MATÉRIA REVISTA Nº05
Numa festa imodesta, como esta...
Geralmente, as festas infantis são eventos íntimos, para um pequeno número de convidados e duram pouco tempo. Geralmente. No caso das megafestas, essas regras não valem. Se a idéia é fazer uma festa para um grande número de convidados, com uma decoração personalizada, tudo o que a criança tem direito e mais um pouco, os pais já têm a quem recorrer. Há empresas especializadas em organizar esse tipo de evento. A Xic Balloon, por exemplo, produz festas de todos os tamanhos. Genny Gari, uma das sócias, não se intimida quando ouve uma mãe responder que quer "absolutamente tudo" no aniversário do seu filho. Experiente em organização de festas, a empresa atua na área há 11 anos e já chegou a fazer algumas para até 800 convidados.
Além do número de convidados, a criatividade das clientes ou de seus filhos conta muito em uma megafesta. Uma mãe fez com que Genny conseguisse uma carruagem, para a chegada de sua filha. Em outra festa, os pais quiseram contratar o show de uma apresentadora de TV. Nesse caso, só o show ficou em R$ 9 mil.
Mas, se a idéia não for sair tanto do convencional, as organizadoras têm uma série de temas e podem fazer outros, de acordo com o gosto do aniversariante. O que importa é o profissionalismo, é o que garante Genny. Para ser bem sucedida nessa atividade, ela dá sua receita particular: criatividade, paciência e muita vontade de trabalhar, já que, além de dar expediente de segunda a sexta, aos finais de semana, enquanto as festas estão acontecendo, elas continuam a serviço nos locais, por mais de doze horas por dia. Normalmente, em um final de semana, Genny faz até seis festas, três por dia. Se houver uma "mega", ela reduz para duas por dia. E haja profissionalismo. Organizar um aniversário para centenas de convidados não é trabalho para qualquer um. "Pode ficar tudo por conta da gente, a única coisa que a mãe precisa se preocupar é em escolher a roupa que vai usar", garante Genny.
Na opinião da advogada Ana Cláudia Fioravante Bonaparte, a grande vantagem de contratar alguém para organizar uma megafesta é a comodidade. Mãe de Ana Gabriela, de quatro anos, Ana Cláudia contratou os serviços da organizadora Cynthia Arantes Quintino para organizar as duas últimas festas da filha. Para a mãe, tudo saiu exatamente do jeito que foi imaginado. Na festa de Ana Gabriela, foi exibido até um telão, com várias fotos da aniversariante em vários momentos de seus quatro anos de vida. "Fiz as festas no buffet Billy Willy, que comporta bastante gente. Na última, eram 180 convidados", afirma. O único trabalho que Ana Cláudia teve foi fazer três reuniões com Cynthia. A primeira, na verdade, quem trabalhou foi Ana Gabriela, que escolheu o tema.
Tema escolhido pela aniversariante, Ana Cláudia e Cynthia definiram as lembranças, escolheram a decoração, shows, comes e bebes e lembranças para os pais e para os filhos. Depois, na terceira visita, Ana Cláudia apenas teve que aprovar as lembranças. O resto todo ficou por conta da organizadora. "Fui como convidada", diz a advogada.
Na opinião de Cynthia, que já organizou várias megafestas, as mães de primeira viagem são as mais empolgadas. "90% das megafestas são de crianças de um e dois anos, quando a mãe ainda não é freqüentadora de aniversários infantis e acha que precisa usar todos os recursos. Depois, elas passam a freqüentar outras festas e descobrem que não são todas que são tão produzidas", afirma. Mesmo porque, tanta produção custa dinheiro. É um investimento que poucos têm condições de fazer. Uma festa para 200 pessoas custa em torno de R$ 25 mil, mas há quem gaste até três ou quatro vezes esse valor, revela Cynthia.
Se os números impressionam, os resultados não ficam atrás. Uma megafesta não tem decoração, tem cenário. Quem quer comemorar um aniversário em grande estilo, pode receber os convidados em casa ou em um buffet, mas não são todos que comportam tanta gente. Independente do local escolhido, o espaço é todo decorado, de acordo com o tema determinado pelo cliente, que pode ser uma fazenda, com animais e tudo, ou um cenário inspirado no filme Star Wars (Guerra nas Estrelas), com efeitos que deixariam o próprio George Luccas de queixo caído.
Esteira rolante
Há clientes que têm idéias e vontades mais difíceis de serem concretizadas. Um caso que ficou na memória de Genny foi o de uma mãe que queria instalar uma esteira rolante na entrada, para que os convidados deslisassem até o interior do salão. Nesse caso, a organizadora convenceu a cliente a desistir da idéia excêntrica e aplicar o que iria gastar nisso em outras coisas. Mas, se a cliente insistisse, com certeza, a esteira estaria lá.
Outros exageros são incorporados, como a presença de animais de verdade na festa "Fazenda". Da primeira vez, deu um certo trabalho para arranjar vacas, galinhas e porcos, com os respectivos atestados de vacinação para levar para uma casa. Depois a extravagância virou regra e já faz parte do pacote. Para dar conta do recado, a Xic Balloon conta com oito funcionários fixos e mais uma equipe de colaboradores.
Em uma festa de grande porte, essa equipe pode chegar a vinte pessoas. Um capítulo a parte nas festas infantis são os cenários. Quando acontecem em casas com jardins, por exemplo, é contratada uma empresa que faz uma cobertura na parte externa. O passo seguinte são as decorações (no caso, cenografia). Um cenário para a parte de dentro da casa e outro para o espaço ao "ar-livre", sempre obedecendo ao tema escolhido. Se a opção for o tema "Fazenda", por exemplo, a mesa pode ser um poço, com um balde que sobe e desce, tudo projetado por um engenheiro mecânico.
Lembrança viva
Quando seu filho Vitor completou seis anos, em agosto deste ano, a empresária Gisele França decidiu convidar 120 pessoas para cantar os parabéns. Mesmo sendo dona de um buffet famoso, ela optou por contratar os serviços da Xic Balloon, que organizou a festa "Star Wars", com direito a um corredor iluminado com fibra ótica na entrada e uma mesa em forma da nave espacial do filme, pilotada por um dos personagens, que acumulava a função de piloto da nave e bolo. A festa aconteceu no salão do prédio no qual Gisele mora e durou mais de nove horas. É a segunda grande festa que Gisele oferece. A primeira foi no ano passado, quando a filha Bruna completou seus seis anos. Na ocasião, Gisele inovou mesmo foi nas lembrancinhas. Como o tema foi "A Pequena Sereia", cada convidado infantil levou para casa, num aquário, um peixinho para recordar da festa. A próxima festa será a do outro filho, Caio, no ano 2000, quando ele completar meia dúzia de anos vividos. "Com essa idade já dá para a criança dar palpite, escolher o convite, indicar nome de amigos para convidar. Antes disso, a festa é para os pais, não para o filho", argumenta Gisele, explicando porque sempre dá festas quando um filho completa seis anos.
Ainda no capítulo de lembranças, a organizadora de festas Cynthia tem boas histórias para contar. Uma dela é de uma mãe que queria, de todo jeito, dar filhotes de dálmata para os convidados de sua filha. Problema: eram 150 crianças e Cynthia afirma que precisou fazê-la mudar de idéia, afinal ela precisaria conseguir 150 filhotes, acomodá-los em um local apropriado durante alguns dias e depois mantê-los algumas horas em uma festa. A idéia, felizmente, não vingou. Mas em outra ocasião já foram entregues 150 pintinhos, todos devidamente "engravatados", com laços de fita, como lembrança de uma festa cujo tema era "Fazenda". Esse tipo de lembrança viva já está se tornando bastante comum nas megafestas.
A organizadora Ana Isabel Brotero de Barros Tirone, que junto da sócia, Cláudia Passarelli, atua nessa área desde 1989 conta que uma cliente que recebeu um pintinho como lembrança em uma festa teve, durante um bom tempo, um galo no quintal de sua casa. "O bicho era feroz e servia como cão de guarda. O problema é que ele atacava as pessoas e tinha que viver preso", conta.
Para dar uma megafesta é preciso contatar quem vai organizá-la com antecedência de pelo menos dois meses. Cynthia afirma que a partir do momento que a cliente define o tema ela já começa a pensar no que vai fazer de inovador. É certo que muitos temas se repetem, mas cada festa é diferente, garante. Um bom exemplo dessa exclusividade são os convites. Para a próxima festa que vai organizar, Cynthia criou um convite quebra-cabeça. Como o tema é "Fazenda", cada convidado vai receber, em casa, uma cesta de vime (como se fosse um cesto para ovos) com seu nome. Dentro dessa cestinha há um quebra-cabeça, que ao ser montado, vai formar os dizeres do convite, que também é exclusivo para cada aniversariante.
Dálmatas de casa em casa
Cada uma das etapas da festa pode ser inédita, afirma Cynthia, até a entrega de convites. Ela conta que em uma festa na qual o tema era "Dálmatas", ela contratou atores que iam entregar os convites, para cada pessoa, vestidos como um dálmata. Antes, ela teve que descobrir que horário cada uma das crianças convidadas iria estar em casa, para que o personagem pudesse entregar o convite pessoalmente. Nesse caso, desde que recebe o convite, a convidado já fica aguardando o momento da festa, que tem tudo para ser marcante.
Ao chegar, o convidado pode ter outra surpresa. Para o tema "Fazenda", por exemplo, Cynthia diz que criou, com exclusividade, uma fantasia para cada uma das crianças. Na hora de cortar o bolo, estavam todos vestidos de porquinhos, vaquinhas ou cavalinhos, graças a um inventivo boné, com aplicações de espuma. Em outra festa os meninos receberam, na entrada, uma fantasia de batman e as garotas de mulher-gato.
Cynthia também afirma se preocupar em inovar, agora, nos salgadinhos, já que os docinhos decorados se tornaram mais comuns. Em uma festa, mais uma vez de "Dálmatas", a organizadora, após incontáveis experiências na padaria, encomendando uma massa de pão que fosse apropriada, fez sanduíches e salgadinhos, todos "esculpidos" um a um, em formatos de ossos, tina de banho ou dos próprios dálmatas. Detalhe, os dálmatas comestíveis foram pintados à mão, com direito até a coleirinha vermelha no pescoço.
Elefante na calçada
Uma megafesta envolve, via de regra, um trabalho enorme na produção. Ana Isabel diz que tem sentido uma diminuição no número dessas festas nos últimos anos. Ela afirma que as maiores festas que organizou foram dadas nas casas das clientes. Em uma delas, no Jardim Europa, cujo tema era "Circo" ela contratou um espetáculo circense completo, com malabaristas, trapezistas, show de pirofagia e animais, como chimpanzés e até um elefante.
A grande dificuldade, nesse caso, foi desembarcar o elefante do caminhão, em plena sexta-feira, numa movimentada rua do Jardim Europa, já que o circo foi montado no quintal da casa. Quando o "bichinho" desceu do caminhão e começou a andar pela calçada, quem assistiu ao show não foram os convidados da festa, mas os motoristas que passavam por ali na hora.
Além do "Circo", outros temas bastante comuns são "Fundo do Mar" e "Barney". Para Ana Isabel, a maior inovação, ultimamente, está acontecendo nos convites e nas lembranças. Há até algumas festas nas quais os convidados recebem lembrancinhas antes e depois. "Em uma do Fundo do Mar, cada convidado recebeu, com o convite, um óculos de natação. Depois, ao sair da festa, as meninas ganharam uma sacolinha de praia, com canga e chinelo e os meninos uma vara de pescar com um peixinho. Isso tudo, para cada uma das mais de trezentas crianças", conta.
Na hora de cortar o bolo, também, já tem gente inventando. Uma das clientes de Ana Isabel tem, em sua casa, uma coleção de mais de 150 cadeirinhas, que a cada novo aniversário são pintadas de acordo com o tema da festa. Na hora do bolo, cada criança convidada senta-se em uma delas e recebe um minibolo individual, com uma velinha para assoprar, acompanhando o aniversariante.
Vamos para a praia
Os serviços de Ana Isabel já ultrapassaram as fronteiras de São Paulo. Uma cliente do Rio de Janeiro contratou tudo daqui para a festa da filha. Foram vários caminhões descendo a Via Dutra, rumo à Barra da Tijuca. Em um deles coube apenas a lona do circo, em outro o cenário da festa e outros com barracas que iam ser montadas, o pessoal que fez os diversos shows e brinquedos.
Até as pessoas que foram encher as bexigas e as copeiras saíram de São Paulo. Como inovação parece ser a palavra de ordem entre as organizadoras, as festas estão se tornando verdadeiros espetáculos high-tech e contando com esquemas de produção dignos de um shows de rock num estádio. Porém, quem está se perguntando "onde isso vai parar?" pode ficar descansado. Pelo menos no tradicional momento de cantar "Parabéns a você" ninguém mexeu. Ainda.
Fast festas
Organizar uma festa de última hora, com produtos de qualidade e ainda por cima gastar pouco. Isso já é possível, graças ao serviço prestado por algumas docerias em São Paulo. O serviço em questão atende pelo nome de kit festa - isto é, um "pacote" contendo doces, salgados, bolo e refrigerante, tudo pronto para ser consumido, no qual o cliente pode escolher desde o tipo dos salgadinhos, até o recheio do bolo.
O kit festa pode ser entregue no local determinado pelo cliente (em escolas, empresas, escritórios ou residências) ou ser retirado na própria loja e é uma maneira rápida e segura de garantir a qualidade do que vai ser servido aos convidados. Há kits com produtos e preços diferenciados para crianças e adultos.
A loja da Ofner, no shopping Market Place, em São Paulo, iniciou nesse segmento há três anos e é a única da rede que dispõe do serviço. Deise Leitão de Souza, proprietária da loja, diz que começou atendendo a festas realizadas no próprio shopping, até que uma cliente pediu um kit para um chá de cozinha em casa. A partir daí, a Ofner passou a oferecer também esse serviço. Um kit da loja, para vinte crianças, com bolo de dois quilos, 140 salgados, um quilo e meio de doces, refrigerante, mais pratos, guardanapos, copos, talheres, velinha, toalha de mesa, cooler para manter as bebidas geladas e uma copeira para servir os convidados sai por R$ 270 nos finais de semana e R$ 260, de segunda a sexta. Se o cliente quiser, também há o serviço opcional da decoração de festas infantis, com cinco motivos diferentes, como "Bananas de Pijama", ou "Branca de Neve". Nesse caso, o bolo pode ser decorado para acompanhar o tema escolhido.
Nas lojas da rede Amor aos Pedaços, que também oferece o serviço, o kit festa para dez crianças sai por R$ 59. Esse kit infantil inclui o bolo (já cortado e embalado), salgadinhos e doces escolhidos no cardápio da doceria e refrigerantes, além de pratos, garfos, copos e velinha para o bolo. "Além do preço, o grande benefício é a agilidade", afirma Susana Ziliotto, gerente de marketing da rede, "qualquer loja Amor aos Pedaços pode montar um bolo, a gosto do cliente, em dez minutos".
As opções, ao contrário do que pode parecer, são bem diversificadas. Os kits têm uma variedade razoável de bolos, salgados e doces, inclusive produtos light e diet. A rede Amor aos Pedaços tem 33 lojas em São Paulo, além de filiais no interior e em outros estados. Todas as lojas oferecem esse serviço e ficam abertas das 10h às 22h30. Outro benefício que a rede oferece é a montagem de bolos na casa dos clientes, principalmente em casamentos, nos quais os bolos, geralmente, são maiores. "Chegamos a montar um bolo de 100 kg", diz Susana. Ela afirma que o número de encomendas vem aumentando, inclusive de kits para festas de adultos. Além disso, qualquer produto da loja pode ser entregue em domicílio.
Festa no castelo
A Ofner do Market Place, além do kit, também pode servir as festas que acontecem nas diversas áreas do parque infantil de dentro do shopping, o Fantasy Place, que conta com um castelo, carrossel e outros espaços. É uma comodidade para quem está dando a festa, diz Deise, "se o número de convidados ultrapassar a previsão inicial, como nossa loja está no shopping, é muito fácil reabastecer a festa".
Deise faz questão de frisar que a Ofner tem uma grande preocupação com o cumprimento de horários estabelecidos. "Há algumas escolas em que o intervalo é de apenas 30 minutos. Se a entrega atrasar, é o fim da festa para a criança". Hoje, sua loja fornece kits para todo tipo de evento, desde despedidas de solteiro até inauguração de escritórios, além de receber grandes encomendas de salgados, doces e bolos.
A doceria Cristallo também oferece o kit festa, nas lojas do Market Place e em Moema. A opção da loja para 20 pessoas custa R$ 295 e inclui um bolo de dois quilos, salgados, mini-doces, refrigerante, descartáveis e uma copeira para atender aos convidados. O bolo pode ser escolhido no cardápio da loja e decorado com uma placa de chocolate com o nome do aniversariante.
Segundo a proprietária das lojas da Cristallo do Market Place e de Moema, Joseli Campos, a rede vai começar a oferecer o serviço em todas as lojas. "Começamos a oferecer o kit festa há uns dois anos. No início só fazíamos festas no Fantasy, depois passamos a fazer também nas casas de clientes".
O serviço deu bons resultados e, hoje, a Cristallo do Market Place fornece uma média de 15 kits completos por mês. "Além disso há clientes que montam seu próprio kit, escolhendo apenas alguns produtos. Para esses casos temos o preço unitário de cada produto, de acordo com o cardápio da Cristallo", diz Joseli. A Cristallo também aceita encomendas de bolos, doces e salgados para entregas em casa.
Esta rua é uma Festa!
A rua Bento de Andrade já ficou conhecida como "rua dos buffets" e não é à toa. São oito instalados nesse endereço: Aquarela, Carrossel, Magia & Cia., Estação Criança, Guess, Planeta Criança, Clawi's Club e Criança Alegria. Por isso, se voce ainda não recebeu um convite de uma festa na Bento de Andrade, isso deve acontecer logo.
Os buffets não reclamam da concorrência, pelo contrário. Vivian Martinez, que junto do marido, Nilton Martinez, são proprietários do Estação Criança, acredita que a presença de tantos buffets na mesma rua pode ser uma vantagem. A mesma opinião é compartilhada por João Carlos Gallo, do Carrossel. "A concorrência ajuda, porque todos são de ótima qualidade e quem vem até a rua Bento de Andrade quer algo novo", afirma.
Estação Criança e Carrossel começaram a funcionar na rua na mesma época, há quatro anos. As semelhanças porém não param por ai. Vivian e Nilton são arquitetos e o buffet está se especializando em festas para crianças menores.
Já o dono do Carrossel, João Carlos Gallo, define o atendimento de seu buffet como "caipira de São José dos Campos", com muita simpatia e fartura. "É tudo à vontade", garante. O Carrossel faz festas para todas as faixas etárias, segundo ele, de seis a oito por semana.
Para todas as idades
O Planeta Criança, de Rosangela Cantiero Veiga faz, em média, dez festas por semana. A proprietária afirma que está sempre investindo no seu negócio."Se você tem confiança no seu trabalho, sabe que ele é bom", diz. O buffet tem dois salões independentes, nos quais podem acontecer duas festas ao mesmo tempo: o Planeta Criança, que atende a faixa etária de um a nove anos e o Planet Dancing, para uma clientela mais "madura", de dez a quatorze. Rosangela diz que nos finais de semana a rua fica repleta de gente, com todas as fachadas dos buffets decoradas. "É muito bonito ver todos enfeitados com balões", afirma. Com tanto movimento, ela resolveu contratar uma empresa e agora oferece um serviço de valet, com seguro de automóvel, já incluído no pacote da festa.
O excesso de festas também pode deixar algumas mães e pais confusos. "É muito comum uma mãe deixar o filho, convidado para uma festa no buffet errado", afirma, dizendo que quando acontece isso os próprios buffets encaminham a criança até a sua verdadeira festa.
No buffet Aquarela, das sócias Anete Fernandes e Regina Helena Pereira Pinto houve um caso em que um pai levou a filha para uma festa e percebeu que a garota estava meio deslocada. Após uma hora e meia, descobriu, conversando com o pai do aniversariante, que sua filha estava na festa errada, mas aí já era tarde. A menina, encantada com os brinquedos do Aquarela, já não quis ir para a festa que havia sido convidada. "O jeito, foi deixá-la lá mesmo e os pais até acabaram ficando amigos", conta Anete.
Para Anete, o sucesso do seu buffet vem do projeto bem pensado desde o início. "A idéia de montar um buffet surgiu depois que eu trouxe a minha filha a uma festa no Criança Alegria. A princípio iria montar em outro lugar, mas enquanto estava procurando casas, apareceu essa para alugar aqui na rua", diz Anete.
No Aquarela, as crianças têm um mundo separado, garante a proprietária, e todo o projeto da casa foi inspirado na música homônima do compositor Toquinho. Anete afirma que agora os adultos estão procurando seu buffet para fazer festas e confraternizações. "Temos um bar com ar-condicionado, jardins e até uma sorveteria instalada no buffet. Os pais podem vir a sua festa e deixar os filhos à vontade", diz Anete.
Para a dona do Aquarela é um grande negócio que a rua Bento de Andrade seja conhecida, cada vez mais, como a rua dos buffets. "Na Bento, graças à concorrência, os buffets acabam se tornando mais selecionados", afirma. Ela acredita que é necessário um apoio maior do poder público e dos próprios proprietários, para que a rua vire uma marca registrada. "Hoje, já é comum, quando entro em um táxi, ouvir o motorista se referir a Bento de Andrade como a rua dos buffets. Ela já está ficando conhecida, mas precisa ser ainda mais divulgada", diz Anete.
A proprietária do Clawi's Club - Teens Buffet, Cláudia Pereira Sessino Suzana acredita que a concorrência da Bento de Andrade acaba motivando os donos de buffets a buscarem sempre uma renovação de idéias. No seu caso, o Clawi's se especializou em festas para adolescentes e jovens (a maioria dos clientes de Cláudia têm entre 11 e 13 anos).
"O espaço do Clawi's é diferenciado, o atendimento é dado por um pessoal jovem e as brincadeiras e jogos são pensados especialmente para a faixa etária. Procuramos dar à festa um estilo apropriado para o adolescente", diz Cláudia.
O Clawi's existe há dois anos e desde que Cláudia assumiu a sociedade com Daniel Machado de Magalhães, há um ano, o buffet tem investido em criar novidades, como coquetéis especiais para adolescentes (sem álcool), DJs, videokê e telão. O buffet passou a ser procurado também por adultos.
Seu Hot-Dog com Fritas, Madame
Cheeseburguer, batatas fritas, hot dog, milkshake, banana-split e companhia estão sendo servidos em restaurantes de prestígio de São Paulo. Não, os chefs não resolveram aderir ao sistema de fast-food. O que está acontecendo é um atendimento diferenciado para os clientes, ou melhor, filhos de clientes.
Oferecendo o serviço desde julho, o restaurante Zafferano, que funciona no hotel Crowne Plaza dá atendimento especial a crianças aos domingos. Enquanto os pais se servem do tradicional brunch dominical, os filhos ficam sob cuidados de uma equipe de monitores em um buffet de pratos próprios, como spaghetti a bolonhesa, cheeseburguer, nuggets e purê de batatas. Isso, sem contar a mesa de sobremesas, composta basicamente por sorvetes e mousses. O buffet infantil funciona a partir das 11 horas e custa R$ 10 (para crianças de seis a 12 anos). Menores de seis anos não pagam.
O restaurante Christine's, do hotel Sheraton Moffarej, também tem um buffet diferenciado para crianças. O serviço, chamado de "Domingo Mágico", funciona das 13 às 16 horas. Além de saborear pratos especiais, como massas, grelhados, batatas e aves e, é claro, as sobremesas, as crianças têm um espaço especialmente reservado a elas, onde podem desenhar ou assistir a shows de mágicos e palhaços. O preço do brunch do Christine's é de R$ 39,00 e crianças até seis anos não pagam.
O restaurante Dinho's Place Morumbi também faz um almoço especial para crianças, aos sábados e domingos. O "Dinho's Kids" oferece para as crianças um prato principal, mais uma sobremesa e refrigerante a vontade por R$ 10. Além do almoço, a criança pode assistir a shows, fazer maquiagem e estará o tempo todo acompanhado por monitoras especializadas. O serviço funciona das 12 às 17 horas.
A proprietária do Dinho's Morumbi, Maria Helena Vanini, diz que o restaurante foi o primeiro a oferecer um buffet infantil, em São Paulo. "Sentimos essa necessidade, porque antes do Dinho's Kids, as crianças queriam ir embora logo e os pais não conseguiam almoçar com calma. Hoje são as crianças que pedem para os pais para ir ao restaurante", afirma Maria Helena.
O cardápio do "Dinho's Kids" é especial e as crianças são servidas em mesinhas próprias, sempre acompanhadas de monitores. No cardápio há nuggets, gnochi com almôndegas, bife com fritas, hamburguer de peixe, creme de milho e, claro, a preferida de dez entre dez crianças: a batata-frita. Aos sábados, o Dinho's também serve uma "mini-feijoada". Na hora da sobremesa a criançada pode atacar uma mesa de sorvetes, mousses e saladas de frutas.
"Temos uma área de atividade para crianças, com casinha de boneca, brinquedão, escorregador, piscina de bolinhas e gangorras", diz Maria Helena. Além dos brinquedos, as crianças podem se divertir em jogos eletrônicos de computador ou video-games ou na sala de recreação, na qual podem pintar e desenhar à vontade.
Aos domingos,as crianças ainda podem assistir a shows variados, com mágicos e palhaços, tudo isso em um salão à parte, que comporta 150 pessoas. Se os pais quiserem ficar de olho nos filhos podem almoçar no mesmo salão, ou então ficar no salão principal. Com a aprovação dos clientes, Maria Helena diz que agora, a idéia do Dinho's é ampliar o "Kids" para as sexta-feiras à noite.
Seu filho quer ser ator?
Mande uma Foto... A revista Festas Infantis - Guia de Buffets e a agência de atores e modelos VGI vão premiar quatro crianças (dois meninos e duas meninas) com books e um ano de agenciamento - cada um dos books terá oito fotos. O concurso tem como objetivo descobrir novos talentos e ajudar as crianças que querem iniciar na carreira artística mas não sabem por onde começar. Para participar, a única exigência da VGI é que a criança não seja cadastrada em nenhuma outra agência. Os candidatos devem ter até dez anos e mandar as fotos até 15 de fevereiro de 1999.
Uma das proprietárias da VGI, Mara Keila Trindade Moraes, que junto de Vivian Golombeck fundou a agência há 10 anos, diz que o concurso está aberto para todos os tipos de crianças, de todos os tipos físicos e todas as raças. "O objetivo maior é achar crianças desinibidas e com um talento natural para representar. Hoje, não existe mais aquela imposição de que a criança precisa ser loira e de olhos azuis. O que conta muito é o talento".
É claro que é importante ser fotogênico, pois a primeira seleção se dará através de fotos. "A foto deve 'vender' uma boa imagem, de criança saudável", afirma Mara. Os candidatos devem enviar uma foto recente (com o rosto em destaque) para a revista Festas Infantis (veja o endereço no final da matéria), juntamente com nome da criança, nome do pai, mãe ou responsável, endereço e telefone. O resultado será publicado na próxima edição da revista - em junho.
As quatro crianças selecionadas pela agência irão ganhar um book e o agenciamento na VGI. "70% do trabalho da nossa agência é em televisão, principalmente comerciais", diz Mara. Por esse motivo é importante que a criança tenha realmente muita vontade de trabalhar, pois esse é um mercado concorridíssimo e requer muita paciência dos modelos e, principalmente, das mães. Geralmente o candidato a ator passa por uma série interminável de testes e sessões de fotos. O começo da carreira é difícil, já que uma criança demora, em média, uns quatro meses para se adaptar ao universo dos estúdios, cheio de luzes, flashes, câmeras e gente por todos os lados.
"Quando recebo uma criança, a primeira coisa que faço é ter uma longa conversa com ela, explicando todas as dificuldades. Aí procuro saber se trabalhar é realmente vontade da criança ou uma imposição dos pais", diz Mara. Depois, se concluir que a criança está realmente preparada para ser agenciada, Mara tem outra longa conversa, com o pai ou mãe, expondo todas as dificuldades que serão enfrentadas - desde as esperas para testes e sessões de fotos até os horários, bastante puxados. Há testes que podem durar um dia inteiro.
Por outro lado, há crianças que nasceram para o trabalho, como é o caso do ator-mirim Leonardo Monteiro de 11 anos, que no primeiro teste já foi selecionado para um comercial na televisão. Atualmente Leonardo é um dos apresentadores do "Disney Club", exibido pelo SBT. Para chegar aí, ele trabalhou bastante. Segundo sua mãe, Doroti Sierra Viana Monteiro, o trabalho exige uma dedicação total, tanto da criança quanto da mãe, além de gasto de tempo, gasolina e alimentação nos dias de testes. "É gratificante ver seu filho na televisão, mas é uma vida que exige muito sacrifício. Se a criança não gostar muito, acaba desistindo", diz Doroti, que também é atriz.
Dez dias no Caribe
Mara também avisa aos pais: "quem pretende ganhar muito dinheiro, não deve nem se inscrever". Em uma foto para revista, por exemplo, o cachê varia entre R$ 50 e R$ 70, sendo que ainda vão ser descontados 34% (14% de impostos e 20% da agência). O que sobra para o modelo é muito pouco. Claro, há exceções e se o ator der sorte, pode conseguir um trabalho bem remunerado.
Recentemente, a VGI mandou algumas crianças de seu cast para gravar um comercial de protetor solar no Caribe. Foi para um comercial desse mesmo produto que Leonardo foi aprovado no seu primeiro teste, só que no caso dele, a viagem foi para Bahamas e Miami. Dessa vez os felizardos vão passar dez dias no Caribe, acompanhados das mães, com todas as despesas pagas mais um cachê de R$ 500. Mas trabalhos como esse são poucos e disputadíssimos. Quando Leonardo fez esse teste, por exemplo, eram mais de 300 candidatos disputando a vaga. Mas, antes de ser "descoberto" pela VGI, Leonardo e Doroti bateram na porta de várias agências e ele nunca conseguia fazer um teste. "As agências cobravam o book, meu filho nunca era chamado, até que me indicaram a VGI.
Lá, no primeiro teste, ele já foi aprovado, antes mesmo de ter um book", conta Doroti. Para as mães que estiverem dispostas a participar do concurso, Mara dá algumas dicas. "A maior procura é por crianças de quatro a oito anos ou então por bebês, principalmente negros e orientais, que são difíceis de achar". J
Concurso Cultural
Válido para o período de edição da Revista Festas Infantis 5 Criança sim, mas com agenda de adulto A VGI começou a trabalhar com crianças há cinco anos e nesse período já lançou alguns rostinhos que todo mundo se lembra de ter visto em algum lugar. É o caso da atriz-mirim Lívia Stattiarini, de apenas seis anos, mas com um currículo de gente grande. Lívia, que trabalha como atriz desde os quatro, já fez uma novela, um curta e um longa-metragem, participou de uma esquete no "Domingão do Faustão" e gravou um grande número de comerciais.
Para sua mãe, Rosirene Rocha Stattiarini, o profissionalismo da filha causa admiração. "Quando eu pergunto se ela prefere ir a uma festa ou a um teste, ela sempre prefere o teste", diz. Com tanta dedicação, do alto dos seus seis anos, Lívia diz que pretende trabalhar "para sempre" como atriz. Para provar que não está brincando, ela paga, de seu próprio bolso, as aulas de interpretação que toma com Beto Silveira, em São Paulo. "O que eu mais gosto é de gravar novela", diz Lívia. "Tem que decorar bastante, todo mundo fala que é cansativo, mas eu não acho", diz.
Outra atriz-mirim que está fazendo o curso de interpretação de Beto Silveira é Isabela Veiga, de 11 anos. Isabela trabalha desde os três e já fez uma série de comerciais. Ela, inclusive foi apresentadora de um programa, na Rede Manchete, aos domingos, o "Domingo no Palco", em que ela encarava, junto de outro ator, a apresentação de um programa de auditório ao vivo. "Se alguma coisa saísse errada, a orientação era: dá risada, se benze e toca adiante", conta sua mãe, Vilma Veiga.
Antes, porém, de enfrentar esse desafio, Isabela, enfrentou outras coisas piores. "No primeiro comercial que ela fez, para uma marca de brinquedo, foi uma grande expectativa. Ela avisou para toda a família e amigos que iria aparecer na TV. Toda nossa família estava na sala, com a fita de vídeo pronta, e na hora que o comercial passou, haviam cortado a Isabela", conta Vilma. Como explicar para uma criança de três anos o que havia acontecido? O resultado foi uma grande decepção e para se recuperar Isabela teve até que contar com ajuda psicológica. Depois, naturalmente, ela quis voltar a participar de testes, conta sua mãe.
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