MATÉRIA ETC Nº06
BUFFETS EM DOSE DUPLA
De um bom buffet infantil, a tendência é nascer outro. Tanto na zona Leste quanto na zona Norte, buffets tradicionais, com clientela garantida, abrem uma segunda casa com o mesmo padrão de qualidade. Com dois ou mais endereços, esses buffets garantem sempre uma data na agenda para seus clientes.
Foi o que aconteceu com o Kifolia. A primeira unidade surgiu há quatro anos e meio no Tatuapé. As sócias da casa, as irmãs Rosana Santos e Kelly Cristina de Oliveira, sempre pensaram em ter um segundo buffet. Ainda não haviam se decidido pelo bairro, quando perceberam uma tendência dos clientes procurarem uma festa de qualidade por um preço um pouco inferior ao praticado no Kifolia I. Assim, surgiu o segundo Kifolia, no Jardim Anália Franco, inaugurado em maio. "Agora, com dois buffets, conseguimos reduzir o nosso custo, já que os pedidos para os fornecedores dobraram. Ao invés de três bolos num fim de semana, por exemplo, pedimos seis ou mais", exemplifica Kelly.
Para o segundo semestre, a intenção das sócias é produzir doces e bolos na cozinha própria da primeira unidade. "A cozinha é toda estruturada com equipamentos industriais. Só falta a mão-de-obra", conta. Depois dos doces, o próximo passo será fabricar também os salgados, garantindo ainda melhores condições para os clientes.
Além de "enxugar" os custos, com dois buffets a empresa pode oferecer uma maior diversidade de atrações. No Kifolia I, por exemplo, o destaque é o monorail, seguido pelo barco vicking. Há ainda parede de escalada, casinha de bonecas e brinquedão. Já a segunda unidade passou por uma grande reforma antes da inauguração – o piso é branco e as paredes ganharam pintura amarela com estrelinhas, como na primeira casa. Entre os brinquedos, barco vicking, brinquedão com três andares e escorregador de 360o, roda gigante, parede de alpinismo e carrossel. As duas unidades dispõem do Kifolia Fashion, um espaço de cabeleireiro que surgiu para transformar meninos e meninas em verdadeiras celebridades. A produção de beleza das crianças, com produtos como gel colorido e tatuagens, faz parte dos pacotes nos dois Kifolia. Há até uma passarela com jogo de luzes, onde as "modelos" podem desfilar.
Segundo Kelly, os pacotes das festas das duas casas são praticamente iguais. "Apenas a tábua de queijos, que no Kifolia I está incuída no pacote, no II é opcional. Mas, sorvete, cerveja e estacionamento fazem parte das festas nos dois buffets", diz. As sócias acreditam que um buffet não irá concorrer com o outro, mesmo porque o primeiro é voltado para crianças maiores enquanto o segundo atende muito bem as festas dos menorzinhos.
A dupla de buffets Star Kids, na zona Norte, também se diferencia pela faixa etária dos aniversariantes. A unidade I é mais procurada para festas de crianças menores e a II, para os maiores. Para Ana Carla Gonçalves Zanini, sócia do buffet com Patrícia Zanini, há mães que não abrem mão de realizar a comemoração na primeira ou na segunda unidade. Outras preferem variar e repetem a festa no Star Kids, porém no outro endereço. Outras, ainda, fazem naquele que tiver a data escolhida livre. "O que importa é o nosso padrão de qualidade, o mesmo nas duas casas", garante Ana Carla.
Foi justamente devido à demanda que o Star Kids abriu sua segunda unidade, há um ano e meio. Enquanto no primeiro Star Kids o brinquedo que mais chama a atenção é o monorail, no segundo há um elevador e o barco vicking. Já a parte de simuladores, games, dardo eletrônico, pebolim e air game é praticamente igual nos dois.
Apesar das duas casas ficarem na zona Norte, há um diferencial em relação à localização: a primeira fica na Cantareira e a segunda em Santana, próximo da Marginal do Tietê e de mais fácil localização para os convidados que não moram na região.
Outra atração da unidade II é o Star Teens, praticamente o terceiro buffet da "família", já que ele costuma ser reservado para festas de pré-adolescentes. O Teens tem uma entrada independente do buffet infantil e conta com discoteca com aparelhagem profissional, bar e serviço de DJ. Ao fechar uma festa no Star II, os pais podem optar apenas pelo espaço infantil ou anexá-lo ao Teens, quando então o espaço comporta até 250 pessoas.
No Star I há uma cozinha separada da cozinha do buffet onde são produzidos todos os alimentos servidos nas festas. "Só os doces personalizados são feitos fora", comenta a proprietária. Conduzir todo esse esquema de festas não é fácil. Tanto que, logo que inaugurou a segunda casa, Ana Carla pensou que não fosse dar conta. Hoje, cada uma tem sua equipe bem organizada, com gerente, recepcionistas e seguranças. "O objetivo maior é não perder o controle da qualidade", sustenta.
Outro buffet com "dobradinha" na zona Norte é o Algazarra. A primeira unidade surgiu há 14 anos, na Água Fria, e a segunda foi inaugurada há oito anos, no Tremembé. As casas ficam a cerca de 600 metros uma da outra. "Inauguramos o segundo buffet porque estávamos perdendo clientes, por não ter mais datas livres", lembra Iara de Sousa Visconti, proprietária dos buffets.
O buffet mais antigo comporta festas para até 120 convidados. Já o segundo serve para festas até 350 pessoas. "O primeiro visa crianças e festas menores enquanto o outro tem brinquedos bem versáteis. Nele fazemos também festas de adultos e juvenis", constata. Entre os brinquedos do buffet maior estão casinha de bonecas, parede de alpinismo, simulador de snowboard, uma cidade espacial e trem elétrico. Na unidade I há uma cozinha industrial, onde trabalham oito funcionários produzindo alimentos para os dois buffets. "Do patê ao bolo decorado, tudo é feito por nós, inclusive almoços e jantares", afirma Iara. "Para os clientes, é uma garantia da qualidade e da quantidade do que será servido. Temos uma clientela fiel, que vai do um para o dois e vice-versa", completa.
Depois do sucesso das duas unidades, Iara já pensou num terceiro Algazarra. Mas, por enquanto, seu terceiro buffet é em domicílio. "Todas as semanas fazemos festas no local do cliente, mais complicado do que organizá-las no próprio buffet", diz.
Em quatro anos, a família Mauro – o casal Silvana e Gilberto e a filha Bianca – cresceu. De um buffet eles passaram a administrar três na região Leste da cidade. O primeiro foi o Espaço Klasse A Buffet, uma área com 1500 metros construídos onde são organizados de casamentos a festas infantis. Depois, surgiu o Klasse A Kids, projetado para ser um buffet infantil. Nele, as atrações são lan house com três computadores em rede, kid play, casinha de boneca, minicarrossel, airgame, playgol e máquina de dança, num espaço para até 120 convidados. "Foi uma necessidade ter mais um buffet, pela falta de datas no primeiro", lembra Silvana.
Daí para o terceiro foi mais um pulo. Em junho, a família inaugura o Makakids. Localizado na Vila Esperança, a proposta é oferecer uma festa mais econômica. Entre os brinquedos, kid play, minicarrossel, casinha de bonecas, snooker e pebolim. Silvana pretende montar um pacote econômico, porém com a mesma qualidade de alimentação das outras unidades. Tudo é produzido na cozinha industrial do Espaço Klasse A. Em qualquer dos buffets, seu pacote básico inclui três tipos de lanches (minidog, minihamburguer e minimaluca, um sanduíche de carne louca, "já uma tradição nas festas", conforme Silvana), crepe de queijo, 15 tipos de salgados e 8 de doces.
Se é trabalhoso administrar um buffet infantil, imagine seis. É o caso da rede de buffets Mediterrâneo, com 23 unidades em São Paulo, das quais seis infantis, chamadas Play Fest. São duas casas no Tatuapé, uma em Santana, uma em Guarulhos, outra na Vila Guilherme e mais uma nos Jardins. Mesmo os outros endereços do Mediterrâneo costumam fazer festas infantis, principalmente aos domingos, quando quase não há casamentos. Eles possuem uma área infantil (que é utilizada em eventos de adultos) e também há a possibilidade de instalar outros brinquedos.
Mas, o grande destaque em termos de atrações para os pequenos fica para os seis Play Fest. A mais nova unidade foi inaugurada no final do ano passado na rua Araci, no Tatuapé. No primeiro andar há um salão voltado para festas de adultos. O espaço infantil tem acesso por elevador, no segundo andar. Entre os brinquedos, há pista de boliche, simuladores, games e o splash, onde as crianças entram num barquinho que cai na água. "É a nossa unidade mais completa, com brinquedos de parque de diversões adaptados para o buffet", diz Alexandre Bueno de Paiva, do departamento jurídico do grupo Mediterrâneo.
Para fazer funcionar toda essa "máquina" de festas, o Mediterrâneo conta com cerca de 70 funcionários, entre o pessoal da cozinha e o da distribuição. A empresa tem duas cozinhas industriais na região de Santana. Um prédio, com 3.600 metros construídos, conta com confeitaria, padaria, chocolateria, sorveteria e lavanderia. Em outro prédio são feitos os almoços e jantares. As cozinhas são supervisionadas por uma nutricionista, que acompanha a elaboração e a distribuição dos alimentos para os buffets. "Somos auto-suficientes em praticamente 90% do que é servido em nossas festas. Tudo vai previamente preparado para as festas", conta Alexandre.
Com essa estrutura, o cliente pode ter certeza do que encontrará no dia da festa, garante. "Muitos buffets terceirizam tudo e, se o cliente fechar a festa com muita antecedência, até a data do aniversário poderá ter mudado de fornecedor. Temos uma solidez muito grande e a mãe que nos procura visa qualidade e fartura", afirma. Nos cardápios básicos das festas dos Play Fest são servidos 15 tipos de salgados e 14 tipos de doces. Os pacotes incluem cerveja, filmagem, telão, lembrancinhas e decoração.
FESTA DIVERTIDA EM CASA
O mercado de festas infantis oferece inúmeras opções para os pais que preferem comemorar o aniversário dos filhos em casa. Enquanto os buffets acenam com brinquedos de última geração e espaços amplos e cobertos (o que garante diversão mesmo em dias de chuva), a festa em casa ainda tem seu charme. Para muitos pais, organizar uma comemoração no salão do prédio ou mesmo na residência conta com algumas vantagens, como uma maior flexibilidade de horário e custo menor.
Porém, tudo precisa ser muito bem calculado para que a festa não se transforme num fracasso. Nada pior do que alugar um brinquedo que não cabe no espaço disponível ou dimensionar mal a comida para o número de convidados. Por isso, Festa etc. Kids preparou um roteiro para orientar os pais na organização da festa em casa.
Um dos maiores receios dos pais ao organizar uma festa em casa é que as crianças fiquem "aprontando" pela casa ou prédio. O ideal é contratar empresas especializadas em recreação, que dirigem as atividades dos pequenos no período da festa.
Para Thiago Sanchez, sócio de Kiko Oliveira no Curumim, é importante oferecer uma recreação para que todos os convidados interajam entre si, inclusive os adultos. "Os pais ficam tranqüilos. Conseguimos segurar as crianças dentro de um espaço, mesmo que chova", garante, ressaltando que das 250 festas que o grupo animou no mês de abril, metade foram realizadas em residências ou salões de prédios.
O Curumim oferece vários tipos de recreação. A musical mescla músicas atuais com brincadeiras. Já o teatro ambiental mostra para as crianças a importância da fauna brasileira e da preservação do meio ambiente. O aniversariante é vestido com uma roupa camuflada. O show é conduzido pelo biólogo Diego Sanchez que, através da estória do menino Joãozinho, que tem o poder de se comunicar com os animais, fala sobre ecologia, poluição e o problema do fogo nas matas. Animais empalhados, como tucano, bicho-preguiça e macaco, fazem parte do cenário. As crianças podem ver animais vivos, como cobra, tartaruga, sapo, rã, aranha caranguejeira e passarinho. Há ainda a opção de uma recreação esportiva, com a organização de minicampeonatos de futebol, por exemplo. Seja qual for a modalidade escolhida pelo aniversariante, é importante contatar a empresa com pelo menos três meses de antecedência. "Muitas crianças têm preferência por determinado monitor e não podemos frustrá-las", diz Thiago.
É importante direcionar a recreação conforme a faixa etária dos convidados. Vinícius Leonel Farah, da Quiz Eventos, explica que para crianças entre três e seis anos são desenvolvidas atividades lúdicas, enquanto que para a faixa etária de sete a doze anos o recomendado são gincanas, jogos competitivos e brincadeiras mais dinâmicas. "Para os pequenos, os recreadores levam materiais para brincadeiras lúdicas e temáticas, que estimulam a criatividade e a imaginação das crianças. Por exemplo, é contada uma estória onde um monitor é o príncipe, uma monitora é a princesa e as crianças são os cavaleiros que levarão o tesouro até a princesa", comenta.
Os monitores fazem ainda tatuagem e maquiagem nas crianças e esculturas com balões. Podem ser escolhidas também oficinas simples, como argila, desenho ou massinha, e o balão cooperativo. "O balão é feito em tecido, disponível em duas medidas, 6,5 metros de diâmetro ou 4,5 metros, para espaços menores, e usado para brincadeiras cooperativas, onde todo mundo ganha e não se estimula a competição", explica Vinícius. Outra opção é a recreação com discoteca, indicada a partir de sete anos. A Quiz também trabalha com artistas circenses, como perna-de-pau e malabarista, que permanecem na festa por duas horas.
Contratar com uma só empresa praticamente todos os serviços para a festa é uma das alternativas para os pais. Há buffets em domicílio que fornecem alimentação, decoração e até recreação ou brinquedos.
Juliana Lima, do buffet em domicílio Fábrica das Festas, garante que transforma qualquer salão de prédio ou quintal num buffet. "Cuidamos da decoração da entrada até a alimentação, incluindo recreação, personagens, lembrancinhas e convites. Se a mãe preferir podemos inclusive entregar os convites", explica Juliana Lima, proprietária, completando que não trabalha com "preços mirabolantes: é possível fazer um buffet lindo por um preço justo. A atenção deve estar sempre no bolso do cliente."
Juliana terceiriza a parte de alimentação. As barraquinhas, por exemplo, são da Menta e Pimenta. Já a decoração é própria: são 80 temas. Para cada tema, há cerca de cinco tipos de convites e seis de lembrancinhas, à escolha do cliente. O Fábrica das Festas tem também mesa de balas temática. "Se os pais fecham tudo num só lugar, conseguem um desconto muito melhor e evitam preocupações no dia da festa, como saber se a recreação ou as lembrancinhas já chegaram", diz.
O Folia e Cia., das irmãs Ana Paula e Regina Cezar, também oferece pacote completo para as festas. As duas começaram a trabalhar com animação de festas infantis há oito anos, e logo expandiram seus serviços. "Ampliamos para a parte de alimentação, que pode ser feita com barraquinhas ou coquetel, e inclui bolos, doces e sanduíche de metro. Só não oferecemos almoços ou jantares", conta Ana, incluindo que a alimentação do buffet é conduzida por seus pais.
Para evitar surpresas no dia do evento, Ana sempre visita o local da festa antes para saber que tipo de equipamento precisará levar. O Folia e Cia. não costuma contar os convidados na porta. "Conto com o bom senso da mãe. Se fecho uma festa para 50 pessoas, sirvo tranqüilamente 65 pessoas sem cobrar nada a mais. Assim, os pais ficam mais à vontade para fazer sua lista", garante.
Para Márcia Beatriz Barbosa, do buffet Doces Momentos, que há 12 anos faz festas em domicílio o grande receio dos pais é que falte alguma coisa na festa. "Levo uma reserva de salgados congelados, por isso não há a menor possibilidade de faltar comida", conta. Tudo é feito pela equipe de Márcia, que tem condições de atender até três festas por dia. "São três equipes, com uma supervisora de festa por equipe", afirma.
O cardápio básico do buffet inclui do coquetel de entrada até a mesa do café, além de descartáveis, convites, lembrancinhas para adultos e crianças e todo o pessoal de serviço. Entre os opcionais, estão as lembrancinhas mais elaboradas, recreação, locação de brinquedos e pratos quentes (como massas, carnes e churrasco). "Costumo dizer que a mãe só tem dois trabalhos: comprar bebidas alcoólicas, que não estão inclusas, e pagar o serviço do buffet", completa.
Daniel Frederico e Claudia Pereira, do buffet Happy Home, também garantem que deixam a mãe sossegada para aproveitar a festa. "Sua única preocupação é ir ao cabeleireiro e se preparar para a festa", diverte-se Daniel. O buffet, que fabrica uma linha própria de 120 salgados, a Qualitá, tem como carro-chefe a festa coquetel. "O coquetel é o que dá sustentação para a festa. A partir dele, o cliente escolhe complementos", diz.
Algumas opções do Happy Home são o festival de massas, o festival de risoto, sanduíches de metro, tortas e quiches. No festival de massas, os pratos são preparados na frente do convidado, que escolhe entre quatro a cinco tipos de massa, e três a quatro molhos. Já a mesa de tortas e quiches inclui duas saladas. "Levamos toda infra-estrutura necessária, como fritadeira, forno e fogão, no caso de salões de prédio que não são equipados", lembra. Além da alimentação, o buffet oferece mesas decoradas, decoração com balões e brinquedos. "A festa em casa fica mais personalizada. Damos toda a assessoria, adequando a escolha dos salgados ao perfil dos convidados, o que garante o sucesso da festa", sustenta Daniel.
Quem também aposta nas festas ao gosto do cliente é o Tumballum, comandado pelo casal Elisabete Gomes de Melo e Cláudio Mecheto. Culinarista com passagens pelo programa de TV Note e Anote, Cláudio tem entre seu forte os docinhos modelados e os bolos decorados. Mas, também em relação aos salgados, Cláudio desenvolve o cardápio desejado pela mãe. "Tento interpretar o que ela quer, dentro do orçamento planejado", afirma.
A festa tipo coquetel é a mais vendida. O menu infantil inclui minipizza, minidog, minihamburguer, batatas fritas, pipoca e pão de queijo. "Diferenciamos os pacotes com os tipos de salgados. Uma festa mais sofisticada pede salgados folhados, miniquiches e risoles de tomate seco com mussarela de búfala, por exemplo", comenta Elisabete. Para os clientes que querem uma festa mais econômica, o Tumballum tem barraquinhas de crepe, minipizza, pipoca, algodão doce, fritas, pastéis, minihamburguer, salgados fritos na hora e refrigerantes.
Para os almoços, especialmente os de aniversário de um ano, comemorados junto com o batizado, uma alternativa, segundo Cláudio, são as massas, como sofioli, conchiglione, rondeli ou caneloni. Já a festa de crepes do Tumballum oferece seis opções de recheios salgados, com dois molhos, e três tipos doces, com duas caldas. Acompanha ainda duas saladas, bebidas, bolo, doces e balões.
As barraquinhas são uma ótima alternativa para resolver a alimentação da festa. Nelas é possível preparar e servir dos tradicionais minipizza e minidog a opções diferenciadas, como churros ou quiches. "Engana-se quem pensa que barraquinha só serve crianças", atesta Sonia Maria Morales, proprietária do Banana Azul, que há sete anos trabalha com esse tipo de serviço. A empresa chega a fazer mais de 50 festas por fim-de-semana (de sexta a domingo), servindo de pizza, pastéis, hot dog, hamburguer e crepe a churros, favo holandês e frutas no chocolate. "As frutas, como morango, uva, banana, abacaxi e kiwi, são banhadas no chocolate na hora. Já o favo é uma massa adocicada coberta com creme de avelã com chocolate. São opções diferentes que complementam o tradicional cardápio", diz.
Há ainda variedades para clientes que não querem servir carne, como os lanches naturais e a salsicha vegetal (uma novidade lançada pelo Banana Azul visando principalmente a comunidade judaica). Sonia ressalta que os pais devem, ao contratar um serviço de barraquinhas, verificar a idoneidade da empresa e a procedência dos produtos usados. "O melhor preço não significa a melhor qualidade", frisa. Se a festa for realizada num salão fechado, Sonia recomenda que as frituras não sejam feitas na própria barraquinha. Nesses casos, o ideal é fritar os quitutes na cozinha.
Os refrigerantes também podem ser servidos na barraca. Conforme Marlene Samos Rodrigues, da Bicho Grillo, se não houver espaço disponível, os refrigerantes saem da cozinha para serem servidos em bandejas. Apesar da diversidade de itens oferecidos pelas empresas de barraquinhas, Marlene explica que muitas mães preferem contar também com salgadinhos. "Especialmente as mães de aniversariantes de um ano, que têm muitos adultos na festa, gostam de mesclar salgados. Muitos ainda vêem as barracas como um complemento", comenta.
Marlene orienta que, para uma festa de 50 pessoas, três barraquinhas são necessárias, com até quatro tipos de alimentos. "Podemos dividir, numa só barraca, o cachorro-quente e o hambúrguer", diz. Para os adolescentes, por exemplo, ela indica os crepes (nas versões queijo, presunto com queijo, calabresa com queijo, chocolate, Romeu e Julieta ou doce de leite). Uma inovação que agrada mais os adultos do que as crianças são as quiches. Para uma festa de 50 pessoas, Marlene indica que se escolha três sabores, entre quatro queijos, escarola com molho branco, frango com catupiry, calabresa e ricota com espinafre.
Além da diversidade do cardápio e da facilidade que oferece para os pais, outro trunfo das barraquinhas é a apresentação. A Big Lanche Mania investiu em barracas práticas e rápidas de montar: construídas em tubos de alumínio, elas são "vestidas" com capotas e saias de tecido xadrez. Segundo Francisca Xavier dos Santos, sócia da empresa com Luciano dos Santos Junior, o visual tem agradado a clientela.
São tomados ainda certos cuidados ao preparar os alimentos nas barracas, informa Francisca. "Forramos as paredes com papel próximo ao local onde será instalada a fritadeira dos pastéis, por exemplo." Além do cardápio já conhecido das barraquinhas, a Big Lanche lançou uma variedade que tem agradado crianças e adultos: filezinho de frango servido no mini pão francês. "As crianças adoram com catchup", diz.
Por que não um aniversário com pizza? Também em casa é possível montar uma pizzaria, organizando uma festa original e saborosa. A Pizza Boa, buffet de pizza em domicílio, trabalha com fornos a gás que medem cerca de cinqüenta por trinta centímetros. "Levo os discos de pizza pré-assados. O forno não faz fumaça nem esquenta o ambiente e assa duas pizzas no tamanho individual por minuto, com massa fina e crocante", conta Walter Bellim, proprietário da empresa.
Cada convidado escolhe a pizza num cardápio com 24 opções salgadas e três doces. Uma garçonete anota numa comanda o nome do convidado e seu pedido. "É um serviço personalizado, como se a pessoa estivesse num restaurante", explica.
Se o cliente preferir, as pizzas podem ser servidas em bandejas de madeira, cortadas em pedaços tipo aperitivo.
Segundo Walter, a média de consumo é de quatro pizzas por convidado. Além das pizzas, é servida uma entrada com três patês (sardela, alho e azeitonas pretas) e salada de berinjela com pimentão, acompanhados de pão italiano.
A Dei Cugini está levando sua experiência de 18 anos com pizzaria instalada no bairro do Belém para as festas. Segundo os proprietários, Cláudio dos Santos Soalheiro e Jacinto Sergio Urso, a empresa transporta para a festa um forno a gás de 26 quilos, com 35 centímetros de diâmetro, semelhante ao utilizado na pizzaria do Faustão, do programa de TV. "Visitamos o local para verificar se ele está de acordo com nossa estrutura", comenta Cláudio. Os donos da festa escolhem previamente os sabores das pizzas. Para 30 pessoas, a empresa leva 15 discos de pizza pré-assados para os recheios salgados e cinco para os doces, mais um pizzaiolo, uma copeira e um garçom, além de louças, talheres e copos. De entrada são servidas bruschettas, torradas feitas no pão italiano com diversos recheios. Entre as pizzas doces, os destaques são a de chocolate ou de banana, com sorvete de creme.
Tão importante quanto a alimentação é pensar na diversão das crianças. Seja em casa ou no salão do prédio, é essencial alugar brinquedos para entretê-las. Para Rodrigo Duran Dias, proprietário da Dias Brinquedos, fabricante de infláveis, é importante saber a faixa etária das crianças convidadas para indicar os brinquedos mais adequados. Crianças menores preferem as tradicionais piscinas de bolinhas, pula-pula e cama elástica. "Já os maiores gostam de atrações radicais, como touro mecânico e futebol de sabão", afirma, completando que, por ser fabricante, seus brinquedos infláveis estão sempre em bom estado. Se a festa for no condomínio e a quadra puder ser ocupada, Dias recomenda também o tobogã (há um modelo com quatro e outro com sete metros de altura) e a parede de alpinismo (com 5,60 metros de altura).
Vinícius Messias Ramos, da Happy Star, lembra que muitos condomínios exigem que um brinquedo instalado na área comum possa ser utilizado por todas as crianças do prédio. É um item que deve ser levado em conta pelos pais na hora de definir quais e quantos brinquedos alugar. Uma das opções oferecidas pela Happy Star é o kiddie play inflável. Há vários modelos com diversas atividades, como João bobo e escaladinha com escorregador, indicados para crianças de até oito anos. "O brinquedo comporta de dez a doze crianças por vez", orienta Vinícius, explicando que um monitor fica dentro do brinquedo, para garantir a segurança, e outro fora. Outras idéias da Happy Star são o pebolim humano (que exige um espaço de doze por seis metros), o surf mecânico e o bungee trampolim.
Os brinquedos devem estar adequados à idade e quantidade de crianças e também ao espaço disponível. "Equipamentos muito grandes podem ser inviáveis para uma festa em casa. Às vezes, um ou dois centímetros comprometem a sua instalação", afirma Fábio Paschoal, proprietário da Strepolia, ressaltando que o ideal é realizar uma vistoria prévia no local da festa.
Se o espaço permitir, uma festa com grande número de crianças (mais de 80), pede brinquedos com alta rotatividade. "Num tobogã, por exemplo, brincam até 360 crianças por hora. Além disso, ele comporta uma faixa etária bem abrangente", explica. Os brinquedos mais alugados pela Strepolia são os infláveis gigantes, como galo, dragão, baleia, tobogãs e salloons (infláveis com múltiplas atividades). Entre os radicais, a vedete é o bungee trampolim. "Temos o modelo importado, que comporta pessoas com até 80 quilos", garante. Uma novidade é o jet boat, composto de carrinho bate-bate para água. Cada bóia de fibra comporta três crianças ou 250 quilos. De acordo com o tamanho da piscina, são colocadas de duas a cinco bóias. "Assim, aproveitamos a piscina da casa ou do condomínio, que acaba sendo uma área inútil na festa", completa Fábio.
Alguns opcionais deixam a festa em casa ainda mais atrativa. "A festa em casa não é feita só de comida e bebida. Ela pode ser até mais animada do que num buffet infantil", acredita Roberto Bulgarelli Junior, da Visual Art, empresa que leva para eventos DJ com telão (que pode projetar desenhos animados da preferência do aniversariante) e uma produção especial para a hora do parabéns, com chuva de papel laminado ou de pétalas. Som e imagem também podem complementar a festa de maneira diferenciada. "Se o tema da festa é o Rei Leão, tocamos o tema e projetamos imagens do filme no telão. É feita uma produção para que a festa fuja do comum", explica.
Um complemento que funciona como diversão e até lembrancinha para os convidados, é a Mãos de Cera. Marcelo Moretti trouxe a técnica dos Estados Unidos: cada convidado mergulha a mão numa cera especial, fazendo um molde que é colorido conforme escolha da criança. "É uma atividade que conta com a participação das crianças. Cada uma leva sua mão de cera embalada, com os cuidados necessários para mantê-la perfeita por mais tempo", explica Marcelo. Conforme o tema da festa, as mãos podem ser incrementadas com acessórios. Por exemplo, estrelas do mar ou peixinhos para o "Nemo". A equipe da Mãos de Cera chega em média uma hora e meia antes do início da festa para montar toda a estrutura necessária e derreter a cera. Em quatro horas de festa é possível fazer de 60 a 70 mãos. "Nas festas em casa, se não há brinquedos ou recreação contratada, muitas vezes somos a atração principal", conta.
A maior "febre", principalmente entre as meninas, é o salão de cabeleireiro na festa. A Cabelo Mania oferece dois tipos de festa: o aniversário pode ser comemorado no próprio salão, localizado no Tatuapé, ou o serviço vai até o local do evento. O salão é todo personalizado para crianças e adolescentes. Há a sala corte-game, onde a criança pode cortar o cabelo jogando vídeo-game ou no simulador. "O que era chato virou uma brincadeira", conta Gleide Amaral, sócia do Cabelo Mania com a cunhada, Joyce Amaral. No salão, as festas acontecem de segundas às quartas-feiras à tarde, para 15 meninas e três adultos, e incluem salgados, bolo e doces, e todo tipo de manicure e penteado, exceto cortes.
Mas a maioria das festas da Cabelo Mania é feita em domicílio. A empresa leva dois cabeleireiros e uma manicure, além da penteadeira e banquinhos. Nos cabelos, são feitos tererês, tranças e tatuagens com spray colorido. A manicure faz da básica florzinha nas unhas até adesivos de personagens. A equipe trabalha duas horas na festa. Como brinde, o aniversariante ganha seu penteado. "A mãe escolhe se prefere trazer a criança no salão para se produzir ou se ela será arrumada em casa, antes da festa", diz Gleide. Se o aniversariante quiser, o mascote do salão – um simpático menino de cabelos coloridos – vai até a festa.
Quem também monta o cabeleireiro nas festas é a Tindolelê. Melaine Ferreira, professora, começou a atividade por influência da filha, que adora se produzir. Ela leva duas penteadeiras, uma azul para os meninos, enfeitada com o boneco de pano Tindo, e outra vermelha, com a Lelê, para as meninas. Acessórios como pulseirinhas, anéis e óculos escuros acompanham o tema da festa. Nas meninas é feita uma maquiagem básica, utilizando sombra com brilho e adesivos próprios para o rosto. Melaine fotografa todas as festas e coloca as fotos em seu site, no final do mês. Outro serviço da Tindolelê são as oficinas. Entre as opções há a de jardinagem (cada criança pinta um vaso de cerâmica e planta uma muda), pintura de camisetas, bonés, toalha de mão, peças de madeira ou tela.
BALADA NOS BUFFETS
Buffet infantil também é lugar de dançar. Além dos brinquedos e dos jogos eletrônicos, as discotecas têm ganhado espaço nos buffets. Seja nos aniversários de um ano ou dos pré-adolescentes, a pista de dança é uma atração concorrida entre os convidados.
O Shake Buum, localizado no Jardim Avelino, tem uma decoração musical. "É claro que uma discoteca não poderia faltar", afirma Claudia Calipo Resca, sócia do buffet com Marina Peloso Cursi e Marlene de Souza. O buffet tem um ano e meio e acaba de mudar-se para um novo prédio, com 600m². A discoteca fica no primeiro piso, é climatizada com ar condicionado e tratada acusticamente. "O salão de cima tem uma entrada independente, possibilitando que aconteçam duas festas no mesmo horário. Por exemplo, uma festa de 15 anos em cima e outra infantil, no salão inferior", explica.
A discoteca comporta cerca de 50 pessoas e tem um balcão para o DJ. O espaço conta com iluminações especiais, como estrobos, luz negra, progress (luzes coloridas que piscam conforme a música) e a girogobo (que projeta imagens no chão). "Fechamos muitas festas por causa da disco", repara Claudia. As sócias do Shake Buum notam que as meninas a partir dos sete anos gostam da danceteria. Já os meninos, a partir dos 10 anos trocam as brincadeiras pela música. "A partir dessa idade meninos e meninas fazem da festa uma balada", diz, acrescentando que a danceteria é utilizada em todas as festas do buffet.
Também no Little Jungle o ambiente da discoteca funciona em todas as festas. Segundo os proprietários do buffet, Adriana Duarte e Felipe Ferreira, a danceteria é equipada com raio laser que projeta mais de 250 imagens, máquina de fumaça, luz estrobo e ar condicionado. "Não é uma atração só para festas teens. Ela é muito usada pelos adultos em festas de um ano ou de crianças menores. O adulto realmente curte a festa", diz Adriana.
No Little Jungle, a danceteria ocupa o piso superior, onde também ficam o jardim de inverno e a sala de jogos. "O som da danceteria não interfere no som dos outros ambientes. Assim, nem os idosos nem a criançada vão ser incomodados", confirma Adriana, completando que uma monitora permanece o tempo todo na discoteca. Além de colocar músicas, ela dança e ensina coreografias aos convidados, garantindo animação para o espaço.
Mesmo os buffets que não contam com uma discoteca separada do salão estão investindo em equipamentos de som e luz e incrementando suas festas com a animação de um DJ. No Kboom Festas, instalado em Santana, a discoteca está no meio do salão. A cabine do DJ é suspensa e, se o cliente escolher, podem ser distribuídos acessórios durante a festa, como óculos, plumas, lenços, perucas coloridas e pulseiras de neon. "Conforme o pacote da festa os acessórios estão incluídos. Já o DJ faz parte de qualquer festa", comenta a proprietária, Kátia Africani.
Até por causa da discoteca, o Kboom atinge mais aniversários de oito a 12 anos. "É a faixa etária para a qual mais fazemos festas. A disco tira o ar infantil do buffet", justifica. Entre os ritmos mais tocados, estão o black, tecno, axé e até funk. Festas temáticas são comuns, como a de anos 60, principalmente para aniversários de 10 anos. Mas, qualquer que seja a música o DJ investe na animação, dançando junto com os convidados. "De nada adianta ter todo o aparato técnico se o pessoal não dançar e a festa não for animada", acredita Kátia.
Animação também é o foco do trabalho do DJ no Sonho a Mais, outro buffet da zona Norte. Todas as festas contam com uma recreação personalizada, ao gosto do aniversariante. A recreação pode incluir desfile de fantasias com as crianças, por exemplo, e a participação dos adultos. O DJ faz parte das brincadeiras e está incluído em todas as festas.
"É uma recreação musical, que pode ser feita com as crianças e os adultos. Tudo depende muito dos convidados de cada festa", informa Kátia Sousa, sócia do Sonho a Mais com Fátima Farias. O buffet, que existe há mais de 15 anos e há cinco ocupa um novo espaço, também conta com equipamentos de luz seqüencial, gelo seco e mesa para o DJ.
Transformar o buffet numa discoteca é a proposta do Karamelada, buffet do Jardim Anália Franco. Desde junho do ano passado, um dos pacotes oferecidos é o "Festa teen com DJ". O pacote mais simples inclui mesa de som e duas torres de iluminação. Há versões com equipamentos mais sofisticados, como raio laser e globo espelhado, levados pelo DJ Richard’s , que anima todas as festas. "Temos feito muitos aniversários de 10 a 14 anos. O Richard’s atende muito bem essa faixa etária, pois dá atenção aos pais e também aos adolescentes", explica Ricardo Rabello, proprietário do buffet com Mariângela P. Rabello. O DJ também incentiva os convidados a dançar, distribuindo um CD gravado por ele para os melhores dançarinos. "Mas, o aniversariante é o primeiro a ganhar", diverte-se Ricardo.
O DJ permanece três horas na festa, da entrada ao parabéns, e ocupa o palco do buffet, que divide a área ocupada pelas mesas dos convidados do espaço dos brinquedos. Nas festas com DJ não há mesa decorada. "O DJ ‘puxa’ o parabéns e o bolo é servido numa mesa pequena, na frente do palco. Com esse tipo de festa, passamos a fazer mais festas para aniversariantes acima de oito anos. Antes, atingíamos só os pequenos, de um a três anos", comemora Ricardo.
Quem também mudou o foco do buffet com a discoteca foi o Pirilampo’s. De casa nova desde outubro do ano passado, no Tatuapé, os proprietários reservaram um espaço no salão para a discoteca. "No outro buffet não tínhamos discoteca e sentíamos falta. Agora, tenho um grande volume de festas para aniversários de nove a 12 anos", afirma Herika Mascara Coelho Vechiato, a proprietária.
Um DJ monitora os equipamentos de iluminação e som profissionais. A área exclusiva para a danceteria fica em frente ao palco de shows. "As monitoras incentivam e ensinam todos a dançar. É uma atividade que anima crianças, adolescentes e adultos", completa. A atividade faz parte de todas as festas e começa uma hora antes do parabéns. O espaço para dançar fica no fundo do salão, distante das mesas. "Os convidados que querem continuam sentados, porém vendo a danceteria", diz. Ao fechar a festa, muitos pais escolhem seu estilo de música preferido, que é incluído na seleção musical. Herika comenta que os sucessos dos anos 60 e 70 costumam empolgar os mais velhos. "Os flash-backs animam muito. Aqui, já fizemos até baile de Carnaval", finaliza.
DAS TELAS PARA AS FESTAS
Vale a pena fazer do aniversário um momento mágico. Para isso, além de brinquedos, guloseimas, música e diversão, é preciso uma pitada de fantasia. A presença de um personagem na festa transforma o sonho em realidade. Para os pequenos, seu personagem preferido saiu da mesa do bolo e virou gente!
Também os buffets acreditam na força dos personagens. No Rox Pop, localizado na Mooca, o ET símbolo do buffet aparece na hora do parabéns. "Muitas mães nem contratam o personagem do tema da festa porque temos ele", informa a gerente do buffet, Marisa Magalhães Feijó. Além disso, o Rox Pop oferece como opcional a presença de outros personagens. Como o buffet é vizinho de uma loja de aluguel de fantasias, um dos monitores veste a roupa, transformando a fantasia da criança em realidade.
Mesmo com esse serviço opcional, é comum o Rox Pop receber personagens de empresas especializadas nesse serviço em suas festas, especialmente para aniversários de crianças até quatro anos. Uma das que freqüentemente faz festas por lá é a Fábrica de Ilusões. Joana D’Arc de Oliveira, proprietária, salienta que a presença de um personagem é fundamental na festa para realizar a fantasia das crianças. "Principalmente até os seis anos, elas realmente acreditam que o personagem saiu da TV ou do cinema para a sua festa."
Joana não costuma trabalhar com atores para vestir as fantasias. Ela dá preferência a quem realmente goste de crianças, para que o trabalho não fique "frio". "É preciso tratar as crianças com paciência e ter um jeito especial." Quanto às fantasias, ela lança um tema assim que percebe que ele será sucesso entre a criançada. Foi o caso do "Nemo". "Vi o desenho no cinema e achei que valia a pena investir logo nas fantasias." A Fábrica de Ilusões tem, além do "Nemo", a peixinha "Dori" e o mergulhador. Joana gosta de produzir fantasias que ninguém tem. "A pedido de uma mãe, desenvolvi o ‘Zurg’ e o ‘Marciano’, personagens do ‘Toy Story’ e inimigos do ‘Buzz’. Estou fazendo também a ‘Hello Kitty’ e ‘Bob, o construtor’", conta. Entre os personagens mais pedidos, estão o "Barney", "turma do Mickey" e "Scooby Doo", com a turma completa. Para completar o serviço de personagens, um opcional da Fábrica de Ilusões é a entrega de convites. "Só por receber o convite das mãos do personagem, o convidado fica ansioso pela festa", afirma Joana.
Para realizar a fantasia das crianças, as empresas que levam personagens às festas não têm medido esforços. O Batalhão D’Alegria tem um estúdio de confecção de bonecos. Eduardo Bonny, o proprietário, há três anos resolveu levar sua experiência com confecção de personagens para TV (como o "Mau", a "Gralha" e a "cobra Celeste" do Castelo Rá-tim-bum, da TV Cultura) para as festas infantis. Como também já trabalhou com animatrônica, ou movimento em bonecos, Bonny está preparando personagens com esse diferencial para atuar nas festas. "Estou fazendo novos ‘Barneys’ que irão abrir e fechar os olhos", comenta.
Outras novidades são os super-heróis com armaduras, peitorais musculosos feitos em fibra de vidro, a Vila Sésamo, os robôs do novo filme "Guerra nas Estrelas", e o "Doutor Octopus" do "Homem-Aranha". "Tenho o personagem antes do filme ser lançado", garante. Apesar das novidades, os clássicos sempre são moda. É o caso da "Branca de Neve". Bonny orgulha-se de poder oferecer toda a turma: a Branca de Neve e os sete anões, o príncipe e a bruxa.
Além da presença na festa, os atores fazem um show comandado por um apresentador. "O apresentador funciona como a ponte entre as crianças, que são o mundo real, e os personagens, que representam a fantasia. Ele procura fazer com que as crianças não se assustem com a bruxa, por exemplo", comenta. Cenários tridimensionais, como castelos para os temas de princesas e florestas para "Peter Pan" e "Sítio do Pica-pau amarelo", fazem parte dos shows estrelados pelos personagens.
Os shows são uma das atividades importantes do personagem na festa. Além da recepção dos convidados, geralmente antes do parabéns eles estrelam um show com a participação das crianças. Na Festolândia Show, o personagem mais solicitado é o "Barney". O simpático dinossauro roxo e seus amigos – "Baby Bop" e "BJ" – fazem um show musical, com as músicas do desenho em português. A Festolândia tem três fantasias do "Barney" e mais duas de cada amigo. "Até agosto, não tenho mais vaga para o Barney. Temos eventos marcados com ele para Florianópolis e Bahia", comemora Sabrina Barone, proprietária da empresa.
O sucesso do Barney começou em 2003 e Sabrina acredita que seu reinado terá uma fase determinada. "É diferente de clássicos como ‘Barbie’, ‘Branca de Neve’ e ‘Cinderela’, que nunca acabam", diz. A Festolândia também faz shows com outros personagens, como "A Bela e a Fera", "Turma da Disney" e "Princesas".
Val Freitas, da Funny Toys, acredita que o monitor que vestir a fantasia deve combinar com o personagem. "Uma princesa precisa ser delicada, ter uma postura fina. A ‘Cinderela’ e a ‘Barbie’ precisam ser loiras, de olhos azuis", justifica. Val prefere trabalhar com jovens estudantes ou formados em educação física ou hotelaria.
Ela comenta que os cuidados com a manutenção das fantasias também são essenciais. "Nunca tive reclamações de que uma fantasia minha estivesse suja ou cheirando mal. A limpeza deve ser total", diz, esclarecendo que, conforme a fantasia, após três festas ela deve ser lavada. É o caso do "Ursinho Pooh" e do "Tigrão". "São fantasias claras que sujam muito rápido", diz. Val faz questão de cuidar pessoalmente da manutenção, limpando as fantasias com álcool ou amaciante quando necessário, e enviar para a costureira para reparos ou à lavanderia. "Procuro sempre ter um produto de qualidade, que agrade os pais e as crianças", completa.
Para Vânia Zanini, do Recanto da Arte, de nada adianta ter uma fantasia linda se a pessoa que a usar não for preparada para atender a expectativa das crianças. "Elas são muito espertas e conhecem os personagens. Por isso, orientamos os monitores a incorporar o personagem, entrar no clima. Por exemplo, fazendo os gestos e a voz que se assemelham ao da TV ou cinema", explica. Algumas das fantasias utilizadas pela Recanto da Arte são importadas, segundo Vânia. Na opinião da proprietária da empresa, o sucesso da presença do personagem na festa depende de um conjunto: a empatia do monitor com as crianças aliada à beleza da fantasia. Entre os temas mais pedidos estão o "Barney", "Power Rangers", "Super-heróis", "Princesas" e os "Teletubies". Todos fazem shows durante a festa. Mas a empresa também trabalha com temas diferentes, como o show dos "Saltimbancos", que conta a história do gato, do cachorro, da galinha e do jumento, da peça de teatro de Chico Buarque.
Quem também leva alguns personagens de peças de teatro infantis para as festas de aniversário é a Apogeu Eventos. São estórias da carochinha, pouco difundidas atualmente, como "Os Três Porquinhos", "Pinóquio", "Chapeuzinho Vermelho", e o "Coelho e a Tartaruga", conta Domingos Junior, proprietário da empresa. Mas, os personagens que mais têm procura são os relacionados aos programas e desenhos da TV, como "Bob Esponja" e "Barney", comenta Domingos. "Precisamos estar ligados com o que passa na TV".
Qualquer que seja o tema, a proposta da Apogeu é fazer teatros interativos. "O aniversariante pode ser o "Peter Pan" ou outro herói e o príncipe pode colocar o sapatinho da Cinderela no pé da aniversariante", exemplifica. Tudo vai estar predeterminado com os pais, antes da festa. Domingos se preocupa também que a criança não se assuste com um personagem enorme. "Tudo depende de como os pais fazem a aproximação dele com a criança. Ela deve saber que o personagem irá à festa, para brincar com ela", conta.
A Laura Show também aposta nos shows. No da "Branca de Neve" as crianças usam gorrinhos e participam como se fossem os anões da estória. "Os personagens fazem a recepção dos convidados e ainda desenvolvem atividades com as crianças, como maquiagem artística e escultura com balões", explica Laura de Oliveira, proprietária da empresa, que dispõe de cerca de 180 personagens diferentes.
Laura acredita que é muito salutar para a criança que o personagem participe da festa. "Onde mais elas têm a liberdade e a oportunidade de conviver com a Cinderela, por exemplo? O personagem não é uma estátua, mas um recreador que pode brincar e conversar com as crianças", defende. Segundo Laura, é preciso saber usar o personagem na festa. "Um aniversariante de 40 anos me pediu todos os personagens da Disney. Coloquei-os como garçons, malabaristas e até pernas-de-pau, usando as cabeças dos personagens", lembra.
Conhecer a personalidade do personagem e escolher a pessoa adequada para vesti-lo também é fundamental. "A ‘Emília’ é espevitada e não pode ser vivida por uma garota meiga", compara. Para festas com um grande número de crianças, Laura orienta que o número de personagens seja maior, para que eles possam dar atenção a todas.
Ednéia Ribeiro, do Universo d’Alegria, tem orgulho de dizer que ela participa da maioria de suas festas, vestida como algum personagem. Há nove anos com a empresa, ela tem hoje mais de 90 fantasias e uma equipe fixa de 12 monitores. Ednéia considera que, nesse segmento, o mais difícil é manter uma boa equipe de animadores. "Eles precisam ser extrovertidos, alegres, gostar muito de criança e do que fazem para transmitir isso aos convidados", opina, ressaltando que seus personagens brincam junto com as crianças. "Eles participam da festa, entram na piscina de bolinhas e no escorregador." Na "dança" dos personagens preferidos, atualmente Ednéia aponta os eternos "Mickey e Minie", o "Bob Esponja" e "Lilo & Stitch" entre os campeões. Entre os grandes sucessos de todos os tempos, ela lembra dos "Bananas de Pijama": "Cheguei a ter doze ‘Bananas’. Hoje, a variedade de personagens é muito maior."
Já os super-heróis vivem alheios às oscilações da moda. "Homem-Aranha", "Batman", "Robin", "Super-homem" e os "Power Rangers" fazem parte dos shows da Super Amigos Liga da Justiça, empresa de Alexandre Lichewitz, que trabalha exclusivamente com super-heróis, fazendo de 25 a 30 festas por mês.
Há personagens que se sobressaem mais em determinadas épocas. O "The Flash", da Liga da Justiça está fazendo sucesso atualmente. Na onda do sucesso do cinema, Alexandre lançou também os heróis do "O Senhor dos Anéis". "Só não fizemos os vilões porque são monstruosos demais para as crianças", conta Alexandre. Outros lançamentos são o "He-Man" e os personagens do jogo de vídeo-game "Counter Strike", voltado para garotos de seis a 10 anos.
Mas, a empresa faz festas para meninos a partir dos três anos. O super-herói pode chegar na escola de moto, fazendo a escolta do aniversariante até a festa. Os personagens mais pedidos para escolta são os "Power Rangers" e o "Homem-Aranha". "Os que usam capa não podem andar de moto, por perigo de enroscá-la na roda", explica. Outro serviço da empresa é levar o super-herói para tomar café da manhã com o aniversariante. Na festa, o show continua e a grande atração é a encenação de uma estória onde os ídolos vencem os vilões, para delírio das crianças. "Somos bem convincentes. Cada ator representa sempre o mesmo personagem e conhece as suas características. Não levamos ‘Homem-Aranha’ magrinho nem ‘Batman’ barrigudo", brinca.
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