MATÉRIA REVISTA Nº17

Carta ao Leitor

Para quem não quer só brincar, mas também comer muito bem, esta edição da "Festas Infantis", com o perdão pelo trocadilho, está um "prato cheio". Ela mostra que alguns buffets infantis resolveram investir em culinária diferenciada e estão incluindo nos almoços e jantares pratos mais sofisticados. Com a ajuda de chefs, culinaristas ou banqueteiras experientes uma festa infantil hoje pode ter iguarias de fazer inveja aos mais renomados restaurantes.

Para dar mais "água na boca", contamos como os bolos decorados estão ganhando espaço: de vários tamanhos e alturas, fazem o maior sucesso e enriquecem mesas temáticas, parecendo fazer parte da decoração.

Em termos de diversão, fomos conversar com empresas de recreação, que apresentaram o que há de novidade para as crianças nas festas: as oficinas. De bolsinhas, bonecas, pipas, pizzas, plantas ou miçangas, sandálias havaianas ou do que a imaginação chegar, garantem a animação.

Tudo isso precisa estar registrado para ficar sempre no álbum de recordações. Um trabalho que os fotógrafos especializados aprimoram a cada dia, com criatividade e ousadia e que reproduzimos nessa edição.

E mais: se você pensa que buffet infantil só faz festa, está enganado. Agora eles servem, como fomos conferir, de palco para desfiles de moda, lançamentos de livros, de maquiagens, e qualquer tipo de evento.

Por último, sugerimos ver a seção de Novidades, com lançamentos e idéias para lembrancinhas originais.

Aproveite e boa festa.

MATÉRIAS

Cardápios muito especiais

Deu bolo! E que bolo!

Oficina, um sucesso que não pára

Olha o passarinho!

Buffet infantil só faz festa?

 

Cardápios muito especiais

Penne com molhos ao sugo ou branco, estrogonofe ou filé ao molho madeira acompanhados de arroz e batata palha. Quem não experimentou um desses pratos numa festa em buffet infantil? Certamente, muitos pais e convidados já cansaram-se de saborear sempre as mesmas iguarias nos aniversários que incluem almoço ou jantar. A ordem agora é apostar numa culinária mais elaborada. Os buffets estão investindo na parceria com chefs de cozinha e banqueteiras, que oferecem sugestões especiais e que fogem do convencional.

O Peekaboo é um dos que está apostando nessa necessidade da clientela. O diferencial dos almoços e jantares, tanto na unidade de Moema como na dos Jardins, é a massa artesanal preparada pela chef Ana Maria Nunes, da Rosticceria Villa Lucchese. "O cliente que adora massas encontra nas festas um produto de qualidade. São massas especiais, artesanais, muito diferentes das industriais", explica Henrique Machado, sócio do Peekaboo com Solange Machado, Susi Valentina Vilela e Renata Guedes.

O entusiasmo de Henrique com as massas que vem oferecendo aos clientes é justificado: Ana Maria, uma culinarista especializada nas delícias da cozinha italiana, em 1981 fundou a "Boutique Gastronômica Paola di Verona" e tornou-se conhecida por introduzir no mercado as massas pré-cozidas. Há quatro anos ela comanda a "Villa Lucchese", sem abandonar o estilo de comida caseira, bem ao gosto das mammas italianas. O molho a bolonhesa, por exemplo, é apurado em 12 horas de cozimento. "Depois de abrir fervura, o segredo é não mexer para que o molho não grude na panela", ensina. Os pais que optarem por festas no Peekaboo podem escolher vários tipos de massas recheadas: torteloni de mussarela com alcachofra, de mussarela, espinafre e amêndoas, de mussarela com shiitake, ou foglie de vitela com amêndoa, ricota com alho-poró ou ricota com nozes. Entre os molhos, estão o de funghi, quatro queijos, tomate com manjericão ou manteiga e sálvia. Para Henrique, contar com uma fornecedora de qualidade como a "Villa Lucchese" é mais uma garantia de bons serviços prestados. "Afinal, 70% das festas que oferecemos tem almoço ou jantar",completa.

Completos

Vivian Martinez vive no mundo das festas infantis há 10 anos. Proprietária do Estação Criança e Estação Club em sociedade com o marido, Nilton, Vivian acompanhou o surgimento de um público cada dia mais exigente. "No início, tudo o que fazíamos era diferente. Hoje, festas em buffet infantil transformaram-se em hábito e ninguém mais quer comer só o trivial", afirma.

Dentro do cardápio tradicional, Vivian oferece itens diferenciados, como doces caramelados, trufas de diferentes recheios, fondants de avelãs ou amêndoas, tortinhas de massa folhada e até crepe francês com recheio de shiitake. "Fazemos muitos aniversários repletos de adultos. Não interessa à mãe servir apenas salgadinhos e hot-dog", justifica Vivian, ressaltando que são comuns, inclusive, comemorações de aniversários de adultos. Recentemente, o Estação Criança recebeu os convidados do aniversário de 70 anos de uma senhora, com a presença de 120 adultos e apenas 15 crianças. No cardápio, Vivian serviu sofiole verde aos quatro queijos, escalope de filet mignon, acompanhados de arroz, batata e saladas barese e amalfitana. "São festas mais elaboradas, com cardápios que se comparam ao de um casamento. Podemos oferecer, por exemplo, peru com molho de champignon, acompanhado de arroz com peito de frango desfiado e castanha do Pará, batata souté e trouxinhas de palmito", diz.

Além dos cardápios completos, o Estação Criança dispõe de uma mesa diferente, chamada "coquetel de gala". Na mesa ficam canapés frios e quentes (como bombinhas de tomate seco e canapés de carpaccio montados em casquinhas de pão coloridas), mousses salgadas e queijos brie ou camembert em réchauds, servidos com geléias. A montagem da mesa é caprichada, incluindo arranjos de velas e flores e decoração com frutas e legumes. Um efeito mais requintado (chamado de flutt’s) pode ser obtido com o uso do gelo seco entre os petiscos. "É uma forma simpática de servir os adultos, sem deixar de atender às crianças com os salgados tradicionais", explica Vivian. Para dar conta desse toque especial ela conta com um banqueteiro e uma cozinheira. "Faço questão de que as festas tenham apresentação e montagem diferenciadas. Por isso, nosso banqueteiro faz cursos, como o de decoração com frutas e legumes. Assim, uma mesa de quiches, uma de frios ou de coquetel de gala sempre saem do comum", garante.

Inovação

Até quem está entrando agora no mercado percebe que os pais querem uma gastronomia mais sofisticada. É o caso do buffet Touché, inaugurado em abril no bairro de Higienópolis. Andréa Lavieri Facio, Renato Amaral Pires e Priscila Amaral, sócios da casa, acreditam que o público cansou da mesmice oferecida pela maioria dos buffets. "Oferecemos o trivial mas também um cardápio diferenciado", diz Andréa. Segundo Renato, são mais de 20 opções de pratos, além do cardápio básico. "E se nenhuma delas agradar, temos uma personal gourmet para desenvolver o prato que o cliente desejar", afirma.

Para escolher um profissional da gastronomia que atendesse às exigências dos pais, os sócios do Touché chamaram a promotora de eventos Roberta Benetti. Acostumada a organizar festas com os mais diversos tipos de público e comida, Roberta indicou a banqueteira Selma Guadelupe para o Touché. "Renato e Andréa pediram um cardápio que não caísse no lugar comum dos buffets infantis, ou seja, massas com saladas. A Selma é uma banqueteira arrojada, que não tem medo de arriscar, inclusive em pratos mais exóticos", justifica Roberta.

Selma utiliza a cozinha industrial do Touché, para preparar os pratos no local e na hora. "Levamos cozinheiras e ajudantes, mas também coloco a mão na massa", conta. Para a banqueteira, a tendência mundial aponta para parcerias entre empresas. E não é diferente no segmento de festas. "O Touché tem um cardápio especial que desenvolvi, mas posso até dar uma assistência especial aos pais para definir os pratos. Acredito que nada é mais gostoso do que escolher um buffet infantil bonito e, além disso, com um cardápio diferenciado", argumenta. Selma tem percebido que o cliente busca pratos "mais caprichados". Entre as opções desenvolvidas para o Touché estão lasanha de frutos do mar, risoto de camarão coberto com rúcula, salmão grelhado com molho de maracujá, bobó de camarão servido na moranga, risoto com funghi acompanhado de escalope ou nhoque de espinafre ao molho de tomates frescos com manjericão. Segundo a banqueteira, pratos muito pesados e condimentados, como dobradinha ou caldeirada, não são recomendados. "Mas uma feijoada light cabe muito bem em uma festa no almoço de sábado", afirma.

Até nos salgadinhos ela procurou inovar. Entre os oferecidos pelo Touché, estão bruschettas (as torradas feitas com pão italiano, tomate e alho, comuns em cantinas), cogumelos marinados ou mini-almôndegas com amêndoas servidas em espetinhos de bambu, enroladinho de berinjela com tomate seco, entre outros. "Um buffet infantil também precisa de um bom gourmet, que teste e aprove os pratos que serão servidos", conclui.

Cozinha francesa

Andréa Chinaglia Bizutti, proprietária dos buffets Mega Party, tem percebido que os pais querem agradar, além da criança, também a família e os amigos. "Muitas vezes até o aniversário do pai ou da mãe é comemorado junto. Principalmente para esse tipo de festa, e quando há convidados com um gosto mais requintado, há procura por uma alimentação diferente e sofisticada", conta. Para atender essas solicitações, Andréa conta com o serviço do chef Pedro Paulo de Oliveira, formado em gastronomia pela tradicional escola Sorbonne e especializado na cozinha franco-italiana.

"Pedro Paulo costuma preparar massas leves, típicas da culinária francesa e que sempre fazem muito sucesso", informa Andréa. "São festivais de quiches, terrines e crepes, fáceis de comer e que até as crianças adoram", diz. O chef leva para o buffet os pratos semi-prontos, mas finaliza-os na hora (gratinando e decorando).

Mesa fria

Famílias numerosas e que gostam de comer bem são as principais consumidoras de festas com cardápios completos e cuidadosamente elaborados. No buffet Adventure, festas com grande número de adultos sempre são acompanhadas de pratos especiais, além do cardápio específico para as crianças. Uma das opções é a mesa fria. "Fizemos a primeira vez para uma festa num domingo à tarde. E deu tão certo que tornou-se um dos cardápios mais pedidos", conta Sonia Cramer, assessora de eventos do buffet. Entre os destaques, estão o queijo brie gigante servido no réchaud com geléia de abricó, damasco ou blueberry, volovã de carne de siri, shiitake ou tomate seco, patê de foie gras coberto com geléia de damasco e servido com torradas coloridas, canapés de carpacio de carne seca e salmão, endívias recheadas com pasta de gorgonzola e kani, damasco recheado com mascarpone e presunto de parma com figo. "Utilizo ingredientes com cores, sabores e texturas diferentes. No jantar, a mesa fria funciona como um adicional à festa e, no almoço, pode ser acrescida de um risoto ou uma salada", exemplifica.

Segundo Sonia, os pais ainda não estão habituados a solicitar um cardápio especial. "A maioria quer agradar a criança e tem medo de errar, até porque não é comum um buffet infantil oferecer esse tipo de serviço. Mas adoro quando uma mãe quer algo diferente. Gosto de elaborar um cardápio e nem sempre isso implica em custos altíssimos", atesta.

Para a banqueteira, o cardápio é montado de acordo com a estação e os pedidos do cliente. Um almoço à base de saladas, massas e filet a danang (com molho de shoyo e gengibre, servido à parte), acompanhado de arroz e batata palha, por exemplo, tem ingredientes que agradam tanto adultos como crianças. Outra sugestão de Sonia é um cardápio com dois tipos de saladas: caesar salad com croutons, e outra de folhas verdes, com kani e manga, mais risotos de shiitake e de champagne com lâminas de amêndoas.

 

Deu bolo! E que bolo!

Os aniversariantes que se cuidem. Os bolos decorados estão se tornando a grande atração das festas infantis. Feitos por mãos habilidosas, reproduzem com extrema fidelidade o tema da festa. A pasta americana - uma mistura com gelatina incolor e açúcar impalpável, entre outros ingredientes - é utilizada para cobrir e decorar os bolos. De tão perfeitos, dá pena cortá-los. Flores, laços, bichinhos, estrelas, personagens: não há tema que as doceiras não consigam transformar em guloseima.

Nininha Sigrist já chegou a ouvir de vários clientes a mesma história: na hora do "parabéns" ninguém tem coragem para cortar o bolo. Resultado: serve-se para os convidados um bolo tradicional, fornecido pelo buffet, e a obra de arte vai para casa, para ser admirada um pouco mais.

O bolo decorado torna-se uma atração da mesa. "Os convidados quando chegam numa festa e olham a mesa procuram primeiro o bolo. E é uma surpresa quando o encontram: parece que o bolo faz parte dos itens da decoração da mesa", conta.

A moda do bolo decorado tem atraído mães e filhos ao ateliê de Nininha. "As crianças adoram escolher o bolo do aniversário. Talvez por ser de açúcar e comestível, ele se transforma em mais do que um brinquedo" , explica. Muitas crianças já tem idéia do que querem, mas todas adoram olhar os álbuns de fotos e deliciam-se com bolos "Fazendinha" (decorado com coelhos, porquinhos, vaquinhas e cavalo), "Casinha da Branca de Neve" (com direito aos sete anões dormindo em suas caminhas) e até "Dinossauro". Há modelos mais inusitados, como o de "Fadas e Duendes", "Raquete", para os amantes do tênis, ou "Bloco de papel sujo com pingos de tinta e acompanhado por uma paleta" (ideal para os pequenos artistas). O trabalho de modelagem dos personagens, folhas, lacinhos, estrelas, corações e outros detalhes, feito com a pasta americana, pode durar um dia inteiro, informa a doceira. Já para a construção de estruturas maiores (como o telhado de uma casinha), utiliza-se a pastilhagem, uma massa de açúcar bem dura. No caso de bolos muito grandes, a cobertura de pasta americana é tingida utilizando-se aerógrafo com corante comestível.

Quanto aos sabores, Nininha sempre trabalha com chocolate recheado com brigadeiro ou chocolate com brigadeiro branco. No caso de bolos que precisam ser recortados (onde o formato do personagem é o próprio bolo), ela trabalha com uma massa mais firme (brownie).

Liberdade para criar

Para Patrícia Schmidt, que em 1999 começou a se dedicar aos bolos decorados, as mães estão atrás de novidades. Escolhido o tema, ela parte para a procura de um detalhe que permita a criação do bolo. "Numa festa onde o tema era o acampamento do Mickey, por exemplo, o bolo era formado por duas malas. Procuro não fazer personagens porque eles nunca ficam exatamente iguais ao original" , justifica. E complementa: "Em bolos de casamento fico limitada a usar branco, flores e noivinhos. Nas infantis a tematização dá mais liberdade para criar."

No último aniversário de Sasha, filha da apresentadora Xuxa, Patrícia usou o tema "Vila Sésamo" ; já no nono aniversário de Igor, filho caçula do cantor Zezé di Camargo, comemorado no Hopi Hari, em fevereiro deste ano, o tema escolhido foi "Selva". O bolo tinha dois andares, três tons de verde e foi decorado com leões, hipopótamos e elefantes. Tudo comestível. O sabor mais pedido é o ganash de chocolate, embora também sejam bem procurados os com doce de leite ou baba de moça. "Acabei com a idéia de que todo bolo decorado com pasta americana é ruim e duro. A minha receita não leva fermento e é bem fofinha", garante Patrícia.

Patrícia Schmidt lançou em novembro de 2001 um livro só com minibolos decorados. São 22 temas diferentes. Patrícia explica que o minibolo é uma idéia inglesa. "É uma forma de entregar uma fatia do bolo, decorado, a cada convidado. Também pode enfeitar as mesas dos convidados e comer na festa ou levar como lembrancinha", diz. Patrícia está preparando outro livro, agora só com bolos (grandes) infantis. Na opinião da doceira, que já fez o bolo do casamento de vários artistas e colunáveis, o assunto está em alta e os bolos decorados são um sucesso em qualquer festa.

Detalhes

Maria Iraildes, que há quase seis anos trabalha com bolos decorados, lembra-se ainda do tempo que bolos tinham apenas um andar e cobertura pintada. "Hoje, são todos modelados com pasta americana e com dois, três ou quatro andares. Se os pais encomendam um bolo bonito num ano, no outro querem um mais bonito ainda. Eles estão cada vez mais exigentes", conta. Maria começou dando aulas de modelagem na televisão, passou a ser requisitada pelas melhores decoradoras infantis e não parou mais.

Ela explica que, muitas vezes, já recebe o tema da decoradora; em outras, oferece sugestões. "Como temos clientes em comum, muitos vêem um determinado tipo de bolo numa festa. Por isso, tenho sempre modelos novos para a mãe escolher", explica. Maria costuma até assistir a filmes para escolher uma cena ou detalhe que possa se transformar em bolo. Numa festa com o tema "Cinderela", por exemplo, o bolo foi o ratinho costurando o vestido. Bolos de palhaço (que têm tido muita procura para festas de circo, ideais para aniversário de um ano) têm variações de cores, para que não fiquem sempre iguais. Um dos mais pedidos é o do palhaço grande que fica girando no topo do bolo graças a um motor instalado na base. O tema "Fundo do Mar" é reproduzido em um bolo de dois andares, com fundo azul repleto de algas e peixes coloridos. Dentro da mesma linha, existe o "Pequena Sereia", que tem um a concha com pérola e tudo no topo. Todos os itens são comestíveis.

A preocupação de Maria Iraildes é fazer um bolo bonito e gostoso. "A mãe pensa em primeiro lugar na decoração, mas também se preocupa com o sabor. Faço questão de regar e rechear o bolo pessoalmente", finaliza.

Bonito e gostoso

Um bolo valoriza a mesa de aniversário. Essa é a opinião de Seli Rigazzi, que confecciona decorações comestíveis há quatro anos. "Um bolo simples, coberto apenas com raspas de chocolate, por exemplo, não valoriza uma mesa belíssima", acredita. Seli, que trabalhava num laboratório farmacêutico e procurava uma atividade menos estressante, deixa seus bolos molhados e úmidos, "iguaizinhos aos bolos tradicionais". "De que adianta o bolo ser lindo e incomível?", questiona.

Seli está acostumada a receber pedidos inusitados. Um recente foi de um bolo de três andares intercalados por aquários com água e peixinhos vivos. Para uma festa árabe, o bolo escolhido reproduzia uma almofada com uma lâmpada dourada – a lâmpada do gênio. Para uma mesa decorada por Andréa Guimarães, Seli criou o tema "Tom e Jerry" com um bolo imitando queijo: uma fatia cortada reproduzia os furinhos do queijo, com o gato perseguindo o ratinho. Para aniversários de um ano, ela costuma fazer bolos com ursinhos, geralmente em tons pastéis de rosa e azul. Para crianças maiores, o bolo quadrado, que simula um jogo de boliche, com os pinos caídos.

Seli adora desenvolver modelos exclusivos. Os mais pedidos, entretanto, são com temas clássicos. O campeão é o "Ursinho Pooh", principalmente para aniversários de um, dois ou três anos. "Toda semana faço pelo menos um", garante.

Com a cara da decoração

Genny Gari, proprietária junto com Dóris Ferraz do buffet a domicílio Xic Balloon, entrou na área dos bolos decorados por pura necessidade. Acostumadas com uma clientela exigente, elas procuravam bolos que atendessem aos pedidos com agilidade e com a cara da Xic Balloon e que combinassem com a decoração e não encontravam. A solução foi Dóris fazer, há três anos, um curso de bolos com pasta americana. Como ela é a responsável pela criação das decorações, e está acostumada a desenhar e esculpir, fazer os bolos foi um caminho natural. Ela acredita que o bolo é um capítulo importantíssimo para o sucesso da festa. "Mesmo que a festa esteja maravilhosa, a mãe chega e quer ver primeiro o bolo", diz.

Dóris oferece pelo menos 20 modelos diferentes e o mesmo tema pode ter vários bolos. O "Fundo do Mar", por exemplo, normalmente é um peixe. Porém, para uma criança maior, que achou o peixe muito infantil, ela desenvolveu uma "Arca do Tesouro", com moedas de chocolate. A festa "Vamp" tem um bolo-abóbora - ou, se o aniversariante preferir, uma aranha preta e peluda. Para reproduzir personagens, Dóris prefere caricaturas, para que não fique falso: é o caso da "Cinderela", que é apresentada sentada sobre o bolo . O tema "Fazenda" tem o bolo do burrico ; a do "Jardim" pode ser uma joaninha, para as meninas, ou um caramujo, para os meninos. A massa sempre é um pão-de-ló de chocolate. "O bolo não pode ser fofíssimo, pois faria a pasta americana escorregar", explica.

Quase de verdade

Isabela Suplicy, famosa pelos bolos e mesas de doces de casamentos requintados, tem quase a metade das encomendas formada por temas infantis. Ela utiliza recheios de brigadeiro, bem-casado ou côco. Os mais pedidos são os de personagens, como "Meninas Super-poderosas", "Minnie", "Mickey" e "Ursinho Pooh".

"Procuro sempre um aspecto do tema sem ser necessariamente o personagem", explica Isabela, que já se viu às voltas com temas diferentes, como uma pista de corrida de carros, um cavalo e até um castelo do Aladim com direito a tapete voador. Numa festa decorada por Fabíola Lombardi com o tema coelhos, o bolo de Isabela - um grande coelho segurando uma carriola carregada de cenouras - disputou a atenção da criançada com coelhinhos vivos. Os bichinhos ficaram na mesa, protegidos por uma cerquinha.

Isabela Suplicy lançou o livro "Arte em Açúcar" em dezembro de 2001, "um dos primeiros do mercado sobre o assunto", diz Isabela. Com receitas básicas, entre massas, recheios, fondant (ou pasta americana) e glacê, o livro mostra bolos específicos para cada etapa da vida: nascimento, aniversários infantis e de adultos, casamentos e bodas. Isabela trabalha com bolos desde 1995, quando voltou de Nova Iorque, onde aprendeu as técnicas. Acredita que, hoje, muitas mães não abrem mão de um bolo decorado, e que ele é discutido em detalhes entre a mãe e a doceira, ou com a decoradora.

PASTA AMERICANA

Até as doceiras acostumadas com as coberturas tradicionais estão se rendendo aos modelos com pasta americana. Regina Sampaio, da Glacê Doces, há nove anos fornece bolos, doces e salgados para festas e diz que esses tipos de bolos são chiques e estão na moda. Ela fez cursos com pasta americana para atender aos pedidos dos clientes, que solicitavam um bolo gostoso como o seu, mas decorado e modelado. "É um bolo mais trabalhoso, que pode demorar até seis horas para ser enfeitado, e precisa ser encomendado com mais antecedência", diz.

Também a Tudo Doce, de Maria Luiza de Salvo, que há 15 anos faz bolos, principalmente infantis e para casamentos, tem visto aumentar os pedidos de bolos decorados com pasta americana. Além deles, ela faz os tradicionais bolos decorados com folha de arroz e os pintados com pincel e anilina comestível. Outra opção é o bolo "Casinha". "Por dentro ele é um bolo recortado no formato de casinha e recoberto com balas e bolachas formando as paredes e o telhado. Tudo comestível" , diz . É uma idéia muito usada em festas com o tema do "Sítio do Pica-pau Amarelo".

 

Oficina, um sucesso que não pára

A ordem é colocar as crianças para trabalhar nas festas.
Brincando, é claro. Bijuterias, bolsas, sabonetes, bonecas, bolo, elas fazem de tudo nas oficinas que se estão transformando em verdadeira coqueluche dos aniversários infantis. É possível entreter as crianças com atividades divertidas para as mais diversas faixas etárias. Dos pequenininhos (a partir de três anos) aos quase teens, elas saem das festas felizes, levando as criações como lembrancinhas.

Cris Dias, da Animada Trupe, conhecida por trabalhar há seis anos com "produção de beleza" (cabeleireiro e maquiagem), começou com oficinas no ano passado. "A preocupação é oferecer um diferencial para a mãe, evitando que a festa do filho seja cópia do aniversário do amigo", conta Cris, que cria pessoalmente as peças que serão reproduzidas pelas crianças nas festas. "Procuro desenvolver oficinas que ninguém nunca viu", garante. São agendas, porta-retratos, porta-lápis, bonés, bolsas, estojos, pantufas – montados por costureiras ou cooperativas de trabalho de comunidades carentes, que serão depois incrementados nas festas pelas crianças. Por meio das oficinas, a Animada Trupe gera 28 empregos, entre profissionais ligados à costura e ao artesanato. São dez tipos de oficinas e todas as lembranças são levadas pelas crianças acompanhadas de uma sacola com cartão de agradecimento pela participação.

Além de artesanato, uma oficina diferente é a de Barbies. As bonecas são apresentadas sem roupa, ao lado de acessórios para cabelo, pulseiras, sapatos, bolsas, colares, chapéus. Cada menina escolhe como quer vestir a Barbie e monta a boneca. Depois, com o auxílio das monitoras, a boneca é penteada e maquiada. Pronta, é uma lembrancinha muito especial, que sai acompanhada até de certificado de propriedade, e com instruções sobre os cuidados que a criança deve ter com o novo brinquedo. Os meninos podem montar bonecos Max Steel com acessórios e tinta no cabelo, com visual punk, ou optar por um boné radical.

Segundo Cris, os pequenos sempre participam da pintura ou da decoração de uma peça, mas a equipe de monitoras da Animada Trupe é a responsável pelo acabamento final. Uma das oficinas preferidas – e a primeira desenvolvida pela empresa – é a de camisetas, que podem ser "tatuadas" com as mãos das crianças ou coloridas com a pintura de moldes (como os que Cris utiliza na tatuagem de cabelos). A pintura de camisetas faz sucesso não apenas entre as crianças. Recentemente, a Animada Trupe fez esse tipo de oficina no aniversário dos filhos do humorista Tom Cavalcanti, que comemoravam 18 e 15 anos. Em festas para essa faixa etária, a receita do sucesso é utilizar camisetas coloridas e recortes mais fashion. Se a mãe desejar, a Animada Trupe pode incluir numeração para os adultos. "Levamos os tamanhos das camisetas de acordo com a lista de convidados", conclui Cris.

Arte ou pizza?

Um dos aspectos positivos das oficinas é a mistura de diversão com arte. Sandra Bekin de Carvalho sempre acreditou nessa proposta. Sua empresa, a Brincarte, há 18 anos em festas infantis, trabalha com recreação voltada à arte. "Além disso, é uma opção de lembrancinha econômica, prática e personalizada, onde cada criança prepara a sua", explica. Uma das oficinas mais procuradas é a que oferece 20 modelos em EVA (agendas, bolsas, risque-rabisque, máscaras de bichos, etc). O modelo deve ser definido de acordo com a faixa etária dos convidados. As máscaras são indicadas para crianças a partir de três anos. "São fáceis de montar e a criança pinta com canetinha. Não quero que a criança fique frustrada por não conseguir concluir o trabalho. Depois, ainda é feita uma recreação musical utilizando as máscaras" , ensina.

Na linha educativa de brinquedos de madeira são 15 modelos, entre jogos, meios de transporte e peão. A escolha também depende da idade. "A idéia é fazer uma lembrancinha que seja útil para brincar e que a própria criança personalizou durante a festa", informa. Cada criança leva cerca de meia hora em cada oficina. Segundo Sandra, a mãe pode escolher duas ou três oficinas para a festa, mesclando o gosto de meninos e meninas. A Brincarte utiliza, em média, um monitor para cada 15 crianças. Entre as opções, oficinas de pintura ou colagem de areia colorida em vasos, pintura de camisetas (com giz de cera importado, que não faz sujeira; longe das crianças, os monitores passam a ferro as camisetas, para a fixação do desenho) ou de torno, para a modelagem de peças e argila.

Para meninas entre oito e 10 anos a ideal é a criação de caderno com papel reciclado. Utilizando diversos tipos de papel e espiral, cada criança monta o caderno, decorando a capa com purpurina e plastificando. A confecção de bonecas de pano é outra idéia que agrada as meninas: elas pintam o rosto da boneca, escolhem a roupa e o cabelo, colocam o enchimento e os monitores montam a boneca com cola quente.

Se o aniversariante for daqueles mais comilões e que adora colocar a mão na massa, a melhor dica é a oficina de pizza. A Brincarte leva um pizzaiolo com forno a lenha móvel. Cada criança, trajada com avental e chapéu de pizzaiolo, escolhe entre dez ingredientes para montar a pizza, do tamanho de um prato grande. É só esperar sair do forno e se deliciar com a própria criação. Ainda na linha de alimentação, há a oficina "natureba": a criança pode montar um sanduíche misturando alface, tomate, patê de atum e ovo cozido, entre outras gostosuras.

Pipas

Como se faz uma pipa? Certamente, muitos pais já esquecerem. Mas, numa oficina de aniversário é possível aprender a construí-las. Há cerca de dois anos a Companhia da Alegria começou o trabalho de oficinas, decorrência das atividades de animação que a empresa realiza há dez anos em festas infantis. "Pediam-nos atividades diferentes. Daí surgiu a oficina de pipas, principalmente para locais com espaço aberto. É indicada para meninos a partir de quatro anos", conta Patrícia Verzinhasse Peres, proprietária da Companhia da Alegria. Utilizando linha, papel de seda e vareta japonesa, cada criança pode fazer a pipa na própria festa, incluindo a rabiola, com tirinhas de sacos plásticos. Tudo com capricho e paciência.

Para festas com 30 a 40 crianças, participam no mínimo duas monitoras para orientar as crianças. Na opinião de Patrícia, o ideal é mesclar a oficina com a recreação. "A oficina não é uma atividade onde todas as crianças participam ao mesmo tempo. Há uma rotatividade", lembra.

Além das pipas, Patrícia dispõe do ateliê de reciclagem, uma reinvenção da tradicional oficina de sucata, numa versão mais refinada. Tudo é novo e limpo: copinhos, potinhos plásticos e bandejinhas de isopor se transformam em brinquedos divertidos nas mãos das crianças. Já a oficina de pintura tem duas variações: pintura em tela (18 por 22 centímetros) ou em bandejas de isopor (do tipo utilizado para guardar frios nos supermercados, uma versão mais econômica). A criança pinta com tinta guache, protegida por aventais de TNT, sem risco de sujar a roupa.

Outro ateliê que faz sucesso é o que mescla desenho e dobradura, ideal para crianças pequenas. Elas pintam folhas já riscadas com giz de cera e lápis de cor e ainda aprendem técnicas de dobradura, reproduzindo o que os monitores ensinam.

Independente da oficina escolhida, a experiência de Patrícia mostra que, quase sempre, as crianças querem repetir a dose: durante a festa, voltam duas ou três vezes para fazer novamente o trabalho. "Se a mãe diz que a festa terá 40 crianças, sempre levamos material a mais. Tem criança que prefere ficar na oficina a ir brincar", garante.

Criação

As oficinas de arte ou culinária podem ser vistas como uma volta às origens.A criança faz seu próprio brinquedo ou comida, desenvolvendo a criatividade e a capacidade de escolha. Para Kiko Oliveira e Thiago Sanchez, do grupo de recreação Curumim, a peça feita numa oficina funciona como uma bonita recordação do aniversário e é guardada com muito carinho pela criança.

A equipe começou a perceber o interesse dos clientes pelas oficinas pelo fato de atender muitos estrangeiros (o Curumim faz recreação em Inglês, Alemão e Espanhol)."Recebíamos pedidos de atividades que envolvessem mais a criação", conta Kiko, ressaltando que a oficina é uma oportunidade para transmitir calma às crianças durante a festa.

A de vasos e mudas, por exemplo, é um dos grandes sucessos do Curumim: as crianças pintam os vasinhos com tinta atóxica e ganham uma muda florida para levar para casa. Se houver espaço, o Curumim transporta mesas e cadeiras para as crianças trabalharem. Caso contrário, forram o chão com papel kraft. "Se a festa for numa casa, ao lado do jardim, a atividade fica mais descontraída e artesanal", diz. Sempre dois ou três monitores, no mínimo, acompanham a atividade.

O Curumim oferece, também, pintura de camisetas (indicada a partir de seis anos) e a oficina de sucata. Recortes de garrafas PET pintados são utilizados pelas crianças para a produção de carrinhos. O material já chega praticamente pronto e as crianças, especialmente entre três e sete anos, encarregam-se da montagem dos brinquedos. "Depois da festa pedimos para que os pais preencham um relatório com a avaliação das atividades realizadas. As oficinas sempre obtêm um resultado excelente. Os pais adoram ver os filhos criando", conta a dupla do Curumim.

Gente nova

As oficinas têm atraído gente nova para o mundo das festas infantis. É o caso da Vikaboom, criada em outubro do ano passado pela dupla de amigas Vicky Reibscheid e Karen Gleischeid. As duas têm filhos entre um e três anos e começaram oferecendo produções de cabeleireiro infantil, mesas de balas e oficinas de arte. "Começamos de brincadeira, fazendo para os nossos filhos e não paramos mais", lembram. As duas têm uma grande preocupação com a aparência da oficina: os monitores trabalham uniformizados e as mesinhas e cadeirinhas onde as crianças trabalham são forradas com tecidos coloridos.

Entre as atividades das oficinas da Vikaboom estão a pintura em tela, gesso ou madeira, pulseirinhas de miçangas (para os meninos, há chaveirinhos com letras formando o nome da criança), ou biquíni e canga (as menininhas adoram enfeitar o biquíni amarrando retalhos de lycra; já os meninos deixam as sungas mais transadas). Uma das oficinas preferidas é a de sandálias Havaianas, pintadas pelas crianças com canetinhas coloridas. Embrulhadas para presente, elas transformam-se em charmosas lembrancinhas. "Procuramos colocar nas oficinas coisas simples, que toda criança sabe fazer", diz Vicky, feliz com o resultado do trabalho.

COISA SÉRIA

As oficinas proporcionam diversão para as crianças, mas devem ser tratadas com seriedade por quem oferece esse tipo de serviço em festas infantis. É o caso da Só de Brincadeira, de Maria Salles. A empresa, que existe há nove anos, começou com locação de brinquedos importados, como camarins, casinhas de bonecas e carrinhos, além de acessórios, como plumas, chapéus e sapatos.

A partir daí nasceu a idéia de montar cenários para as crianças brincarem e surgiram as oficinas. A primeira foi a de pintura de peças de gesso , seguida das de culinária e artesanato. "Sempre montamos um cenário que combine com o tema da oficina. Utilizamos um espaço aproximado de três por três metros e cuidamos de todo o material necessário, como mesinhas e cadeirinhas. Nas festas com culinária levamos forno elétrico, para que nada precise ser compartilhado com a cozinha da casa ou do buffet", explica Maria.

Cada detalhe de uma oficina é exaustivamente testado antes de ela ser colocada em prática. "Testamos internamente temas durante seis meses. Há muitas questões que devem ser levadas em conta, como limpeza, segurança e transporte" , lembra Maria. Atualmente, por exemplo, ela está envolvida com uma oficina de carimbos, já que precisa substituir modelos importados que utilizava e que não existem mais no mercado. O cuidado tem de ser redobrado, pois exige materiais atóxicos e que não manchem as roupas.

As oficinas de pintura são as que mais causam preocupação nas mães diante da possibilidade de a criança sujar a roupa do aniversário. Prevenida, Maria veste em todas as oficinas os pequenos artistas com aventais, touquinhas (para as de culinária) e mangas para proteger a roupa (ótimas no inverno). Tudo é descartável e, obviamente, sempre novo na próxima festa.

Além das oficinas de pintura (como as de gesso, vasinhos, telas e peças de madeira, ideais para confeccionar móbiles e ímãs), a Só de Brincadeira oferece variações de culinária. Os maiores sucessos são as de pãozinho doce e pão de queijo ( onde as crianças fazem a massa e as bolinhas) , a de pizza (inclusive nos sabores brigadeiro e banana com mel) , mini-bolinho (na hora do "parabéns" cada criança leva o seu com uma velinha) e a de docinhos (marzipan colorido e brigadeiro). Quem prefere artesanato pode optar por estamparia de camiseta, bijuteria, pintura e decoração com recortes de EVA (tipo de borracha utilizada em artesanato e na fabricação de brindes)em sandálias Havaianas, potinhos com areia colorida, chaveirinho, bonecas de pano e sabonete.

Segundo Maria, a oficina funciona tanto com meninos como com meninas. Nas bijuterias, por exemplo, há adereços como medalhas de time de futebol, pranchas de surf, skate ou caveira, ideais para os garotos confeccionarem colares ou pulseiras. Para grupos pequenos de até 30 crianças a proprietária da Só de Brincadeira aconselha dois tipos de oficinas, bem diferenciados "Cada uma delas demora duas horas, tempo suficiente para que todas as crianças brinquem em duas atividades distintas", esclarece.

Mesmo com tanta variedade, a empresa preocupa-se em oferecer novidades duas vezes por ano. No início deste ano Maria lançou a papelaria e a marcenaria. Mas, se o cliente preferir ela desenvolve um tema diferente, de acordo com o motivo da festa e o gosto da criança. Segundo Maria, as oficinas têm feito sucesso por ser um momento de pausa para as crianças durante a correria da festa. "Elas aprendem como uma coisa é feita e fazem do jeito delas. Além disso, a oficina integra as várias faixas etárias presentes no aniversário. O primo adolescente, as mães, a família, todo mundo quer participar", acrescenta.

 

OLHA O PASSARINHO!

Álbuns diferenciados, fotos em CD-ROM, em papel metalizado, em estilo jornalístico. Essas são algumas das novidades que o mercado de fotografias está oferecendo para festas infantis. Afinal, a fotografia é o registro mais tradicional de qualquer momento importante, especialmente dos aniversários dos filhos. Os profissionais têm procurado formas diferentes de apresentação do trabalho.

Mesmo com a possibilidade de registrar a festa em vídeo ou DVD, nada substitui o prazer de pegar um álbum e se encantar com as várias expressões de alegria da criança. Já há alternativas para quem quer um álbum diferente dos utilizados para casamentos. A fotógrafa Janine Trassi tem divertido pais e crianças com o que chama de "Álbum de Brincadeiras": utilizando a técnica do scrapbooking (ou livro de colagem), muito conhecida nos Estados Unidos, faz montagens com as fotos relacionando-as com o tema da festa. "É um trabalho artesanal. A foto é colada com fita dupla-face. Utilizo de 30 a 60 fotos num álbum e misturo os tamanhos das ampliações", explica. Depois de entregar o álbum, Janine costuma telefonar para o cliente para saber a reação da criança. "O que quero receber é o elogio da criança", diz.

Janine fotografa crianças há cinco anos. Ela trabalhava com produção fotográfica quando foi convidada por um amigo para fotografar uma aula de arte para crianças no Museu de Arte Moderna (MAM). Gostou tanto que não parou mais. "Adoro crianças e quando saio de uma festa parece que saí de uma seção de massagens", compara. Para Janine, que prefere fotos espontâneas, sem poses, não há dificuldade que inviabilize a realização das fotos. "Quanto mais difícil a criança para ser fotografada, mais fico instigada para esperar o momento certo de clicar. Quando a mãe vê o resultado, pergunta como consegui", afirma satisfeita.

Para quem não quer fazer o álbum, Janine tem outra opção. É uma caixa com visor, com 180 fotos no tamanho 10 x 15 cm. "É uma opção mais econômica. A mãe pode comprar um álbum e a própria criança personalizá-lo" , justifica.

Personalização

O prazer em lidar com crianças é responsável pelo sucesso da fotógrafa Solange Del Pozzo. Formada em Educação Física, Solange fotografava por hobby. Até que fez algumas fotos da classe da pré-escola da filha durante um dia normal de aulas. As mães gostaram do resultado, começaram a pedir cópias e a indicar Solange para fotografar festas em buffets. Hoje, são 10 anos de fotografia profissional. Além de Solange, a equipe tem mais seis fotógrafos e pessoal de filmagem.

Conhecida como "a fotógrafa da orelhinha" ( por trabalhar sempre com uma tiara com as orelhinhas da Minnie), Solange enfeita o colete de fotógrafa com bichinhos e a câmera com um "Piu-piu". "Os adultos têm uma postura muito dura.Na hora de fotografar, digo ‘olha o passarinho’, e brinco para relaxar", conta. Com as crianças, quando é necessário, Solange também transforma-se em criança e brinca de "pega-pega", "esconde-esconde" etc. "É brincando que se consegue boas fotos. O importante é ter carinho com a criança", garante.

A fotógrafa explica que no início faz as fotos mais tradicionais (com pais, avós e padrinhos) sem esquecer, entretanto, de flagrar algum momento diferente durante a festa. Nas fotos tradicionais, Solange pode mesclar preto e branco - um clássico que continua na moda, apesar do preço bem mais alto que a foto em cor. São produzidas de 300 a 400 fotos por festa. Com o material selecionado pela mãe, Solange monta o álbum no estilo scrapbook: com páginas coloridas, algumas com montagens artesanais. "Recorto a criança da foto e coloco num cenário feito artesanalmente, com um tronco de papel reciclado e folhinhas coladas, por exemplo. Um álbum nunca fica igual ao outro", explica.

Estúdio na festa

A idéia da fotógrafa Fran Matos é levar para a festa um verdadeiro estúdio fotográfico: equipamento de iluminação profissional; e um fundo neutro que pode ganhar elementos relativos ao tema da festa. Os convidados são fotografados como modelos e as ampliações entregues para quem contratou a festa, que pode enviá-las aos convidados como recordação do evento.

Fran trabalha sempre com duas fotógrafas. Uma monta um estúdio da festa, outra acompanha o evento , fazendo fotos "espontâneas" ( lentes que aproximam a imagem permitem fotografar as crianças sem que elas percebam). Fran visita o local antes de montar o "estúdio". "Uma parede de dois metros e meio de largura é suficiente para o fundo, e mais dois ou três metros de distanciamento para fotografar", explica.

Para o aniversário de dois irmãos que teve como tema a "Floresta Encantada", Fran confeccionou até roupas de "fadinha" e "duende" para que o menino e a menina fossem fotografados. Antes, fotografou em estúdio os aniversariantes caracterizados e depois utilizou o material para montar um painel fotográfico, além de cartões de agradecimento que foram anexados às lembrancinhas. "É o trabalho que mais dá prazer. Vou atrás de roupas e acessórios e faço uma produção onde a criança é o próprio personagem. É uma ótima recordação para os pais e uma pitada a mais na decoração da festa", diz. Na opinião de Fran, é fundamental que o fotógrafo saiba se colocar na festa para obter um bom resultado. "É preciso transmitir alegria para desinibir as pessoas. O fotógrafo não tem de ser mero figurante. Deve até colocar uma roupa mais alegre e fazer um trabalho de direção", compara Fran, que trabalha em festas infantis há três anos, mas há oito dedica-se à profissão em estúdio, fazendo principalmente books.

Fran monta álbuns com papel reciclado, feitos artesanalmente, para 30 fotos no tamanho 20x25 cm ou entrega as provas de 9x12 cm, encadernadas, e os negativos. Ela também oferece para clientes a inserção das fotos em seu site, durante uma semana. Basta clicar no ícone "Confira sua festa" para ver as melhores imagens do aniversário.

No computador

Muitos fotógrafos já estão entregando fotos digitalizadas. A Elipse Multimídia é uma delas: fotografa a festa com máquina digital e monta um álbum digital, entregue em CD "É como um programa que os pais instalam no computador. É totalmente personalizado, com abertura, o logotipo do buffet onde aconteceu a festa, e também um menu, como se fosse um site", explica Eric Fosque, proprietário da empresa. O programa permite colocar como "papel de parede" a foto de abertura do CD e 15 outras (que ficam se alternando) como "proteção de tela" (o screen saver). É possível ver outras 70 fotos do evento, usar o recurso slide show (fotos girando na tela como se fosse um álbum) e, ainda, ler mensagens enviadas por familiares.

Além do CD a Elipse oferece um "pacote" com 20 ampliações 15x21 cm em papel. "Trabalhamos com máquinas digitais de no mínimo 20 mega pixels, que permitem ampliações de ótima qualidade nesse tamanho ", garante Eric.

Desde março, quem contrata o serviço pode ver as fotos acessando o site da Elipse. "Durante três meses, colocamos 36 fotos no site. Por um custo baixo, pode-se aumentar o número de fotos ou estender o tempo da página no ar", informa Eric garantindo que as fotos em CD agradam os pais que gostam de tecnologia. "Eles acham o máximo ver o filho na tela do computador. Mas há os que ainda preferem a foto em papel. Mesmo esses, podem, a partir do CD, solicitar ampliações em laboratórios especializados", finaliza.

Emoção

Beto Zamberlan é fotógrafo há 20 anos, mas há sete só trabalha em festas infantis. Beto acabou identificando-se tanto com a área que montou laboratório próprio e uma estrutura de 12 pessoas só para atender os clientes. "Há quatro anos nasceu minha filha e selou definitivamente minha paixão pelas crianças", relata. Apesar da equipe grande, só Beto fotografa, e apenas uma festa por dia. "Percebi que quando fotografava uma segunda festa a qualidade do trabalho caía muito" , explica.

Beto utiliza cerca de 20 filmes por festa, o que significa 600 a 700 fotos. Ele garante, entretanto , que leva 40 filmes, entre eles alguns preto e branco , e uma máquina digital para atender a pedidos de convidados que solicitam uma foto extra. "Busco a emoção da festa, sem poses. Não chamo a criança para fotografar, mas entro com ela no brinquedão, participo. Procuro fotos com movimento. E se a criança for muito tímida, mostro a beleza de uma criança tímida", conta. Beto conversa várias vezes com os pais para explicar o seu estilo . "A maior dificuldade para realizar o trabalho é com os adultos que ao me verem quieto esperando um olhar da criança, avisam-na : "Faz um tchau aqui para o fotógrafo!", ironiza. "Pensam que estão ajudando, mas atrapalham" , diz.

Beto monta um álbum de provas, no tamanho 7x10 cm "contando a história da festa". "Os pais fazem a edição final, escolhendo em média 100 fotos", conta. Ele tem funcionários treinados em restauração e encadernação de livros que montam os álbuns, sempre em estilo artesanal, com papel reciclado. Eles já encaparam álbuns com lixas rasgadas e costuradas à mão e até com o papel de algum presente especial recebido pelo aniversariante. "Queremos surpreender e encantar os pais com nossos álbuns" , completa.

Criatividade

O diferencial do fotógrafo Rogério Martins está na formação: ele era diretor de arte antes de se dedicar apenas a fotos infantis, há três anos. Seja em agências de propaganda ou no Instituto Ayrton Senna - onde trabalhou durante seis anos e foi o responsável pela criação do personagem Seninha, em 1994 -, Rogério acostumou-se a finalizar as fotos no computador de forma criativa. Já foi dono de buffet infantil e acabou deixando tudo de lado apenas para fotografar. "Sempre me dei muito bem com crianças e fotografar é o que mais gosto de fazer", diz, acrescentando que "fotografar não é apenas apertar o botão". Para Rogério, o olhar de quem está fotografando deve ser criativo.

Ele procura sempre ter um briefing dos pais sobre as fotos. "Alguns pedem fotos totalmente voltadas para o aniversariante. Outros, uma cronologia da festa, incluindo os convidados" , explica. Geralmente, ele mescla o fotojornalismo com imagens posadas. "O fotojornalismo passa a alegria da festa. Já a foto com os avós, por exemplo, não pode faltar", diz. Em ambos os casos, Rogério acredita que o fotógrafo precisa ter boa apresentação pessoal e facilidade para driblar as dificuldades . Por isso, não delega a tarefa de fotografar uma festa para ninguém. "Só eu fotografo", garante. Depois de registrar o aniversário, ele digitaliza as imagens. "É quando entra em ação a criatividade. Posso alterar uma cor, o fundo da foto ou até colocar um personagem, sem descaracterizar a criança, é claro. Isso torna as fotos e os álbuns diferentes", finaliza.

Montagem

Montar um álbum diferente, editando as fotos como se fosse uma revista, é o serviço que o Magic Studio lançou em maio. "Fotos boas, bem tiradas, vários fotógrafos fazem. O que diferencia é a edição e a montagem do álbum", diz Wagner Pimenta, proprietário da empresa e fotógrafo há 14 anos. Num álbum com ampliações de 20x25 cm a página do "parabéns", por exemplo, pode ser montada com fotos do bolo, da família e da criança. "Em um álbum com 40 fotos posso colocar até 100 imagens diferentes. A pessoa vai ver o álbum sem cansar", esclarece.

Para facilitar a montagem, o Magic Studio trabalha com máquinas digitais. "No sistema digital o fotógrafo pode mexer nas fotos e fica com domínio das imagens. O laboratório só vai imprimi-las", observa. Apesar das vantagens do digital, Wagner acredita que o cliente ainda sente necessidade do álbum em papel. A mudança na montagem dos álbuns foi inspirada na expectativa do mercado. "Percebi que os clientes achavam os álbuns todos iguais, só mudando o ano do aniversário", diz.

Sem stress

Transformar o álbum numa peça de exposição, num porta-retrato, é a idéia do fotógrafo Tarcísio Menezes. Impressa em tecido que imita tela, a foto-tela é montada na capa do álbum. "É uma maneira de colocar o álbum num lugar privilegiado da casa", diz. Tarcísio trabalha com encadernações clássicas, em formato 15 x 21 ou 20 x 25 cm, com as fotos coladas uma na outra e intercaladas com papel de seda. "Há quem utilize plástico entre as fotos, mas, com o passar do tempo e o álbum guardado em local fechado, a foto pode transpirar e criar fungos. O papel de seda tem a função de tirar a umidade e pode ser trocado quando danificado", explica. Tarcísio não faz o álbum de provinhas: amplia todas no tamanho escolhido e a mãe seleciona as melhores.

Fotográfo há 12 anos, Tarcísio dedica-se a festas infantis desde que seu filho nasceu, há nove. Segundo ele, o fotógrafo funciona como os olhos dos pais na festa. "Os pais estão ocupados durante a festa e, quando olham o álbum, ficam surpresos em ver como o filho se divertiu", garante. Tarcísio não estabelece uma quantidade fixa de fotos. "Há aniversariantes que passam a festa toda no videogame, e só no fim vão brincar e, então, posso fotografá-los", explica. Ele chega meia hora antes do início da festa para fazer as fotos tradicionais (na mesa, com os pais e avós). "Faço essas fotos antes que os convidados cheguem e a festa entre no ritmo. Elas são o esqueleto do álbum, e se não ficarem boas, o álbum perde. Depois, no decorrer da festa, não estresso a criança. O fotógrafo está lá para registrar e não para pedir para ela parar de brincar para fotografá-la", ensina. Apesar da concorrência com os vídeos, Tarcísio acredita que as fotos têm lugar garantido. "Olhar um álbum é como um filme passando na cabeça.Lembra-se do passado e projeta-se o futuro. Além disso, investir num belo álbum uma vez por ano é melhor do que gastar em muitas fotos durante um ano de vida da criança", sentencia.

Especial

Guilherme Lefèvre, da Kaleidoscópio, trabalha com fotografia e vídeo para festas infantis há 15 anos. Na sua opinião, os pais ainda preferem as fotos clássicas, de preferência com grandes closes da criança, montadas em álbuns no estilo mais tradicional, intercaladas com papel de seda. "Os pais identificam a qualidade do profissional pelo equipamento, com flash e grandes lentes. Alguns pedem fotos digitalizadas no máximo para enviar para os amigos via Internet", opina. Mas, ele sabe que é preciso oferecer novidades, principalmente em relação aos álbuns. "Temos um mais descontraído, com ampliações de tamanhos diferentes e coladas com cantoneiras" , conta.

Na opinião de Guilherme, a postura do fotógrafo não pode mudar. "O fotógrafo deve ficar na festa como um caçador, esperando os melhores momentos para fotografar. A regra é não incomodar a criança", explica. Para que a criança não estranhe a presença do fotógrafo, ele deve chegar com antecedência . "Nunca deixamos de fotografar uma criança por ela estar irritada. O fotógrafo deve esperar", afirma. Seus fotógrafos passam por um estágio para entender a "linguagem" das festas infantis antes de começar a trabalhar. "Existe um padrão de comportamento nas festas de crianças que é completamente diferente de qualquer evento. É preciso saber lidar com situações complicadas e gostar muito de crianças. Enfim, ser um fotógrafo especial", finaliza.

Cenas

Mesmo o álbum tradicional precisa oferecer um atrativo a mais para os pais. Maria Luisa Gasulla, proprietária da Rafa Produções, abre o álbum com uma montagem de várias cenas importantes da festa. "Utilizamos fotos digitais para produzir a montagem, que é um presente que oferecemos aos pais", conta. A empresa trabalha com álbuns encadernados, tipo maleta com alça. Normalmente, a mãe seleciona 50 fotos. De acordo com a preferência dos pais, fotos coloridas podem ser ampliadas em preto e branco. Para aniversários de crianças maiores, Maria Luisa oferece uma solução mais econômica: 140 ampliações 10x15 cm, sem montagem.

Há 15 anos fotografando festas infantis, Maria Luisa percebeu que as mães preferem fotos que mostrem closes e a espontaneidade do aniversariante. Para alcançar esse objetivo, ela acredita ser preciso ter paciência e jogo de cintura para conquistar a criança. "O fotógrafo nunca deve forçar um sorriso, porque senão a criança vai dar aquele sorriso amarelo" , esclarece.

Muitas opções

Genésio Bezerra Netto, proprietário da Central de Eventos, costuma dizer que a mãe do aniversariante pode tudo quando se trata de fotografia. "Escolhidas as fotos, elas podem ser ampliadas em preto e branco, ou em papel metalizado, que dá impressão de mais vida à foto, ou nos tradicionais papéis brilhante ou fosco", diz. Para complementar o trabalho, há a foto-tela (impressa em canvas, um tipo de lona, ou no gloss paper, material brilhante, geralmente em 40x50 cm. Para o local da festa, Genésio amplia uma foto da criança no tamanho 30 x 40 cm (para o conhecido pôster de assinatura) , deixando uma margem de 10 centímetros de cada lado para que os convidados deixem a mensagem para o aniversariante.

Eduardo Castellani, da Miragem Pró, também tem várias opções de fotografia. O álbum tradicional é mais procurado, segundo ele, para aniversários de um ou dois anos. Uma variação mais econômica é o álbum 13x18 cm com folhas pretas e cantoneiras para fixar as fotos. Para clientes que fecham um "pacote" de foto e vídeo, a Miragem entrega também as fotos em CD .

Já a ACL Vídeo está apostando na tecnologia. Para Adolfo Carlos Lembo, proprietário da empresa, a foto digital permite total manipulação da imagem, que pode ser transformada em preto e branco, sépia ou aproximada com zoom. " É possível até corrigir o foco na estação gráfica", afirma. As fotos são finalizadas em CD , mas podem ser impressas em papel, em até 24 x 30 cm, "com um resultado surpreendente, até melhor do que a foto convencional", garante.


Convencional

Há quem ainda aposte mais no bom e velho negativo. Para Luciano Zanin, da WE Fotografia, que tem uma equipe de quatro fotógrafos, a maior parte dos clientes procura o álbum encadernado, com um registro geral da festa, além das fotos espontâneas da criança. Wilson Roberto Vieira, do Studio Wilson, acredita que pode variar o material de revestimento da capa dos álbuns ou o papel utilizado na ampliação (como o metalizado), mas o trabalho convencional sempre é o mais pedido. Também é o caso da Tayo Foto e Vídeo. Para Roberto Shunyti Abe, neto do fundador e terceira geração de fotógrafos da empresa, as mães ainda preferem os álbuns encadernados com capa revestida em couro tipo croco, a ter que ver as fotos do aniversário do filho no computador. Além dos já conhecidos posters de assinaturas, a Tayo está relançando um tipo de foto muito usado no passado: a multifoto, com sete poses, geralmente em preto e branco, feitas no primeiro aniversário da criança. As fotos são tiradas em estúdio e os pais escolhem as sete melhores que depois são montadas numa ampliação 40x50 cm.

 

Buffet infantil só faz festa?

Buffet infantilnão é lugar só de festa. Como ordem é
casa cheia todos os dias, o espaço de um buffet pode receber lançamentos de produtos, desfiles de modas ou produções fotográficas. É uma maneira de o buffet firmar a sua marca e não ficar ocioso, principalmente pela manhã ou à tarde, nos dias úteis da semana. Afinal, a decoração e as instalações de um buffet infantil valorizam eventos e produtos, especialmente se forem destinados a crianças.

O Mega Party, por exemplo, já foi palco de eventos. Na inauguração da unidade dos Jardins, foi realizado um desfile de modas da grife infantil "O Bicho Comeu", que pertence a Solange Meneghel, irmã da apresentadora Xuxa. Ela queria promover um evento em São Paulo para tornar o nome da grife conhecido na cidade e optou pelo buffet. Coincidiu com o que pretendia Andréa Chinaglia Bizutti, proprietária do Mega Party, que buscava alguma coisa diferente para a inauguração.

O desfile foi todo organizado pelo buffet, desde a contratação das modelos-mirins até a parte técnica, como iluminação e construção da passarela. Segundo Andréa, a idéia valeu a pena pela originalidade. "Inaugurar buffet com aniversário de filho de artista já está um pouquinho batido", argumenta. Além do desfile, o Mega Party serviu de cenário para outros eventos, como o lançamento da linha de infláveis da Barbie aos representantes da marca; de novos chocolates da Nestlé; e do disco da cantora teen Camila Titinger.

Público direcionado

Mães que procuram o buffet para o aniversário dos filhos costumam servir de "ponte" para a realização de eventos diferentes no espaço tradicionalmente usado para festas infantis. Foi o que aconteceu com o Funny Days. "Uma das proprietárias da confecção Spezzato veio procurar o buffet para a festa da filha e acabou escolhendo o Funny Days também para o lançamento da coleção teen da marca", lembra Márcia Novaes, sócia do buffet junto com Paula de Oliveira e Rosely Taniwaki.

A proposta era diferente e interessante. Reunir os clientes da confecção - mães e filhos – que são clientes em potencial do buffet.

A Spezzato Teen é uma confecção de roupas para meninas de oito a 18 anos. "É preciso analisar qual público irá ao evento, e se a marca trará algum benefício para nós", lembra Márcia. Resultado: o desfile reuniu 300 pessoas e foi um sucesso para as duas partes. Márcia sabe que o Funny Days tem espaço para abrigar outros eventos, mas toma cuidado em selecionar os que melhor se adaptam ao objetivo principal do empreendimento.

Alternativa

Buffets infantis são cenários ideais para desfiles de moda infanto-juvenil, lançamentos de produtos ou fotografias publicitárias. "O Aquarella, pelo espaço e iluminação que oferece, sempre foi muito requisitado para esse tipo de trabalho", conta Anete Fernandes, a proprietária. Anete recorda-se de muitos eventos que foram feitos no buffet, desde quando ele funcionava na rua Bento de Andrade: lançamentos de biscoitos Bauducco, e da coleção de roupa de cama da Santista; filmagem de comercial para televisão das Casas Pernambucanas; fotos para catálogo de roupas da confecção infantil Big Play; e até uma filmagem para o programa do Faustão. "Para os publicitários, por exemplo, é ótimo poder expor o produto num buffet infantil", afirma Anete.

Segundo ela, os buffets ainda são pouco aproveitados como espaços alternativos, muitas vezes por falta de divulgação. "O buffet é um prestador de serviços e tem de oferecer o que o cliente procura", completa.

Casa de cultura

A Casa Tupiniquim Festas e Afins já nasceu com a idéia de ser, além de um buffet, um espaço de cultura infantil, resgatando os temas do folclore nacional. As proprietárias, Mariana Ramos e Ângela Soares, costumam usar o local para lançamentos de livros e eventos com contadores de histórias infantis.

Entre os profissionais do meio editorial o espaço é bem conhecido, já que Mariana é neta do escritor Graciliano Ramos. A Casa serviu de cenário, por exemplo, para o lançamento do livro "A N@ve de Noé", escrito por 10 descendentes de Graciliano Ramos e de Jorge Amado. Amigos e primos (já que James Amado, irmão de Jorge, é casado com Luiza, filha de Graciliano) moram em São Paulo, Brasília e Salvador e trocaram mensagens eletrônicas, via Internet, que resultaram no livro. O enredo é voltado ao público infanto-juvenil, com muita ação e mistério.

O buffet também costuma promover eventos com um fim social. Foi o caso da Festa da Cidadania: Mariana e Ângela abriram a Casa ao público e promoveram oficinas de construção de brinquedos com sucata. "Foi uma iniciativa para mostrar que temos consciência da necessidade da reciclagem do lixo", afirma Mariana. Aliás, a Casa Tupiniquim também abriga oficinas fixas. Semanalmente, crianças fazem aulas de capoeira. Conforme a procura, acontecem também aulas de artes plásticas, música e dança criativa. "Não somos só um buffet. Precisamos firmar a nossa diferença e usar cada vez mais o espaço para outras atividades", completa Mariana.

Mágico de Oz

Até produtos voltados para o público adulto podem utilizar com sucesso as instalações de um buffet infantil para lançamentos. Foi o caso da Lancôme, que apresentou a linha primavera-verão de maquiagens no Happy Day. As cores fortes das sombras, batons e outros itens tinham como tema a história do Mágico de Oz. As bexigas amarelas, laranjas e vermelhas completavam-se com a mesa do bolo decorada também com o tema (incluindo a estrada de tijolos amarelos por onde caminham os personagens "Dorothy", "Espantalho", "Homem-de-Lata" e "Leão Covarde"). O resultado atendeu o que a empresa procurava: um espaço diferente e original para um lançamento inspirado num tema infantil.

A Lancôme escolheu o buffet para dois eventos. O primeiro reuniu a imprensa para apresentar as novas maquiagens; o segundo foi voltado para revendedores e maquiadores, onde promotoras davam verdadeiras aulas de maquiagem. O buffet entrou com o espaço, a decoração, a alimentação e o serviço - mesmos itens oferecidos para uma festa infantil. Um exemplo de que, se há vaga na agenda, o buffet pode abrir suas portas para acontecimentos diferenciados.

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