unido", diz.
As festas obedecem a uma programação, com horário para o teatro, o encontro com a turma da Mônica, o lanche e o parabéns. A peça atualmente em cartaz no teatro é "Era uma vez uma floresta", que relata a extinção dos animais e os cuidados que se deve ter com os animais domésticos. Na história, a Mônica é um "elefante", Cebolinha, o "Rei Leão", Chico Bento vive uma "arara", Cascão é um "macaco" e Magali uma "coala". Há, ainda, o simpático elefante Jotalhão. Na hora do encontro com os personagens, todos vão para a "Casa da Mônica", onde podem tirar fotos com os personagens. Para o lanche, os pais podem optar por um cardápio mais simples (com hambúrguer, por exemplo), ou por pizza, salgadinhos e sanduíches de metro. "Montamos o pacote de acordo com o cliente", explica Raquel. Os temas de decoração de mesa incluídos nos pacotes são da turma da Mônica. Há variações entre os personagens, como mesas voltadas para meninos, a turma baby ou o Chico Bento, por exemplo.
A partir de março, o parque estará organizando as Noites Divertidas: durante um dia da semana (normalmente, às quintas-feiras), funcionará só para festas, das 18 às 22 horas. Nos vários salões disponíveis poderão ser realizadas numa noite até 15 festas ao mesmo tempo. Durante as quatro horas de festa, o parque inteiro ficará à disposição dos convidados, com uma vantagem: praticamente sem filas nos brinquedos, já que o local não será aberto ao público nesse dia.

Parque autêntico

Oferecer uma festa com segurança para as crianças e conforto para os pais é a proposta do Fantasy Place, uma área com 2.500 metros quadrados, no Market Place Shopping Center. Cada convidado recebe um cartão magnético que dá direito a três ou quatro horas nos brinquedos do parque.

O carro-chefe é a montanha russa. "Fomos o primeiro shopping a ter uma montanha russa indoor em São Paulo", garante Marcelo Torres, gerente do Fantasy Place. Só crianças com mais de 1m10 podem enfrentar o sobe e desce da montanha-russa. Para os menores, há muitas opções de diversão. O carrossel veneziano com dois andares (segundo Torres, o único na América Latina) encanta crianças e adultos. "Para os avós, ver o carrossel é uma volta ao passado. É uma cópia fiel dos primeiros carrosséis e comporta, aproximadamente, 80 crianças", informa o gerente.
O Circuito 2.000 é ideal para as crianças que ainda não têm altura para se divertir na montanha russa. Apelidado de minimontanha, as crianças "pilotam" carrinhos e caminhões dos mais diversos estilos. Os pequenos também adoram os kiddie riders, miniaturas de foguete, avião, carro de bombeiro e helicóptero, entre outros. Há, ainda, os carrinhos "bate-bate" (ideais para brincadeiras entre pais e filhos), o "Samba Balloon" (com oito balões que giram), o "Simulador de Cápsula Espacial" (para grupos de até 16 pessoas, inclusive adultos), o Kiddie Play (um brinquedão), e a área de jogos eletrônicos. "Por mais que um buffet tenha sofisticação, nada se iguala a um parque de diversões autêntico", argumenta Torres.
As festas de aniversário podem ser realizadas em qualquer dia da semana. A única limitação é quanto ao horário de funcionamento da montanha russa: durante a semana, só funciona a partir das 16 horas.
Além do cartão magnético, as festas no Fantasy incluem o uso de um espaço para os adultos e dois monitores para auxiliar na recepção dos convidados e explicar o funcionamento dos brinquedos. Há três salões fechados e três abertos, o que permite a realização de até seis festas no mesmo horário. Não há decoração nem alimentação incluída. "Indicamos as lanchonetes do próprio shopping ou a mãe traz a comida que preferir. Muitos pais nem trazem decoração, porque o que as crianças querem mesmo é aproveitar os brinquedos do parque", conclui.

MÃOS DE CERA


No piso térreo do Shopping Market Place a Mãos de Cera acaba de instalar um quiosque para fazer mãozinhas coloridas dos convidados da festa. "É um opcional a mais. Para quem faz festa no Fantasy, damos um desconto especial", informa Marcelo Moretti, um dos sócios.

Cuidado total

Os buffets infantis não se preocupam só com a qualidade dos alimentos servidos, com o atendimento e com a limpeza. Os brinquedos, os espaços destinados às crianças e, principalmente, a monitoria são os pontos-chave para que uma festa seja realizada com sucesso. No buffet Ra-tim Boom, inaugurado há cerca de um ano, o salão de 550 metros quadrados não tem degraus. Essa foi a condição inicial que os sócios Marcelo Vicente e Inês Bertoni impuseram ao montar o buffet. "Tínhamos espaço e pé direito suficientes para fazer a sala dos pais em cima. Mas achamos que degraus não combinam com festa infantil", afirma Marcelo. "Além do visual de encher os olhos, num buffet infantil segurança é imprescindível", completa, ressaltando que mesmo em festas pequenas, para 50 convidados, a casa trabalha com 10 monitores, devido ao grande número de brinquedos.
No buffet há detalhes como a proteção inferior da cama elástica, para evitar que uma criança entre embaixo enquanto outra está pulando. O brinquedão, desenvolvido pela Big Play, tem uma área baby, com piscina de bolinhas e uma mini-escalada, "para não haver risco de as crianças maiores machucarem as pequenas", explica Marcelo.
Para Paulo Prudente, diretor da Big Play, um brinquedão deve oferecer desafios para a criança, porém sem perigo. "Ele atende diversas faixas etárias, de três a 13 anos, preservando a integridade física da criança", comenta. Paulo complementa que, além de economia e comodidade para os pais, uma festa em buffet significa segurança para as crianças. "Ao fazer uma festa num buffet de qualidade, os pais podem ficar tranqüilos que estão comprando também os serviços de empresas que cuidam da segurança do filho", afirma.
Ou seja, bons buffets procuram fornecedores de brinquedos com tradição no mercado e que respeitam as normas exigidas para a construção desses equipamentos. A norma técnica que rege a segurança em brinquedos de playgrounds é a NBR 14.350, publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Itens como altura dos degraus, uso de estruturas acolchoadas, cintos de segurança, ausência de peças onde a criança possa enroscar partes da roupa estão descritos na norma e devem ser seguidos por fabricantes.

Sem brechas

Além de seguir normas, construir um brinquedo seguro deve fazer parte da consciência do fabricante. Essa é a opinião de Roobik Avanessian, proprietário da Roobik Brinquedos & Cia. "Nem todos os brinquedos são iguais. Mesmo um buffet pequeno deve procurar um fabricante idôneo, que faça um brinquedo seguro dentro do orçamento disponível. Há brinquedos de fabricação caseira que têm parafusos pontudos, altura inadequada, entre outros problemas", constata.
Roobik produz brinquedões com até quatro metros de altura. "É uma altura que permite que os pais ainda visualizem a criança. Quando estou desenvolvendo um brinquedo, penso sempre se deixaria minha filha brincar nele", diz. O fabricante frisa que só utiliza materiais com ISO 9002, garantindo assim a qualidade do ferro, da madeira, das conexões, das bolas de plástico e dos outros produtos utilizados na produção.
Mas, mesmo o melhor brinquedo precisa de manutenção e atenção constantes. Segundo Roobik, a cada seis meses o brinquedão precisa ter suas conexões reapertadas. A rede de proteção que fecha o brinquedo também precisa de revisão, já que até a luz dos equipamentos de filmagem podem queimá-la, garante Roobik. Monitores treinados completam o time da segurança. "O mais seguro brinquedo se transforma numa bomba se não tiver monitoramento adequado. Crianças são imprevisíveis e não podemos deixar nenhuma brecha para elas", completa.


Novidades

Já há buffets apostando na manutenção constante para garantir a qualidade dos brinquedos. Um deles é o Billy Willy. Há um ano o buffet investiu num novo brinquedão, construído pela SPI. O brinquedo, com três andares, seis metros de altura e capacidade para até 60 crianças simultaneamente, recebe manutenção da empresa a cada dois meses. Assim, o buffet atinge um de seus principais objetivos: segurança.
" Os buffets devem se informar sobre as normas que regem a construção e manutenção dos brinquedos e operar de acordo com elas", opina Ian Pacey, diretor da SPI. Segundo Ian, os acidentes mais comuns envolvem quedas e choques de crianças (no brinquedão ou fora dele). O objetivo do fabricante deve ser desenhar um brinquedo que não cause acidentes.
" Um exemplo que deve ser seguido na concepção do brinquedo é o uso de telas de segurança que não permitam a escalada das crianças. Em telas com trama de cinco centímetros as crianças podem enfiar o pé e subir", adverte Ian. Países de primeiro mundo, diz, usam telas de, no máximo, uma polegada ou 2,5 centímetros. No Brasil, a SPI já utiliza uma tela especial, no Billy Willy, muito mais durável e bonita que as de nylon. Outro exemplo é o do escorregador que termina na piscina de bolinhas. "É comum, mas pode sugerir acidentes. Por bom senso, não usamos esse artifício", afirma. Mas, como as crianças querem sempre novidades, uma das novas atrações que a SPI tem instalado em brinquedões são os canhões que atiram bolinhas de espuma "sem nenhum risco". Para garantir que tudo seja feito dentro da maior segurança, a SPI iniciou o serviço de inspeções técnicas em playgrounds. "Temos engenheiros treinados que dão consultoria a buffets, dizendo se os brinquedos estão dentro das normas", finaliza Ian.


Faixa etária

Foi justamente para adaptar os brinquedos às normas que o Magic Blue providenciou uma grande reforma no buffet neste início de ano. A proprietária, Sandra Negri, dividiu os ambientes por faixa etária. O mezanino foi ampliado para receber os games e três novos simuladores, para as crianças maiores. Já os games para as crianças de até cinco anos passaram para o térreo, assim como os carrinhos da marca Little Tikes, o kiddie rider e a casinha de bonecas. "Com a separação, visamos a segurança das crianças e tranquilidade para os pais", explica.
O número de monitores é outro fator essencial para dar segurança às crianças. Sandra garante que trabalha com no mínimo 10 monitores. Em festas grandes, usa até 17. Dois sempre ficam no brinquedão. "Um fica na boca do escorregador, para evitar que as crianças entrem na contra-mão. Elas têm uma tentação de subir por onde devem sair", comenta Sandra.

Certificado

Na opinião de Ricardo Caselato, da RL Brincar, há seis anos fabricando brinquedos para buffets e playgrounds, trabalhar com monitores treinados é um dos grandes trunfos dos buffets para não ter problemas com a segurança dos equipamentos. "Além de se preocupar com o visual do brinquedo, os proprietários devem checar a idoneidade do fabricante e investir no treinamento da mão-de-obra", avalia. "Se tiver um bom monitoramento, um brinquedão dura até cinco anos sem reforma", garante. Ricardo recomenda, porém, que o brinquedo seja avaliado a cada seis meses pelo fabricante, para que seja possível observar eventuais falhas, como furos numa lona.
Ricardo aposta num atendimento personalizado. Ele mesmo visita os clientes e faz o projeto do brinquedo na hora, no computador. Da experiência de pai de dois filhos, de seis e de 12 anos, acredita que o brinquedão ideal deve ter uma parte voltada para crianças de dois a cinco anos e outra para as maiores.
A preocupação de Ricardo em atingir a segurança máxima nos brinquedos fez com que procurasse o Inmetro – Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Um brinquedão de sua autoria ficou montado no laboratório do órgão durante 36 dias, para avaliação dos materiais usados e a forma como foi construído. Resultado: a RL recebeu o certificado do Inmetro e o fornece para os clientes. "É importante que os buffets exijam a apresentação do certificado e não confiem apenas na palavra do vendedor", recomenda.
Segundo Mauro Eduardo Loureiro, da Mart Play, um grande aliado de fornecedores de brinquedos são os monitores. Por isso, a cada manutenção que realiza contata os monitores e os orienta recebendo deles informações importantes. "Uma manutenção ideal deve ser feita pelo menos uma vez por mês", conclui.

RADICAL

O buffet Reino Mágico, que já contava com duas paredes de escalada e uma tirolesa, investiu em mais uma atividade radical. Em janeiro foi inaugurada a ponte Inca, com 33 metros de comprimento e instalada a 5m 30 de altura. A ponte foi projetada e construída por Maurício Gomes da Silva, da Escarpa Atividades em Altura, seguindo rígidos critérios de segurança.
A ponte é construída com caibros de pinho ligados por correntes. Um cabo de aço, que suporta 3.400 quilos, fica preso nas extremidades da ponte e funciona como "linha da vida". Para atravessar a ponte a criança "veste" uma cadeirinha de escalada e se segura nos corrimões de corda. Uma fita, com uma carga de ruptura de 2.200 quilos, é conectada à cadeirinha e ao cabo de aço. O vazio embaixo da ponte é responsável pela adrenalina da atividade.
Maurício, que é praticante de escalada em rocha, instruiu os monitores do buffet para o uso dos equipamentos. A segurança é total, garante. "Um monitor fica sempre como olheiro, verificando se nada foi esquecido. E o principal é a ancoragem da ponte, isto é, como ela está fixada na parede", explica, completando que a manutenção será feita mensalmente.


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