MATÉRIA REVISTA Nº16

Carta ao Leitor

Produzir efeitos cinematográficos. Essa é a proposta de algumas empresas para transformar festas infantis em eventos grandiosos. Raio laser, canhões de luzes, chuva de confetes, bolhas de sabão são apenas alguns dos artifícios utilizados para garantir o sucesso da festa, juntamente com esculturas gigantescas ou revoadas de balões. Quanto mais efeitos especiais nas fachadas externas, maior a atração de crianças e adultos. Vale à pena? Pais e profissionais garantem que sim.

Alguns buffets infantis, preocupados em agradar os clientes e se destacar frente à concorrência acirrada, criaram "pacotes" mais "reforçados", ou seja, acrescentaram almoços, jantares, mesas de doces ou de saladas, gincanas, recreação e personagens sem aumentar o custo. A Revista Festas Infantis falou com alguns deles. Conheça-os.

Se você achava que personagem serve só para recepcionar os convidados na entrada da festa, saiba que, agora mais teatrais, eles dão um show, e podem até substituir outras atrações.

Para uma comemoração original, onde as crianças brincam de modo diferente, a Revista dá a dica: escolas de culinária, de futebol, de arte e de natação abriram espaço também para festas e mostram que são uma opção interessante para uma reunião mais econômica.

E para os adolescentes, que querem uma comemoração bem diferente, a Revista Festas Teens revela as casas de jogos em redes que também aderiram ao "parabéns". O difícil é achar um tempinho para cantá-lo.

E mais: para as debutantes, uma prova de que o sonho nunca acaba. Vale tudo, de velinhas a discoteca, de vestidos longos a mesas coloridíssimas. O importante é comemorar.

MATÉRIAS

Tem festa ao lado da escola!

Que venham os adultos

Acabou a festa. Ai que fome!

Para o dia seguinte

Um tema. Da entrada a lembrancinha.

Buffet. Ainda vale a pena ter um?

 

Tem festa ao lado da escola!

Para um buffet infantil não há melhor vizinho do que uma
escola. Afinal, é lá que estão os maiores clientes, as crianças. E nada mais prático para os pais do (a) aniversariante e convidados do que oferecer a festa ao lado da escola, principalmente se a idéia for fazer um "pacote escolar". Nada de se preocupar com condução, ou com o trânsito. As crianças vão a pé para o buffet. Não é uma farra?

Um buffet estrategicamente instalado na vizinhança de escolas é o Mega Party. Suas duas unidades têm colégios vizinhos: a dos Jardins, na alameda Itu, é colada no Dante Alighieri e fica a dois quarteirões da Saint Hilaire, na rua Peixoto Gomide; e a de Higienópolis fica próximo às duas unidades da Carlitos. Andréa Chinaglia Bizutti, proprietária do Mega Party, vê com bons olhos a proximidade com os colégios. "É uma maneira de economizar com o transporte. Além disso, a criança pode chegar em cinco minutos na festa, sem ansiedade nem trânsito," comenta.

Além da facilidade para os pais e crianças, o trajeto a pé até o Mega Party transforma-se em uma prévia da festa. "A festa começa já na porta da escola", lembra Andréa. No caminho da escola para o buffet, uma equipe de monitores uniformizados conversa com as crianças e vai adiantando o tema da festa, as brincadeiras e as guloseimas que elas vão encontrar. No mínimo, oito monitores, com bandeiras e uma corda colorida, que funciona como cordão de isolamento, acompanham as crianças, cantando bordões do buffet. "O cordão de isolamento colorido é uma forma segura de andar com as crianças, além de ser engraçada. Dizemos que é o trem do Mega Party que está chegando na festa", diz. Justamente por causa da corda e da participação dos monitores, muitas crianças fazem questão de ir a pé para a festa e dispensam a presença dos pais.

No Mega Party o sucesso do trajeto a pé vai rendendo frutos. A terceira unidade do buffet, prevista para ser inaugurada no final de fevereiro na rua Dr. Renato Paes de Barros, Itaim Bibi, está sendo instalada perto do Pueri Domus, que fica na rua Itacema. Andréa está se programando para oferecer o mesmo esquema nos "pacotes escolares": "Numa cidade como São Paulo, tudo o que for feito para facilitar a vida das pessoas e economizar tempo é bem-vindo", sintetiza.

Transporte incluído

Quase em frente ao buffet Era uma vez um Gato Xadrez fica a escola CEB - Comecinho de Vida, em Moema. O "pacote escolar" (30 crianças e 10 adultos) prevê a retirada das crianças na escola e a condução, a pé, para a festa. O número de monitores depende da quantidade de crianças. "Geralmente, sete a nove conduzem as crianças numa espécie de corrente, de mãos dadas. Pelo menos dois param o trânsito para que as crianças atravessem a rua", conta Dora Bittencourt, sócia do buffet com Rosa Ribeiro.

Para garantir que o transporte seja feito com tranquilidade e segurança, o buffet investe constantemente no treinamento dos monitores. Para Dora e Rosa, a proximidade com a escola só traz vantagens. "O cliente está na nossa porta", completam. As duas têm percebido, inclusive, uma preocupação dos pais em encontrar buffets que ofereçam transporte quando a escola não é tão próxima. Recentemente, elas foram contratadas para realizar uma festa para crianças do Colégio Porto Seguro, no Morumbi. O buffet se encarregou de contratar um ônibus escolar para o transporte do Morumbi a Moema. "Agora, o transporte com ônibus faz parte da nossa festa escolar. Se os pais quiserem, colocamos um monitor para acompanhar as crianças no veículo", finaliza Dora.

Relação de confiança

Um trajeto divertido e com muita segurança é a preocupação do buffet Fanikito, vizinho da Escola Nova Lourenço Castanho, na Vila Nova Conceição. Os alunos de até seis anos formam o maior público do buffet. Nos "pacotes escolares", o Fanikito retira os convidados no Lourenço Castanho. "A mãe autoriza a saída das crianças com os monitores ao meio-dia ou no final da tarde. Quando a festa é de manhã, o procedimento é inverso: levamos os pequenos do buffet para a escola, cada um com sua mochila", explica Cristina Buchaim, sócia do buffet com Beatriz Kouak.

Independente do horário, o trajeto entre a escola e a festa é feito sempre com a presença da gerente, do segurança do buffet, e de no mínimo sete monitores e mais os seguranças da escola. "É uma grande escolta, da qual participam também os pais do aniversariante", conta a proprietária do Fanikito. Os seguranças do colégio ajudam a interromper o trânsito para que as crianças atravessem a rua. Quando todos estão do outro lado da calçada, a responsabilidade as crianças fica por conta do buffet até a chegada à festa. Crianças de dois a quatro anos não fazem o trajeto a pé, porque são acompanhadas pelos pais ou babás.

Há seis anos, Cristina e Beatriz estão no comando do Fanikito e fazem festas para alunos do Lourenço Castanho praticamente todas as semanas. Na opinião de Cristina, a proximidade da escola é uma grande vantagem e gera uma relação de confiança e segurança entre o buffet e os pais dos alunos. "Ficamos familiarizados com os pais e as crianças, e eles com o pessoal do buffet. As crianças gostam de reconhecer o seu espaço e se não encontram algum monitor na festa perguntam o que aconteceu. Os pais conhecem nosso compromisso de alimentar bem. Acomodamos os pequenos nas mesas e os monitores se preocupam em servir o que cada criança mais gosta de comer", garante.

Que venham os adultos..

Festa de criança também é lugar de adulto. Então, por
que não pensar em atrações especiais para os "maiorzinhos"? Algumas empresas já estão oferecendo entretenimento para os adultos enquanto as crianças aproveitam a festa. Afinal, os adultos também querem se divertir, e não só se deliciar com as gostosuras da festa ou colocar a conversa em dia.

Uma equipe que trabalha em festas infantis visando justamente a diversão dos adultos é a Tóim Caricaturas. O grupo utiliza um "uniforme" de cirurgião plástico: avental branco até o joelho, touca, máscara, óculos enormes e uma gravata engraçada. "Na verdade, o caricaturista é um cirurgião plástico, só que ao contrário. Trabalhamos ressaltando e exagerando os traços mais marcantes da pessoa", conta Carlos Eugênio de Mesquita, um dos oito caricaturistas da Tóim, que há quatro anos trabalha em festas.

A idéia surgiu quando Carlos, então analista de crédito com uma rotina estressante, teve um problema cardíaco e resolveu mudar radicalmente de vida. Partiu para fazer o que mais gosta: desenhar. Passou a se aperfeiçoar até que, com um grupo de amigos também desenhistas em uma churrascaria, começou a fazer caricaturas. A mesa "dos desenhistas" atraiu a atenção de outros clientes, que começaram a pedir caricaturas. Resultado: o grupo saiu de lá contratado por três meses para desenhar os clientes da churrascaria . Daí para as festas infantis foi um pulo. Segundo Carlos, crianças de até cinco anos geralmente não se interessam por caricaturas: "Temos de ficar correndo atrás da criança para fazer o desenho."

Entre os adultos, a diversão é garantida. "A aceitação é grande. De 400 convidados, apenas 10 não se deixam desenhar", garante Carlos. Os convidados não precisam ir até o caricaturista pedir o desenho. Os caricaturistas da Tóim circulam entre as mesas, oferecendo o trabalho. Ele ressalta, porém, a importância da abordagem. "Perguntamos se ela aceita ser desenhada e sempre brincamos com a cirurgia plástica, dizendo que vamos tirar os pés de galinha, melhorar o cabelo e colocar Botox na caricatura", conta.

Os homens entre 40 e 60 anos são os mais brincalhões, na opinião do pessoal da Tóim. As mulheres costumam ser mais arredias e, também, mais difíceis de desenhar. "Cada pessoa tem uma particularidade, um traço marcante. O caricaturista deve captar e passar para o papel", conta Carlos, completando que sempre há o cuidado de não humilhar nem constranger o convidado. "Sabemos com quem podemos brincar", ressalta.Nas festas infantis trabalham, no mínimo, três integrantes do grupo: dois caricaturistas e um auxiliar. Os desenhos são feitos em papel de formato A3 com caneta piloto e cada caricaturista faz de 25 a 30 caricaturas por hora.

Superlembrancinha

Oferecer atração também para os adultos da festa agrada. "É uma maneira de mostrar que o dono da festa lembrou de todos e não só das crianças", acredita o caricaturista Ivo Fávero, contratado para festas infantis muitas vezes apenas para desenhar os adultos. O desenhista tem notado que as mães definem com facilidade os shows e atrações para as crianças, mas que na hora de escolher alguma coisa para os adultos encontram dificuldades. "As mães não querem deixar os adultos a festa inteira só comendo e bebendo", lembra.

Para Ivo, as crianças pedem para ser desenhadas simplesmente porque gostam de desenho. "No trabalho com os adultos, a interação é maior. Eles pedem para inserir na caricatura alguma característica ligada à profissão ou a algum hobby . É importante brincar com o histórico do retratado", explica Ivo que nunca encontrou barreiras para fazer caricaturas de convidados. Teve oportunidade de encontrar "famosos" e retratá-los. Foi o caso da apresentadora Fabiana Saba, do casal César Filho e Elaine Mickely e do padre Antonio Maria. As caricaturas são feitas em papel e a lápis. Um fixador spray é aplicado sobre o desenho para que o grafite não borre. Embaladas em sacos plásticos, as caricaturas transformam-se numa lembrança inesquecível. " Adulto também adora ganhar lembrancinha", conta.

MÁGICA NAS MESAS

Outra atração que é sucesso entre adultos é a mágica. Mas não em shows onde o mágico tira o coelhinho da cartola ou faz aparecer a moeda de trás da orelha. O que tem atraído a atenção dos marmanjos nas festas infantis é um estilo de mágica conhecido como close-up. O termo vem de micromagia (de perto) e tornou-se popular no Brasil pelos números do norte-americano David Blaine mostrados no "Fantástico", da Rede Globo. "São números fortes, como fazer sumir o relógio de um convidado enquanto se conversa com ele, entremeados com um humor inteligente e sutil, sem jamais expor a pessoa a situações ridículas", explica Marco Antonio Gonçales Zanqueta, o Marco Mágico, que há dois anos vem percebendo um aumento na procura por esse tipo de show.

Marco não deixa de fazer o show para crianças, com mágicas de salão e a presença de animais, como pombos, coelhos, marrecos, poodles e um sheep-dog. Em novembro, por exemplo, Marco fez 40 festas e em 15 apresentou o show de close-up. Marco explica que em festas maiores costuma fazer dois "espetáculos": um para as crianças e um para adultos. No aniversário da filha do apresentador Fausto Silva, Marco "divertiu" os adultos, mas havia shows para crianças. "A grande maioria não conhece esse tipo de show e tem uma visão muito infantil da mágica. Há até um certo preconceito de que mágica é ligada ao circo", acredita Marco, que trabalha como mágico há 16 anos.

Mas, como funciona um show de close-up? A diferença em relação a apresentação para crianças começa na roupa do mágico. Enquanto no infantil Marco veste-se de maneira tradicional, com gravatinha borboleta, no de adultos usa um traje todo preto e mais despojado. Circula entre as mesas abordando os adultos e, muitas vezes, os convidados nem sabem que ele é mágico. "A interação tem de ser rápida. Fico em média cinco minutos numa mesa; o segredo é perceber se as pessoas estão receptivas à abordagem. Afinal, sou o fator surpresa na festa", explica.

Marco faz cerca de uma hora de exibições entre todos os grupos de convidados. "Não posso saturar o público. É preciso deixar os convidados com um gostinho de quero mais", diz. Entre os números que mais agradam estão o que faz uma nota levitar sobre a mão da pessoa; a transformação de uma nota de um real em uma de cem a 30 centímetros dos olhos do espectador; e objetos que aparecem e se multiplicam misteriosamente.

Perto dos olhos

A própria arquitetura dos buffets tem favorecido shows direcionados especialmente para os adultos. "Todo buffet tem a sala dos pais, uma área reservada, geralmente envidraçada e com um bar. Quem fica nesse espaço acaba não participando da festa", comenta Walter Sato, o mágico Ossamá do grupo The Oriental Magic Show. Por notar a falta de entretenimento para os pais, o grupo começou a apresentar a mágica close-up. "As mães têm pedido mais opções de shows para os adultos", conta.

O show tem 50 minutos: o mágico percorre mesa por mesa, surpreendendo os convidados com números com baralhos, moedas, lenços e dados. "Nem a 30 centímetros dos olhos se consegue desvendar o segredo do mágico", orgulha-se. O close-up faz parte da mágica de manipulação, segundo Ossamá a parte mais difícil da arte mágica.

Normalmente, apenas um mágico do grupo trabalha em uma festa infantil para um show close-up. No caso de festas maiores os três integrantes do The Oriental Magic Show (Ossamá, Phanton e Fujikan) atuam juntos. O grupo está em atividades há 13 anos. "Mesmo na apresentação tradicional trabalhamos com o objetivo de divertir todos os convidados", conta Ossamá. Tanto que muitos shows são realizados em aniversários de um ano. "Neste caso, quem participa mesmo são os adultos", diz. Na opinião do mágico, as crianças ficam entretidas em mágicas de grandes ilusões (como a bola que flutua) ou no show dos Magic Ninjas, um sucesso do Oriental Magic, com uso de lanças e artes marciais.

estátuas vivas

Boneco ou gente? O trabalho com a técnica da estátua viva, realizada pela Dupla Brincco, faz com que os convidados fiquem em dúvida se eles são de verdade ou simplesmente bonecos. A dupla, formada pelos atores Marcila Mass e Roberto Riso faz esse trabalho há mais de três anos, surpreendendo crianças e adultos.

O figurino pode ser escolhido pelos pais entre três opções: neoclássico, com maquiagem e roupa toda branca; branco com detalhes dourados (como cinto e adereços da roupa); e futurista (com o ator completamente prateado). Segundo Marcila, a dupla demora 2h 30 para se produzir.

A dupla recepciona os convidados na porta por uma hora e depois entra no salão utilizando a técnica da vitrine viva. "Não piscamos e andamos como bonecos para não quebrar a magia de parecermos de brinquedo. Às vezes, fazem piada para tentar fazer com que a gente dê risada. Mas, encarnamos o personagem: somos estátuas." diz.

Estátuas não riem, não piscam, não respiram. Para as crianças, os atores são realmente bonecos. E, na opinião de Marcila, até os adultos se envolvem "Eles sabem que somos atores mas nos veêm como estátuas" explica Marcila, que lembra o caso de um rapaz que teve de chegar bem perto para perceber que eles eram de carne e osso. "O maior retorno é quando um adulto demora para notar que somos de verdade", completa.

Além da participação como estátuas vivas, os atores oferecem para festas infantis um show com esquetes cômicas, que varia conforme a faixa etária das crianças. Os adultos sempre são envolvidos na brincadeira para garantir que todos se divirtam. "A participação dos adultos acontece sempre de maneira natural, com um humor saudável", assegura Marcila.

Acabou a festa. Ai que fome!

Mãnhêêê, tô com fome!". Que atire a primeira
pedra a mãe que nunca escutou uma reclamação dessas ao sair de uma festa. Mesmo depois de mesas cheias de salgadinhos quentinhos, apetitosos cachorros-quentes e deliciosos docinhos, restam duas opções: parar na primeira lanchonete para comprar hambúrguer com batatas fritas ou fazer um lanche reforçado para as crianças quando chegar em casa.

Essa situação é comum mesmo quando a alimentação na festa é farta. As crianças brincam tanto que esquecem-se de comer - e o estômago resolve reclamar só quando a festa acabou.

Pensando nesse problema alguns buffets já estão criando condições para que as crianças não se lembrem de comer apenas quando estiverem a caminho de casa. Fabiana Tolosa, proprietária do Toys & Dolls, por exemplo, já viveu muitas experiências desse tipo com as filhas Carolina, de cinco anos, e Aline, de 10. "Mesmo que o buffet fosse ótimo, elas não comiam e eu era obrigada a parar em algum McDonald’s na saída da festa", lembra. Por isso, resolveu inovar. No final da festa, um monitor fica na porta entregando uma maletinha plástica com um lanche reforçado para cada criança. O esquema é o mesmo em qualquer tipo de festa: um lanche com cachorro quente, bolinho industrializado de chocolate, achocolatado e guloseimas, como balas ou chiclete, "porque ninguém é de ferro", diz Fabiana.

Segundo a proprietária do Toys & Dolls, a maletinha tem feito tanto sucesso que algumas mães nem encomendam lembrancinhas. Fabiana, entretanto, faz questão de frisar que a intenção não é substituir a lembrancinha, mesmo porque não há nenhum brinquedo dentro. "Fizemos um lanche para a criança comer no carro ou quando chegar em casa. A decisão fica a critério dos pais. Foram escolhidos itens que as crianças gostam e que não precisam estar quentes para comer. A lembrancinha, ao contrário, deve ser uma escolha pessoal da mãe", conclui.

Chá e leite à vontade

Outro buffet que tem se preocupado com as crianças que saem da festa de estômago vazio é o Circo Circu’s , que mantém uma mesa na recepção com biscoitinhos amanteigados, balas e pirulitos, além de chá mate com limão e leite com chocolate gelados. Há pouco mais de um ano, quando o buffet foi inaugurado, o lanche ficava à disposição dos convidados apenas na saída da festa. Porém, a idéia da mesa fez tanto sucesso, que começou a ser montada desde o início da festa. O chá e o leite ficam em refresqueiras, como as usadas em lanchonetes para sucos. "Deixamos copos descartáveis na mesa e as próprias crianças vão se servindo. No final, colocamos também o café. Muitas vezes até os adultos esquecem o café e ficam com o chá ou o leite ", conta Patrícia Dal Sasso Gonçalves, sócia do buffet com seu marido, Antonio Carlos Cortez Gonçalves e mais o casal Pedro de Paula Netto e Elisabeth Regina.

O cuidado do Circo Circu’s com a alimentação explica-se pela profissão de dois de seus sócios: Antonio Carlos é pediatra e Pedro, dentista. Pedro e Elisabeth têm uma filha de 10 anos e também se cansaram de parar no McDonald’s depois de alguma festa. "Aqui, orientamos os monitores e copeiras para que insistam com as crianças para que elas comam", conta Pedro. Foi assim que surgiu a idéia da mesa com leite e chá. "Ela não substitui a mesa de balas. É apenas uma solução para as crianças que não comem na festa", finaliza Patrícia.

Para o dia seguinte

Mas, nem só as crianças merecem ser lembradas no final da festa. Os pais do(a) aniversariante, com a responsabilidade de dar atenção a todos os convidados, dificilmente conseguem comer bem e experimentar a variedade de salgadinhos e docinhos. Já é praxe entre os buffets embalar para a família o que sobrou da festa.

O buffet Ki Folia, instalado no Tatuapé há dois anos, resolveu fazer diferente. Ao invés de apenas embrulhar o bolo, docinhos e salgadinhos, prepara uma cesta de vime com um bolo inteiro de em média um quilo e meio e embalado numa caixa, no mesmo sabor do escolhido para a festa. Os doces e salgados são acondicionados em bandejas descartáveis, fechadas com filme plástico podendo até ser congelados. A cesta é embrulhada em papel celofane, arrematado com um laço de fita.

"Já oferecíamos para a família o que havia sobrado. Há algum tempo tivemos a idéia de dar uma cara mais bonita aos pacotes e pensamos em uma cesta", conta Rosana Santos, proprietária do Ki Folia. "Seja qual for o tamanho da festa, oferecemos a cesta. Costumamos dizer que a cesta da mãe é sagrada", conclui Rosana.

Um tema, da entrada à lembrancinha

Uma mesa colorida cheia de personagens e
docinhos, balões pelo salão e saquinhos de guloseimas para os convidados. Foi-se o tempo em que bastavam esses itens para decorar um aniversário infantil. Atualmente, a criatividade das empresas especializadas na decoração de festas infantis transforma o salão em um grande show, da entrada ao local das lembrancinhas, passando pela mesa do bolo - na verdade um grande "cenário" - e pela de balas (um dos itens preferidos pelas crianças).

Os pais estão cada vez mais exigentes com a decoração - e não se contentam com pouco. "Quando fiz a primeira festa de meu filho Gabriel em buffet optei por uma mesa do "pacote". Depois, conheci trabalhos diferenciados e hoje procuro uma decoração completa, que deixe a festa com a minha cara", diz Maria Rita Zambello. No último aniversário do garoto, de quatro anos, no buffet Planet Mundi, Maria Rita escolheu o tema Toy Story II, utilizado pela decoradora Fabíola Lombardi na mesa-cenário e no canto das lembrancinhas. Na entrada do buffet, balões em formato de cactos feitos pela Guacirema Balões indicavam o tema da festa. Os personagens principais do desenho - Buzz Lightyear e Woody - vieram da Estação Felicidade. Eles divertiam as crianças pelo salão e completavam a tematização. "Acredito que para as crianças os brinquedos e a diversão vêm em primeiro lugar. Para os pais, entretanto, a decoração é o mais importante", afirma Maria Rita.

Fabíola Lombardi, que há seis anos trabalha com decoração, vem percebendo que os pais procuram cada vez mais qualidade. "Todos querem ver o filho feliz. Sinto-me responsável por realizar o sonho da festa de aniversário, e procuro realizá-lo da melhor maneira possível, sem esquecer os mínimos detalhes", diz. Para a decoradora, quem a procura sabe que pode encontrar uma decoração completa. "Mudo a "cara" do buffet ou do espaço, muitas vezes com um minucioso trabalho de cenografia, caracterizando o lugar de acordo com o tema escolhido", explica. O "Circo", por exemplo, é um dos preferidos para aniversários de um ano. Já na entrada, um malabarista e o homem da perna-de-pau deixam antever o que será a festa. A artista também explora a fachada com cenários de madeira, que servem para a entrada dos convidados "transportando-os" para o mundo dos sonhos do aniversariante.

Optar pela tematização pode fazer de uma festa um mega evento. Fabíola já colocou até um camelo e árvores naturais com cinco metros de altura numa festa árabe, fazendo da quadra de futebol disponível no espaço um verdadeiro oásis. Para uma festa da "Bela e a Fera", a entrada foi decorada como uma floresta e móveis idênticos ao do desenho enfeitavam a recepção. Dentro do salão, Fabíola reproduziu a cidade da "Bela", com direito a chafariz e personagens do filme.

É possível escolher um tema sem fazer da festa uma superprodução. Um dos trabalhos preferidos para combinar com o tema é a mesa de guloseimas. Fabíola coloca balas e pirulitos, maçãs do amor, algodão doce, balas de gelatina, muffins, pirulitos de chocolate para deixar todos com água na boca.

Harmonia

Para Andréa Guimarães, artista pástica conhecida por mesas de grande porte, os pais procuram, cada vez mais uma melhor relação custo-benefício. "Eles não se contentam mais com uma decoração simples. Querem dar glamour à festa, porém com um preço justo", esclarece. É fundamental, na opinião de Andréa, que tudo combine para que a decoração não fique carregada. "É possível trabalhar com qualquer tema, desde que haja harmonia e bom gosto." O espaço deve se adequar ao tamanho das peças que irá receber. "Adapto sempre o cenário do buffet à decoração escolhida." As mesas, de nove metros, destacam-se pela riqueza de detalhes e bichos de pelúcia autênticos.

Andréa está acostumada a fazer a festa desejada pelas crianças. Foi assim que nasceu o tema baseado no desenho Lilo&Stitch. A história da menininha havaiana e de seu amigo vindo de um planeta distante. Ela era a preferida de uma cliente que passou as férias no Hawaí. A criança só queria Lilo & Stitch na festa. A decoradora criou um tema baseado no Hawaí e nos personagens do desenho. A estampa de folhas do vestido da personagem, por exemplo, foi reproduzida na toalha da mesa. Vulcões, coqueiros naturais e elementos que lembram praia e verão enfeitavam a mesa principal. Um cenário de praia, com pranchas de surf, foi montado no canto das lembrancinhas. Duas "havaianas" recebiam os convidados como manda a tradição, ou seja, com um colar de flores coloridas. Os temas não precisam necessariamente ser extraídos de filmes infantis.Para um aniversário de um ano, Andréa mesclou ursinhos e anjinhos por todo o buffet.

Conto de fadas

"Hoje, o cliente quer tematizar todo o espaço e transformar a festa num conto de fadas", explica Cássia Guimarães, proprietária da Viva Festa, que há 10 anos trabalha com decoração infantil. Segundo Cássia, a tematização pode se adequar ao espaço disponível. "Mesmo em buffets menores é possível fazer um trabalho completo", diz. O mais comum, porém, é decorar grandes salões, casas ou sítios. Em ambientes maiores, a Viva Festa decora a entrada, a piscina, cria arranjos para as mesas dos convidados com balões a gás, a mesa das lembranças, o canto dos presentes, a mesa-cenário para o bolo e até a mesa do café.

Segundo Cássia, os temas mais procurados são os de "Floresta", "Fazendinha", "Safári", "Fundo do Mar" ou "Halloween". "Independentemente do tema, o mais importante é realizar o sonho das crianças", completa.

Numa recente festa com o tema "Fundo do Mar", a piscina da casa foi decorada com um grande polvo de balões e o salão recebeu cenários com balões de golfinhos e cavalos marinhos, e uma decoração em tons de azul claro e verde água. As mesas dos convidados receberam arranjos de balões a gás nas mesmas cores. A mesa de balas tinha potes de vidros e balões coloridos em formato de peixes. Para o bolo e os docinhos, o cenário escolhido foi o da "Pequena Sereia", com os personagens esculpidos em fibra. Cássia lembra, ainda, de uma festa com o tema "Rei Leão" onde pôde "usar e abusar": na entrada foi feito um portal de balões em formato de sol; caixa de vime e leões esculpidos em fibra formavam o recanto dos presentes; o tema da floresta foi repetido em todo o salão, com palmeirinhas de balões, além de girafas, leões e outros animais esculpidos.

Outro exemplo foi a festa do "Sítio do Pica-pau Amarelo", onde Cássia jogou blocos de feno pelo ambiente, remetendo ao tema. As mesas dos convidados receberam toalhas rústicas de juta, com vasinhos de pimenteiras. "Foi um sucesso", lembra.

Linguagem

Quando se trata de decoração, a idéia é personalizar. "Em casa ou no buffet os pais querem uma festa diferente, personalizando do convite à lembrancinha", explica Luciane Lourenço, sócia com Kátia Balacci da Nicks’s Party. Uma tendência é trabalhar os acessórios, como a mesa de balas e as lembrancinhas, no mesmo tema, assim como o ambiente dos adultos. Foi o que a Nick’s Party fez em um aniversário no Funny Days com o tema "Joaninha".

Na entrada, o nome da aniversariante e um jardim foram feitos de balões incluindo carrinho de mão de madeira, repleto de maçãs do amor (que cada convidado levava, além da lembrancinha, no final da festa). Grandes joaninhas de pelúcia completavam o ambiente. Cada mesa recebeu uma toalha xadrez em vermelho e branco. No centro, um regador pintado com joaninhas, forrado com papel celofane estampado com os mesmos insetos e cheio de balas. Nas mesas da sala dos pais foram usados arranjos naturais de gérberas vermelhas. A mesa do bolo tinha toalha de juta vermelha, doces decorados em formato de joaninhas e abelhinhas, além de árvores construídas com tronco natural e folhagem artificial. A mesa de balas acompanhava o estilo rústico, com ramos de hera e girassóis em volta. As guloseimas enchiam cachepôs de tronco natural com detalhes de juta, forrados de celofane. "Tudo foi pensado numa mesma linguagem, transformando a festa num grande jardim". Até a aniversariante aderiu ao tema e usou um vestido com joaninhas, completa Kátia.

Tridimensionais

Uma decoração onde a mesa do bolo é apenas um dos detalhes de um grande cenário. Esse é o conceito utilizado pela Xic Balloon, das sócias Dóris Ferraz e Genny Gari, que trabalha com festas em domicílio e oferece, além da decoração, toda a parte de alimentação e serviços. Temas neutros e ricos em personagens. "Chegamos a utilizar até 30 personagens numa festa", conta Dóris, normalmente produzida na casa do aniversariante, onde todo o espaço disponível é decorado com grandes peças tridimensionais. Numa festa de super-heróis, o Super-homem abre a porta de entrada e o Batman leva seu batmóvel.

Numa festa de "Fundo do Mar" uma caravela serve de mesa do bolo e um tubarão transforma-se em suporte para balas e guloseimas. Com o tema "Mickey", a casa do Pluto é o cesto de presentes e o carrinho do ratinho recebe o bolo e os docinhos. Se o tema escolhido for "Conto de Fadas", os convidados entram no salão passando por dentro de um grande livro de estórias. Já na festa do "Safári" a mesa do bolo é um charmoso hipopótamo e os convidados deixam os presentes dentro de uma cobra enrolada.

Os personagens são construídos com estruturas de madeira e espuma e forrados com tecido e látex. "Tudo é um pouco camuflado. Aproveitamos um elemento da decoração e o transformamos na mesa do bolo. A barraca de algodão doce, por exemplo, pode ser um vaso de flores", explica Dóris. Os convites e as lembrancinhas - feitos artesanalmente pela equipe da Xic Balloon - sempre acompanham o tema escolhido.

Outros temas

A artista plástica Mariza Quintana tem apostado também em outros itens da decoração, além da mesa do bolo. Um dos temas mais recentes e que oferece opções para todo o salão é Scooby Doo. São quatro displays com os personagens "Scooby","Salsicha", "Daphne" e "Fred" (que fica apoiado na caixa de presentes). Outros com bom "Ibope" são "Homem Aranha", "Monstros S.A.", "Harry Potter" e "Sítio do Pica-pau Amarelo". Segundo Mariza, os buffets estão percebendo a necessidade de oferecer mesas e decorações mais caprichadas, a ponto de alguns já estarem incluindo as mesas de Mariza em seus "pacotes".

Além de utilizar a decoração em todo o salão, alguns detalhes não devem ser esquecidos, como o painel de tecido pintado que acompanha a mesa. "Cada tema tem o seu painel. Só de olhar já se identifica qual é a festa", diz. Na festa "Scooby Doo", por exemplo, o painel traz o carro e os personagens principais da turma. As mesas de Mariza medem de quatro a cinco metros e utilizam personagens de pelúcia, peças em madeira ou fibra e toalhas em tecido. Mariza só não produz as lembrancinhas mas pode entregar a mesa decorada para recebê-las.


Praticidade

Além da festa completa, os clientes procuram praticidade. "Transformamos a casa do aniversariante da entrada aos arranjos de mesa e as lembrancinhas. Para os pais é muito mais prático contratar tudo com uma só empresa", acredita Tatiana Neublum, da Vivo Desejo, empresa especializada em decoração com peças esculpidas em isopor, madeira, fibra de vidro ou poliuretano expandido. "Às vezes, a cliente pede até para que encomendemos um bolo que combine com a festa", complementa.

Temas como "Dálmatas", "Barbie", "Harry Potter", "Monstros S.A.", "Vida de "Inseto" "Meninas "Super-Poderosas" e "Sítio do Pica-pau Amarelo" estão entre os mais requisitados para uma decoração completa. A empresa cuida, também, da decoração com balões - sempre acompanhando as cores da mesa. A de lembrancinhas e a de balas (mais baixa, para as próprias crianças se servirem) são outro ponto forte quando o assunto é tematização. Para uma festa do "Sítio", por exemplo, Tatiana sugere como lembrancinha um saquinho de juta com um peão e uma corda, brinquedos antigos que agradam a criançada.

A Vivo Desejo atua na área de decoração de festas há quase 20 anos. No início, só fazia decorações em residências. Com o surgimento dos buffets, passou a oferecer mesas standard, com preços mais competitivos e que são incluídos nos "pacotes" dos buffets. A Vivo Desejo não trabalha com "pacote" fechado: à mesa do bolo o cliente vai acrescentando tudo o que desejar. A festa pode começar no café da manhã, com uma cesta cheia de guloseimas entregue para o aniversariante no local desejado. A cesta, outro serviço oferecido pela empresa, é decorada no tema da festa.

Originalidade

Temas diferentes, originais, da decoração à recreação. Na opinião de Cláudia Passarelli, esse é o segredo de um aniversário animado, do qual as crianças não querem ir embora. Para os aniversários de duas irmãs e uma prima, comemorados com uma grande festa, Cláudia transformou o espaço num verdadeiro paraíso de guloseimas. O tema "Balas" enfeitou a mesa do bolo, as dos convidados e até a bandeja dos garçons. "O ideal é trabalhar com temas simples, porém ricos em detalhes e que permitem selecionar brincadeiras e até as roupas do pessoal do serviço combinando com a decoração", diz Cláudia.

Duas personagens vestidas como as baleiras dos parques da Disney serviam os convidados. A mesa de guloseimas recebeu cookies, chocolates, mini-bolos, amanteigados e grandes pirulitos coloridos. A toalha de juta era enfeitada com uma guirlanda de sorvetes, balas e gingerbreads de madeira. Pelo chão, em frente a mesa, potes com marshmellow e algodão doce davam água na boca da criançada. O estilo da toalha era o mesmo na mesa principal, com uma casinha toda coberta de doces. Os bolos, os mini-bolos e os doces da casinha foram feitos por Isabela Suplicy. As três aniversariantes foram representadas por três bonequinhas de pano sentadas num banquinho de madeira.

Outro destaque foi a mesa de sorvetes (feitos por Mariangela Dias), montada por Cláudia com uma estrutura de madeira vermelha e branca, com potes de vidros cheios de coberturas. O tema repetiu-se no convite, feito com um saquinho de balas, e nas lembrancinhas (baldes de alumínio coloridos repletos de guloseimas). Até a recreação entrou no tema, com uma oficina onde as crianças fizeram bolos.

Em uma festa, para duas irmãs que comemoravam seis e oito anos, Cláudia trabalhou com o tema "Duendes". A tematização começou no ônibus que levou as crianças para a festa: fadinhas e duendes acompanhavam os convidados. Os monitores que cuidaram da recreação também estavam vestidos de acordo com o tema. Bancos de troncos, libélulas, mesas de madeira natural e toalhas de folhas artificiais lembravam a floresta. Um labirinto construído ao lado da casa trouxe um clima de mistério à festa, com uma árvore que falava. Atividades como uma cartomante e uma contadora de estórias estavam relacionadas ao tema. As lembrancinhas eram sleeping bags (para as meninas, decorados com uma fadinha e para os meninos, com um duende).

Buffets: ainda vale a pena ter um?

São Paulo é conhecida por oferecer uma gastronomia
variada, com restaurantes para todos os gostos e bolsos, e pela noite animada, com bares e casas noturnas de primeiro mundo. Os buffets infantis paulistanos também estão virando uma marca registrada da Paulicéia. Há cerca de 15 anos, quando surgiram as primeiras casas especializadas em aniversários de crianças, muitos acreditaram que seria uma moda passageira. Puro engano: eles tomaram conta da cidade. Há bairros que se transformaram em verdadeiros points como Moema. Outras regiões da cidade reúnem um bom número, como os bairros dos Jardins, Itaim-Bibi, Higienópolis, Tatuapé, Morumbi e a Avenida dos Tajurás, na zona Sul.

Centenas de buffets infantis se "esbarram" e esbanjam brinquedos e equipamentos de fazer inveja. Eles vieram e ficaram. O início de 2003 reserva novidades para o mercado. Há gente nova entrando no ramo e outros abrindo filiais. Mas, o que ainda atrai a abertura de um buffet infantil? Dinheiro? Crianças? Ocupação? Para Andréa Chinaglia Bizutti, proprietária dos Mega Party, o que a move é a paixão pelo que faz. "Para ter um buffet, é preciso primeiro ter uma definição do modo de vida. O dono, ou os donos, precisam optar entre a vida social e o buffet. É uma área de prestação de serviços que exige dedicação integral. A qualidade de vida para quem trabalha com festas fica prejudicada." Há quatro anos dirigindo duas unidades do Mega Party, em Higienópolis e nos Jardins, Andréa acaba de inaugurar a terceira casa, no Itaim Bibi. Apesar da vida corrida e da falta de horários, Andréa optou por ter mais um por já possuir uma estrutura montada, inclusive com cozinha industrial para a produção de salgados e bolos. "Acredito que para quem não conhece a área é muito mais difícil entrar nesse mercado tão competitivo. Hoje, não é fácil fazer uma festa vip sem perder a qualidade. Trabalhamos com uma margem de lucro pequena.", argumenta. O fato de produzir alguns itens do cardápio permite, na opinião de Andréa, suprir os buffets com muito mais eficiência e garantir preços. O Mega Party terceiriza apenas os bolos decorados e os docinhos.

Concorrência acirrada e trabalho nos finais de semana não desanimam Andréa que se ampara numa equipe fixa, "produtiva e eficiente, para atender bem os clientes". "Sou minuciosa e procuro fazer pessoalmente os pedidos do buffet. Delego a parte contábil e a gerência das festas", ensina. O Itaim Bibi foi escolhido como localização da terceira casa pela proximidade com os Jardins, onde fica a cozinha industrial, e pelo potencial sócio-econômico do bairro. "Dificilmente abriria em Moema, pois é um bairro muito concorrido. Muitos acreditam que basta dinheiro para abrir um buffet. É preciso muito mais", garante. Segundo ela, se a intenção for investir, recomenda, não se deve montar um buffet: "É muito trabalho para uma margem de lucro muito pequena. Com certeza um gerente de negócios procuraria outra área para fazer um investimento", esclarece.

Apesar das dificuldades inerentes ao negócio, Andréa sente-se orgulhosa de fazer parte do segmento de festas infantis. "Fui a primeira a colocar uma parede de escalada e a apostar num barco vicking", diz. Na nova unidade, Andréa garante que vai manter a tradição de ser precursora de novos brinquedos. "Há quatro anos, havia apenas uma empresa de grande porte de brinquedos. Hoje, há várias com novidades pesquisadas até em feiras internacionais. Quase sempre, o custo é alto e por isso o investimento é cada vez maior", explica. Na nova unidade, a fachada seguiu o mesmo estilo das anteriores. Projetada pela Carpe Diem, mantém a girafa como destaque fixando a marca. Quanto à concorrência, Andréa aconselha os pais que querem fazer festas a pesquisar casas e preços. "Foi-se o tempo em que o mais caro era o melhor. As grandes festas acontecem em vários buffets, não necessariamente nos que cobram mais", pondera. Com a experiência de quem já participou de aniversários infantis na Europa e nos Estados Unidos, Andréa está certa de que o melhor está em São Paulo. "A cidade já é um centro riquíssimo de festas e se tornou um nicho de buffets infantis. Não se encontra em qualquer outra metrópole do mundo o que há em São Paulo", comemora.

"De cabeça"

A efervescência do mercado de buffets infantis tem atraído gente nova para a área. A experiência como pais de duas meninas pequenas motivou Andréa Porciúncula e seu marido Flávio Mentone a abrir um buffet. Os dois trabalham na área de consultoria de Informática. "Na primeira festa que fiz para minha filha, deixei para marcar a data em cima da hora e não encontrava um bom buffet. A partir daí, pensei que um dia teria um", lembra. Desse sonho nasceu o Boomerang, recém-inaugurado na Avenida dos Tajurás, um já tradicional ponto de buffets. "Como moro no Morumbi, pensava inicialmente em abrir o buffet no mesmo bairro ou então no Itaim. Acabei ficando no meio do caminho", conta. Na Tajurás existem outros três buffets infantis. A concorrência não assusta o casal. "Sabemos que o risco é grande, já que o investimento é alto. Mas, consultamos pessoas com experiência comercial para ter certeza da viabilidade do negócio. Estamos apostando no sucesso e entrando de cabeça", anima-se Andréa, que fez o projeto visual do buffet também com a empresa Carpe Diem, que tem em seu currículo dezenas de outros buffets infantis.

Na empresa de consultoria, Andréa ganhou experiência no relacionamento com fornecedores e clientes, e espera utilizá-la no buffet. Desde setembro do ano passado vem pesquisando fornecedores e encontrou o apoio que precisava com alguns que se revelaram verdadeiros "parceiros". "Afinal, o meu sucesso será o deles também".

Para definir o estilo do Boomerang, os novos proprietários fizeram uma pesquisa entre os clientes da área de Informática que têm filhos. Chegaram à conclusão de que o serviço é primordial. "O que marca é realmente o atendimento ao cliente", diz Andréa. Outra preocupação é o nível dos monitores. "Eles não servem só para olhar as crianças, mas para fazê-las participar dos brinquedos e brincadeiras, " adverte.

Entre as atrações do Boomerang, estão o barco vicking, um autorama com painel eletrônico, games, máquina de basquete, simuladores, air gol, máquina de dança, um cantinho para bebês com brinquedos de estimulação, um ambiente equipado com karaokê, com sofás, sala dos pais, carrossel, palco para shows e uma discoteca com aparelhagem completa. Andréa pretende ir mudando alguns brinquedos para acompanhar as inovações tecnológicas. Já o serviço "deve permanecer o mesmo para tornar o buffet reconhecido. "Como consumidora, sei como é horrível ser mal atendida", finaliza.

Ideal & Negócios

Associar o ideal a um bom negócio. Esse o objetivo do casal Antonio e Cíntia Amaral com o buffet Balão Vermelho, com inauguração prevista para o início do ano. Antonio é engenheiro eletrônico e Cíntia engenheira civil. As idas e vindas a buffets, levando os três filhos - de 10, oito e dois anos - estimulou o casal a apostar no novo empreendimento. "A idéia de ter um buffet é antiga. Sabemos que não é possível começar um negócio só porque há identificação com ele. Mas, contabilizando os custos operacionais e o valor cobrado pelas festas, acreditamos que a possibilidade de retorno é grande", conta Antonio. Na opinião do novo proprietário, não se gasta pouco para montar uma casa com uma quantidade de brinquedos razoável. "Acreditamos que em 15 meses teremos o retorno do capital investido", acredita.

Antonio e Cíntia escolheram a dedo o local do buffet, a Avenida Faria Lima, próximo a Rua Pedroso de Moraes. Eles moram no Alto de Pinheiros, mesmo bairro da escola dos filhos, e percebiam que as mães da região migravam para os buffets do Alto da Lapa e da Rua Cerro Corá. "O bairro é residencial e oferece poucos buffets. Pelo poder aquisitivo e pela grande quantidade de escolas, gostaríamos de atingi-lo", explica.

O imóvel, um galpão com 300 m2 e pé direito de sete metros, foi reformulado com um projeto especial do Grupo 3, Arquitetura e Design, empresa acostumada a criar buffets infantis. "Optamos por um galpão pensando na funcionalidade dos ambientes e por gastar menos do que a reforma de uma casa", explicam. Foram construídos cinco banheiros e mais um mezzanino, para os brinquedos eletrônicos (máquina de dança, games, basquete eletrônico e um autorama com quatro pistas) além do brinquedão, da parede de escalada e da quadra esportiva.

Uma pesquisa informal com mães revelou ao casal do Balão Vermelho a preocupação com a qualidade do serviço. "Percebemos que muita gente está reclamando, seja da qualidade da comida ou da simpatia dos monitores. Sabemos que o ideal de todos os buffets é prestar um bom atendimento, mas trabalharemos focados nesse objetivo", completa.


" Rua dos buffets"

São Paulo já teve uma rua conhecida como a "rua dos buffets": a Bento de Andrade, no bairro do Ibirapuera. Por problemas com a lei de zoneamento, vários buffets foram obrigados a sair e, com isso, Moema ganhou o posto de "bairro dos buffets". Maria Aparecida Cotrim, proprietária do Oceano, foi uma das precursoras da rua Bento de Andrade e há um ano se instalou em Moema - e de lá não pensa em sair. O Oceano fica na mesma rua de buffets famosos como Planet Mundi e do Billy Willy, e isso só traz benefícios, segundo Aparecida. "Vim de uma rua dos buffets e agora esta também deve se transformar num corredor especializado. Acho ótimo, pois há lugar para todos" , garante.

O sucesso em Moema é tanto que Aparecida já reformulou a casa, ele teve a fachada ampliada, assinada pelo Grupo 3, Arquitetura e Design, incorporando a casa ao lado (que fará parte de uma segunda fase de ampliação). O visual ficou mais arrojado, com elementos sobrepostos e partes metálicas. A marquise foi aumentada, para proteger os convidados da chuva.

Em relação aos brinquedos, mais mudanças. O grande pé direito do Oceano, de quase dez metros, permitiu a colocação de um elevador free-fall, com capacidade para oito adultos. O kid play foi remodelado, com elementos novos (como jogo da velha, floresta de tubos, escorregador de rolos e porta giratória). Os games passaram para o andar superior, onde já existia o embarque do trem-bala. "A idéia é sempre trazer coisas novas, renovar. Colocar mais brinquedos, sem contudo atravancar", conclui.

Dinossauros

A atração de Moema parece não ter fim. Novas casas estão se juntando aos quase 40 endereços de festas infantis que alegram o bairro. Uma delas é o Jurassic Place, dos mesmos proprietários do Festa e Cia., instalado no Jabaquara há mais de três anos. "Tenho amigos que têm buffets em Moema e conheço o potencial do bairro. É uma região populosa, com alto poder aquisitivo", diz Fátima Kovatch, proprietária das duas casas junto com o marido, Osvaldo Reis e o primo Paulo Ceroni.

A concorrência de Moema não assusta Fátima: "Confio no meu "pacote", que é muito bem montado, e na qualidade do serviço e do atendimento. Além disso, o tema já é um grande diferencial", observa. O casal repetiu o tema que tornou o Festa e Cia. conhecido: os dinossauros. Em Moema, um grande dinossauro em fibra e resina recepciona os convidados. "Atendemos muitas crianças que são fanáticas por dinossauros", conta Fátima. O ponto escolhido está perto do shopping Ibirapuera e é de fácil acesso. "O Jurassic Place é compacto, para cerca de 150 pessoas, porém completo em termos de brinquedos", diz.

A grande novidade é o monorail de helicópteros, valorizado pela cobertura transparente de policarbonato. O buffet conta ainda com kid play, simuladores, máquina de dança, discoteca com telão para videoclip ou retrospectiva da vida da criança e um berçário completo (com lavatório e microondas para esquentar mamadeiras ou papinhas). "Sem dúvida, ter buffet é um bom negócio. Exige dedicação, mas satisfaz ver a alegria dos pais com o sucesso da festa", garante Fátima. A confiança no sucesso do trabalho é tanta que os proprietários do Jurassic já pensam em crescer. "A intenção é ampliar com uma área com pé direito maior, para brinquedos altos", finaliza.


Espaço

Atraída pelo sucesso das festas infantis em Moema, a psicóloga Rosana Martelli tratou logo de instalar na região o Traquinagem, com previsão de inauguração em março. O principal ela já tinha: o imóvel, de propriedade da família. A casa onde Rosana passou a infância está instalada numa área de 600 m2 de terreno. "Diante do pipocar de buffets em Moema, pensei: por que não abrir um?", diz Rosana. Como mãe de um garoto de oito anos, ela poderá colocar em prática itens que gosta de ver em festas infantis.

O Traquinagem reservou um bom espaço para brincadeiras. O projeto previu que os brinquedos fiquem encostados nas laterais do grande salão, aumentando a área para circulação dos convidados. Os brinquedos serão de encher os olhos, promete Rosana: um barco vicking, uma roda gigante, parede de escalada e um brinquedão com 5,70 metros de altura. Entre os eletrônicos, games, simuladores, máquina de dança, videokê, basquete eletrônico e um palco para shows.

Nova opção para a Zona Oeste


Apesar da proliferação de buffets infantis em São Paulo, há bairros ainda pouco explorados por esse segmento de festas. É o caso da Vila Madalena, que até nome de novela já foi e é famosa por seus bares e vida noturna. O fato foi percebido por Sandra Klava. Moradora do bairro do Limão, também na Zona Oeste da cidade, e mãe de uma menina de quatro anos, Sandra sentia a falta de buffets na região quando saía em busca de locais para os aniversários da filha. "Ou o buffet tinha um bom espaço mas não oferecia muitos brinquedos, ou vice-versa", lembra Sandra.

Da procura por um buffet ideal surgiu a idéia de entrar para o mercado. Procurando um imóvel, Sandra optou pela Vila Madalena, onde inaugurou em fevereiro o Hari Mundi. Por ser um bairro com grande número de prédios e também com boas escolas ao redor do buffet, Sandra acredita que há na região muitos potenciais clientes para suas festas.

O nome do buffet foi trazido da língua falada na região do Caribe, chamada de papiamento: Hari Mundi significa mundo feliz. A decoração do buffet - um espaço de 450 m2 em um nível só - remete a florestas, utilizando cores como verde, roxo e laranja. "Há um clima de Terra do Nunca no buffet", comenta Sandra, lembrando do país imaginário onde viviam Peter Pan e seus amigos.

As atrações do buffet são um brinquedão tematizado, muitos jogos eletrônicos (como máquina de dança e um jogo de dardos na sala dos pais), casinha de bonecas e um espaço interativo para crianças e adultos, com labirinto e um painel para tirar fotografias usando o personagem do buffet como modelo. Sandra espera passar para o seu buffet toda a vontade que ela tem de fazer festas. Desde que sua filha nasceu, ela comemora todos os meses o dia do nascimento da garota, com direito a bolo, velinha e alguns amigos em casa. "Sempre adorei fazer festa e quero fazer o mesmo no Hari Mundi", completa.

Antes de abrir, conheça o mercado

Por mais que os buffets infantis sejam um sucesso, antes de abrir um negócio é prudente fazer uma pesquisa de mercado. "O empresário precisa perguntar quem é o cliente, e a que faixa etária e classe sócio-econômica ele pertence. Uma pesquisa de mercado dará sinais para que ele possa avançar com o projeto", ensina João Abdalla Neto, consultor de Marketing do Sebrae (Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa).

Além da identificação do público-alvo, a pesquisa permite ao empreendedor quantificar o mercado, isto é, conhecer os pontos fortes e fracos dos concorrentes e saber quanto o consumidor está disposto a pagar pelo produto (no caso, uma festa). "A pesquisa permite que se faça uma previsão de vendas. Conhecendo o mercado, o empresário adequa seu preço ao que o concorrente está cobrando", esclarece o consultor de Marketing.

Abrir um buffet desconhecendo o segmento pode ser um risco. "Alguém vai acabar sobrando no mercado", avalia Abdalla. Levantar informações sobre o segmento de festas, através da Internet, universidades, entidades, sindicatos e associações de classe é um bom começo. O próprio Sebrae pode ser uma boa fonte. A entidade dispõe de uma pesquisa de potencial de consumo por bairros de São Paulo. "Os dados são de 1999, mas já ajuda a avaliar se a região escolhida tem a quantidade de clientes necessária para o bom andamento do negócio", completa. Sebrae - 0800-78202

 

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